sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Em defesa da tradição, da família e da propriedade do pré-sal


por Jorge Furtado em 13 de outubro de 2010


Mônica Serra, que muita gente só foi conhecer um dia desses, andou pelos subúrbios brasileiros fazendo a campanha do marido e dizendo a evangélicos que Dilma “mata criancinhas”. Quem noticiou o fato foi o jornal O Estado de S. Paulo (que abriu voto para José Serra). Índio da Costa, vice na chapa demo-tucana, foi o companheiro de Mônica em sua missão evangelizadora entre os pobres.

Indio da Costa, isto quem conta é o jornal O Dia, comprometeu-se com evangélicos a barrar a lei que proíbe discriminação contra homossexuais, o que nos leva a concluir que, no mínimo, o vice de Serra não vê problemas na discriminação contra homossexuais. Índio da Costa, que o Brasil também conheceu um dia desses e que ainda pode amanhecer presidente da república (como já aconteceu com vários vices), sugeriu, na tribuna do Congresso, a realização de um plebiscito sobre a pena da morte. O mais que sabemos de Índio é seu envolvimento em licitações não muito bem explicadas com fornecedores de merenda escolar (denuncia que virou CPI comandada por uma vereadora do PSBB carioca) e a notícia amplamente divulgada dele ter sido “o relator” do projeto ficha limpa, o que era mentira: o relator do projeto é o deputado petista José Eduardo Cardozo, da coordenação da campanha de Dilma.

Verônica Serra, a filha de José e Mônica, como informou exemplar reportagem de Leandro Fortes na revista Carta Capital, foi sócia de Verônica Dantas (sócia e irmã do banqueiro condenado por suborno de um policial federal e acusado de vários crimes em diferentes países, Daniel Dantas), numa empresa que violou o sigilo fiscal de milhões de brasileiros. (Para provar que a tal decidir.com entregava a mercadoria que vendia, a Folha publicou, em 2001, o cadastro de cheques sem fundo de alguns deputados). Apesar de trazer graves denúncias detalhadamente documentadas, a reportagem de capa da Carta Capital foi solenemente ignorada pela antiga imprensa e nunca desmentida por ninguém. Enquanto isso, a mais estapafúrdia ficção, como a do sujeito que achou “200 mil do tamiflu” na sua gaveta, ou a do receptador de conservante de presunto roubado que pleiteava 9 bilhões (é bilhões mesmo, com b) de financiamento no BNDES e não levou porque não pagou suborno, ganham quilômetros de manchetes e horas de acalorados debates.

David Zylbersztajn foi o primeiro diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo (ANP), nomeado por FHC em 1998 e reconduzido ao cargo em janeiro de 2000. Em 1999, ele liderou a quebra do monopólio da Petrobras na exploração do petróleo no Brasil. “Sua separação da esposa Ana Beatriz Cardoso, filha do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, em maio de 2001, antecipou sua saída da chefia da ANP, embora seu mandato lhe garantisse a permanência no cargo até o final de 2005”. (da Wikipedia) Em 2002 fundou a empresa DZ Negócios com Energia, especializada em assessorar investidores interessados na indústria brasileira de petróleo. Agora, em 2010, ele defende, como declarou em nota assinada e publicada no blog de Josias de Souza, “a manutenção do sistema de concessões também para as futuras licitações, sejam elas no pré-sal, ou fora dele”, ou seja, o interesse dos seus clientes.

José Serra, perguntado por Dilma Rousseff no debate da Band sobre a questão do sistema de concessões do pré-sal, enrolou, como sempre faz, ensaiou acusações vagas, desfiou clichês decorados, sorriu e mudou de assunto, como lhe mandaram. Serra também enrolou e não respondeu nada sobre as declarações de sua esposa, nem sobre o sumiço dos 4 milhões de sua campanha, entregues a Paulo Souza, a quem Serra afirmou não conhecer: "Não sei quem é, nunca ouvi falar". Depois de ameaçado pelo próprio ("Não se larga um líder ferido na estrada a troco de nada, não cometam esse erro") e aparecer ao seu lado em várias fotos, Serra lembrou dele rapidinho, a ponto de defendê-lo.

Diz a Folha: “Serra diz que governo levou o tema aborto à campanha”. Ao Terra, Serra diz que quem trouxe o assunto para a campanha foi "o povo": "Não fomos nós que introduzimos o tema e sim o povo". Enquanto isso, sua campanha na televisão - que não é feita nem pelo governo nem pelo povo - abre com imagens de uma grávida alisando a barriga, um feto num exame de ultrassom, uma trilha melosa e uma locução que, em voz grave, começa afirmando: “Ter um filho não é uma escolha”. A apelação segue por imagens de bebezinhos recém-nascidos e termina dizendo que é preciso “escolher o bem, escolher a vida” e conclui: “E para escolher o melhor para o Brasil, é Serra presidente”. Já vi muitas baixarias nas campanhas eleitorais brasileiras mas, pelo menos desde que Collor acusou Lula de desejar um aborto, não vi nada tão rasteiro. Collor tinha, ao menos, a coragem de não terceirizar sua canalhice.

José Serra, hoje um assumido representante da mais tacanha e grotesca extrema-direita religiosa, incluindo a TFP e nazipastores de várias religiões, posa de crente enquanto sua turma faz contas de quanto poderia ganhar com o petróleo, que por enquanto é nosso. O pré-sal bem vale uma missa.

X

Programa de José Serra, onde ficamos sabendo tudo sobre ter um filho (“não é uma escolha”) e nada sobre o pré-sal:

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Boato de lesbianismo levou à agressividade de Dilma




Moacyr Lopes Jr./Folha

O tom agressivo empregado por Dilma Rousseff no debate presidencial da noite passada tem origem num boato.
O comitê de campanha da pupila de Lula foi informado acerca de um falso processo judicial que circula na internet.
Na peça, um suposto advogado aciona Dilma em nome de uma hipotética ex-doméstica da candidata.
A empregada fictícia sustenta no processo de fancaria ter mantido com Dilma um relacionamento amoroso de 15 anos. Cobra indenização.
Há três dias, o deputado eleito Gabriel Chalita (PSB-SP) tratou do tema em conversa com um petista ligado ao comando da campanha de Dilma.
Chalita contou que um religioso o havia procurado para dizer que recebera cópia de processo em que Dilma era acusada de lesbianismo.
O interlocutor pediu a Chalita que aconselhasse o bispo a checar o número de registro na OAB do advogado que assina o processo. “Não existe. É falso”, disse.
Em diálogos privados que antecederam o debate nos estúdios da TV Bandeirantes, Dilma e seus operadores atribuíram a aleivosia à campanha de José Serra.
Entre quatro paredes, a candidata petista se disse “indignada”. Para ela, o boato do processo tornou incontornável a inclusão da "baixaria" no rol de temas do debate.
Vem daí a decisão de Dilma de inquirir Serra, já na primeira pergunta, acerca da boataria que viceja no “submundo” virtual.
Como as suspeitas contra Serra não estão escoradas em provas, Dilma evitou mencionar o falso processo. Soou genérica:
“Acredito que uma candidatura à Presidência tem por objetivo engrandecer o Brasil, discutir valores e projetos para o futuro”, disse ela para Serra.
“Sua campanha procura me atingir por meio de calúnias, mentiras e difamações. [...] Seu vice, Índio da Costa, a única coisa que ele faz é criar e organizar grupos, até para me atingir com questões religiosas...”
“[...]...Você considera que essa forma de fazer campanha, que usa o submundo, é correta?”
Serra centrou sua resposta na polêmica sobre o aborto e no ‘Erenicegate’. Disse que Dilma confunde “verdades e reportagens com ataques”.
Um integrante do comitê petista contou ao repórter que, antes do início do debate, chegou aos ouvidos de Dilma outra “informação”.
Segundo ele, um panfleto apócrifo contendo ataques à candidata teria sido distribuído em templos evangélicos do Rio, neste domingo (10).
No folheto, Dilma é associada, de novo, à defesa do aborto. O texto a acusa de ser a favor da “matança de criancinhas”.
Foi por essa razão, informa o operador da campanha petista, que a candidata levou aos holofotes o nome da mulher do antagonista.
“Sua esposa, Mônica Serra, disse o seguinte: ‘A Dilma é a favor da morte de criancinhas’.”
Mônica teria dirigido o comentário a um eleitor, durante caminhada pelas ruas de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense (RJ). Coisa do mês passado.
Serra esquivou-se de responder. Presente à platéia da TV Bandeirantes, Mônica não se deu por aludida. Disse que não sabe do que Dilma está falando.
Ouvido pelo blog, um membro da campanha tucana tachou de “alucinação” a alegada vinculação de Serra ao falso processo que retrata Dilma como lésbica.
Como se vê, a disputa eleitoral de 2010 caminha a passos largos para um lodaçal que não dignifica a atividade política.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Marina no segundo turno


Desde o início venho falando: O Acre é um estado de excessões e o que foi construído aqui com PT, PCdoB e PV, inexiste no restante no Brasil: o sócio-ambientalismo. O PT acreano não é o PT nacional e o PV acreano não é o PV nacional.

Daiene Cardoso / AGÊNCIA ESTADO e Flávia Tavares - O Estado de S.Paulo

Não foi intencional, mas Marina Silva se vestiu ontem de verde, vermelho e azul, cores que representam os três partidos com melhor desempenho no primeiro turno e que tentam se afinar para o segundo. A senadora tenta desde domingo conciliar o compromisso que sustentou com as alianças em torno de seu projeto e o anseio de setores de seu partido, o PV, por uma aliança mais pragmática.
AE
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Apoio. Marina, sobre seu desempenho na eleições: ‘Não tenho direito de ficar frustrada’

Marina passou o dia definindo os dez pontos que apresentaria aos presidenciáveis que a cortejam como suas prioridades de discussão. Depois disso, falou ao Estado de sua surpresa de o aborto ter se tornado um tema tão predominante nesta semana. "No começo, houve uma avalanche de manifestações, criticando minha posição favorável à vida. Agora, estão tendo que se ver com um tema que foi usado para tentar me rotular de conservadora", disse.

Recorrendo a citações religiosas e de seus autores favoritos, Marina chorou ao afirmar que ainda há nela algo do PT. Embargou a voz também ao falar do presidente Lula. "Minha causa me levou a, ao menos temporariamente, me afastar de pessoas que me são muito preciosas." Mais dicas sobre o segundo turno não deu. Antes da despedida, lamentou o fato de Heloísa Helena (PSOL) não ter sido eleita senadora em Alagoas.

A senhora sempre defendeu o segundo turno, mas acabou favorecendo o tucano José Serra. A senhora se sente frustrada?

Nós favorecemos a democracia. Como diria o apóstolo Paulo, o amigo do noivo tem de se sentir tão feliz quanto o noivo. Eu estou feliz que o povo tenha oportunidade de olhar melhor os candidatos. Não tenho o direito de ficar frustrada, enfrentando as circunstâncias e as dificuldades que eu enfrentei, conseguindo 20 milhões de votos dos brasileiros com 1 minuto e 20 de televisão, com uma estrutura pequena, sem coligação, e as pesquisas não conseguindo alcançar meu desempenho.

Agora parece que todos descobriram o fenômeno Marina Silva. A senhora foi subestimada?

Se fui, não foi a primeira vez. Aconteceu em várias oportunidades. Quando entrei na universidade, um professor perguntou quem havia feito supletivo e alertou que esses alunos teriam muita dificuldade em sua matéria. Me preocupei, estudei, e na primeira prova tirei 9,5. Hoje, sinto uma mistura de alegria, humildade e gratidão, como senti na época.

Como a senhora avalia as campanhas até aqui?

Disse desde o começo que não deveríamos orientar a campanha pelo medo, já vencido pela esperança há 8 anos. Em todas as eleições, aparecem fantasmas querendo assombrar o bom desempenho do debate, da opinião. Eu preferi não rotular.

A discussão em torno do aborto é o fantasma da vez?

A imprensa manifestou um interesse grande nesse tema em relação a mim. E não é somente uma questão religiosa. É um tema complexo, que tem de ser tratado sem satanização de nenhum dos lados. Sempre me pronunciei contrária ao aborto. Me esforcei para fazer esse debate num nível adequado, não como nos Estados Unidos. Quero debater como preservar a vida em todos os sentidos, inclusive a das mulheres que são ameaçadas pelas práticas inadequadas do aborto, as sequelas físicas, emocionais. Precisamos discutir o mérito da questão.

Os candidatos estão discutindo esse mérito?

Não sei quem pautou essa questão agora. Quem pautou essa discussão? No meu caso, foi por que eu sou evangélica? Por que os candidatos católicos nunca foram tão cobrados? Havia algum interesse de que isso me causasse um incômodo? Respondi bem e nunca devolvi de maneira preconceituosa para quem pensava diferente de mim. No começo, houve um exagero ao contrário. É engraçado, lembra a música do Geraldo Vandré, em que ele diz "é a volta do cipó de arueira, no lombo de quem mandou dar".

Como assim?

Houve uma avalanche de manifestações na internet, criticando a minha posição favorável à vida, contrária à descriminalização da maconha. E o povo conseguiu atravessar isso com serenidade. Eu identificava essas queimações dos aliados dos dois lados. E agora eles estão tendo que se ver com um tema que foi usado para tentar me rotular de conservadora. Outros me disseram que talvez eu não fosse tão convertida assim. Vou tentar contribuir para que a discussão seja madura.

Os analistas e os críticos quebram a cabeça agora para entender o eleitor de Marina. Quem são os "marineiros"?

Os marineiros são uma esfinge. São uma esfinge para as visões pré-estabelecidas, para a dicotomia direita e esquerda. Eles estão dizendo: "Decifrem-nos ou vamos devorar essas velhas concepções." Esse movimento criou pelo menos o embrião de uma terceira via. Estávamos diante de um processo puramente plebiscitário e a democracia não sobrevive a isso. No plebiscito pode tudo, pode um candidato se apresentar sem programa de governo, o outro lado se apresenta com várias versões de programa e só legitimando as coisas boas, sem menção às negativas.

A senhora manteve sua aliança com o PT no Acre e alegou que foi por ter feito parte do projeto político no Estado. Vai manter a coerência com sua história, já que ajudou a construir o PT?

No Acre, minha história não é só de relações pessoais. É de um projeto político que integrou ao longo de 12 anos a sustentabilidade. Eu não saí do PT por causa do PT do Acre. Saí por causa do PT nacional, que não foi capaz de entender a sustentabilidade como um tema estratégico. O partido para mim não é um fim, é um meio.

A senhora já disse que Dilma e Serra eram iguais, "gerentões". Não seria contraditório apoiar agora um ou outro?

Eles têm um perfil gerencial incontestável. O segundo turno é uma possibilidade para compreender o sinal que a sociedade mandou, de que a questão da sustentabilidade é importante.

O que a senhora sente quando ouve agora Dilma e Serra se dizendo "ambientalistas desde criancinha"?

Espero que seja um esforço sincero. Não posso julgar se é sincero. Vou esperar o processo. O povo tem uma inteligência incrível, uma sensibilidade fina, as pessoas sabem o que é apenas declaratório.

O que pretende fazer com os eleitores que conquistou?

Pretendo estar junto com eles. Só isso. Cada um cumprindo seu papel. Neste momento, fui arco e flecha. Me dizem que eu tive os votos dos desiludidos. Prefiro acreditar que eu tive o voto dos que se reencataram com a política. É um amadurecimento, não existe essa coisa de um líder messiânico, é alguém que se coloca na perspectiva de fazer com as pessoas, não para elas.

Sua foto estará na urna em 2014?

Não podemos ficar pensando no lance lá na frente. É bom jogar as sementes na terra e esperar que elas brotem. Eu não sou a única, quero que haja uma terra fértil com muitas sementes nessa terceira via que começa a nascer.

Como foi ter pela primeira vez um palanque sem Lula a seu lado?

Dei uma entrevista a uma revista, em que disse que era a primeira vez em uma eleição presidencial que eu não votaria no Lula. É a história, é a vida, são os processos. Tem um livro chamado Filho Pródigo, de um padre polonês, e em um trecho ele diz: "Para onde me levou minha causa?" Minha causa me levou, ao menos temporariamente, a me afastar de pessoas que me são muito preciosas. Mas é o que acontece quando se tem uma causa ou quando a causa te tem.

Ainda existe algo de PT na senhora?

Quando saí do PT e me filiei ao PV, consegui uma metáfora, funciono por metáforas. Tinha carinho pelo PV por causa do Chico Mendes. Na manhã da filiação, chorei muito no hotel. Metade de mim estava alegre, metade, triste. Até que eu consegui a metáfora, que foi a frase do Guimarães Rosa, no conto Nenhum, Nenhuma: "Será que você, um dia quando a gente se separar, sem querer, sem saber, seria capaz de continuar gostando de mim, e gostando, e gostando? Como é que a gente sabe?". (chorando) E eu descobri que, mesmo depois dessa separação, sem querer, sem saber, eu ia continuar gostando e gostando. Fui para a convenção feliz. Feliz com o PV também. O PT vai continuar dentro de mim, como o PV sempre esteve dentro de mim.

Já conversou com o Guilherme Leal sobre como vai continuar a relação de vocês?

Agora estamos focados no segundo turno. Faço parte do instituto e vou continuar viajando junto com as pessoas que fazem parte desse projeto. Antes, eu percorria o País no mandato de senadora e no ministério. Agora, não tenho a estrutura de fazer isso institucionalmente, mas é a minha militância social.

O presidente Lula disputou três eleições e só foi eleito na quarta. A senhora se considera uma pessoa persistente?

Sou persistente em muitas frentes. Sou persistente para estudar, para militar na sociedade, para começar tudo de novo e para continuar na militância política-partidária institucional. E claro, organizar um pouco a minha vida e este ano espero que seja um ano de mais reflexão, estudo, descanso.

A senhora acha que no inconsciente dos eleitores está a ligação entre as trajetórias da senhora e do presidente Lula?

As pessoas olham para quem eu chamo de "liderar pelo exemplo". Cada vez mais a sociedade e a humanidade vai exigir um liderar pelo exemplo. Estamos saturados do excesso de fala, as pessoas estão olhando também suas atitudes.

A senhora tem mágoa do presidente Lula?

Não tenho mágoa de ninguém. Eu saí pela porta da frente e com a clareza de que estava dando uma contribuição à Amazônia. Quem tem mágoa não faz questão de colocar os 16 anos para citar esses dois homens (Lula e Fernando Henrique) como eu fiz.

Nasceu em Breu Velho, no Acre, em 1958. Foi alfabetizada apenas aos 16 anos. Graduada em História, ajudou a fundar o PT. Foi vereadora em Rio Branco (1988/1990), deputada estadual (1990/1994), senadora por dois mandatos (1995/2010). Em 2008, após cinco anos, deixou o Ministério do Meio Ambiente do governo Lula. No ano seguinte, filiou-se ao PV e este ano foi candidata à Presidência

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Sem Papas na Língua


Sem poupar nem ao próprio PT, Ciro Gomes faz uma análise da campanha de Dilma no primeiro turno. Confira a entrevista.


Por: João Peres, Rede Brasil Atual

Brasília – Ciro Gomes está de volta à vida eleitoral? Difícil dizer. O deputado federal assegura que será um cabo eleitoral de Dilma Rousseff na disputa do segundo turno, mas evita entrar em detalhes.

Em se tratando do ex-ministro da Integração Nacional, a única certeza é de que surpresas não são exceção. Em entrevista à Rede Brasil Atual, Gomes garante que não guarda nenhum ressentimento de ter sido preterido pelo presidente Lula na disputa ao Planalto, mas admite ter sentido uma grande tristeza que, garante, já passou.

O deputado, que ficou uma temporada fora do país para curar as mágoas, esteve nesta segunda-feira (4) na reunião que reuniu parte importante da base aliada ao governo na discussão dos rumos da campanha do segundo turno. O ex-ministro mostrou que há uma característica sua que não muda: a língua afiada.

Confira a entrevista:

Qual será seu papel no segundo turno na campanha de Dilma?

Sou cabo eleitoral no Ceará.

E no resto do Brasil? O senhor é uma personalidade de projeção nacional.

Estou 100% à disposição para participar desse debate porque o Brasil está acima de tudo. Todo mundo sabe que fiquei muito triste por ver frustrada minha justa intenção de participar desse debate, mas para mim está tudo superado e o mais importante é ajudar o povo brasileiro a ver com serenidade qual o melhor caminho para o país. E estou seguro que o melhor caminho é a Dilma.

Dilma deixou muito marcado o tom de comparação entre os dois governos (FHC e Lula). E que agora é hora de enfatizar essa comparação. É esse o caminho?

Esse é um dos caminhos, mas é preciso também compreender porque 20% dos brasileiros, tudo gente boa, da melhor intenção, tudo gente progressista, trabalhadora, amada, porque não veio conosco no primeiro turno. Por que foi com a Marina? O que a Marina interpretou? Acho que uma certa frouxidão do PSDB acabou sendo replicada por certa frouxidão do PT, e tem uma parte de nós, brasileiros, que não gostamos dessa frouxidão.

Sei disso porque uma parte dessas pessoas já votou comigo em outras ocasiões. É classe média, estudante, jovens, gente preocupada com alguma intransigência. Não é de intolerância que estou falando, mas de intransigência em matéria de comportamento político.

Uma das questões que se tocou aqui é sobre quanto os boatos espalhados na reta final tiraram votos de Dilma. Esses boatos, ao serem disseminados por parte da imprensa, foram importantes nisso?

Perifericamente. Boato só prospera onde há perplexidades, vácuos, vazios. Como essa questão do aborto. É complexa, é delicada. Interagem com esse assunto questões religiosas, questões morais, éticas, sanitárias, emocionais, psicológicas. Questões terríveis.

E os políticos, por regra, detêm um oportunismo muito rasteiro a respeito deste assunto. Acho que esse é o vácuo. Quando você tem um vácuo e não tem clareza, o boato acaba prosperando mais do que devia.

E, claro, há o papel de uma parte da imprensa brasileira. E isso não é novidade, não temos que nos assustar com isso. Quem se enganou foi quem imaginou que haveria essa cordialidade que eu sempre soube que não haveria. Uma parte da imprensa brasileira tem preferência, o que é legítimo.

Apenas deveríamos ajudar o eleitor brasileiro a saber que a Veja é reacionária. É direito do povo brasileiro saber que a Veja é reacionária. A Veja deve existir, deve fazer o que bem entender. Se passar da conta, temos um sistema democrático que garante reparos no Judiciário, mas nada de ir contra a imprensa. A imprensa é sagrada para nós, democratas.

A Veja passou da conta no primeiro turno?

A Veja? A Veja passa da conta. Vive a serviço do que há de mais espúrio na sociedade brasileira. É isso que a gente deve explicar para as pessoas. Que a Veja tenha longa vida, mas que todos fiquem sabendo que a Veja não é uma observadora neutra da vida brasileira: ela está a serviço dos interesses internacionais, da privataria, da escória brasileira. Isso sempre foi. Desde que a turma de melhor nível saiu, virou isso (referindo-se a jornalistas mais antigos). Um instrumento de achaque.

Para a campanha de Dilma, como é melhor lidar com essa contra-informação?

Falar com o povo. Sincera e humildemente. Falar com o povo. Enfrentar. Isso sou eu que estou falando. Essa cordialidade só ajuda àquelas pessoas que têm as ferramentas clandestinas de mentir contra a vontade popular.

Resta algum ressentimento por ter sido preterido nessa disputa?

Não. Não tive ressentimento em momento algum. Tive muita tristeza, que é mais amargo do que ressentimento. Mas já passou. Postado por TERROR DO NORDESTE às
Do Blog O TERROR DO NORDESTE

Quem de fato exerce a censura em nosso país?


Enquanto Globo, Estadão, Folha e Veja "denunciam" a "volta da censura", este blog mostra que a censura na verdade nunca acabou, mas é exercida pelos proprios donos da imprensa, que não dão liberdade de expressão aos seus próprios profissionais. E continua na mídia a campanha de desinformação contra a proposta da FENAJ (e não do PT) de controle social sobre a mídia.

O texto em questão pode ser encontrado neste memso blog com o título "Voto Consciente" . segue abaixo o link sobre a demissão da jornalista pelo Estadão.

http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/guerra-santa-estadao-demite-maria-rita-kehl

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Juruá é o fiel da balança na eleição de Tião Viana



Leandro Altheman

O voto do vale do Juruá, tradicionalmente apontado como mais conservador, foi o fiel da balança que possibilitou a vitória de Tião Viana (PT) ainda no primeiro turno. O resultado merece uma análise aprofundada principalmente pela FPA, pois praticamente quitou do PT a liderança na capital Rio Branco, reduto mais forte do PT.

A votação expressiva obtida pelo cruzeirense Gladson Cameli (PP) para deputado federal é uma demonstração do peso do seu grupo político, que poderia ter feito a balança pender para outro lado. Ironicamente, um dos grandes articuladores da entrada do PP, na Frente Popular, Edvaldo Magalhães (PCdoB), não obteve a aprovação necessária nas urnas para o mandato de senador. Perdem o Juruá, que desde Aluísio Bezerra não tem um senador “nativo” e perde também o projeto de integração com o Peru via juruá -Ucayalli, que fica praticamente órfão. Decisões populares, que como o próprio Juruá, seguem caminhos sinuosos. Caminhos que devem respeitados, e apreciados por quem quer navegar na política.

Um outro prognóstico possível é de que deve aumentar a participação do vale do Juruá nas decisões do próximo governo. No campo adversário, a votação obtida por Antonia Sales (PMDB), mostra que o fator Juruá terá sempre que ser levado em conta na hora da contabilidade política. Em tese, Antonia Sales poderia ter sido a maior prejudicada pelo alto índice de abstenção da zona rural, mesmo assim, foi campeã de votos. Motivada pelas fortes chuvas, esta abstenção ficou na casa dos 34%, ou seja, mais de um terço dos eleitores da 4ª zona não votaram no dia 3 de outubro. Com isso perde também a representatividade do Juruá na ALEAC e mais ainda a zona rural, tão carente de representantes.

Na ALEAC o Juruá mantém ainda o nome de Maria Antonia (PP) e perde quatro nomes. Edvaldo Magalhães (candidato derrotado ao senado pelo PCdoB), Idalina Onofre (PPS), e Luís Gonzaga (PSDB), não obtiveram o sufrágio necessário.O deputado estadual Thaumaturgo Lima (PT), também do Juruá, deve obter uma vaga na Câmara Federal.

"Voto Consciente"


Garimpei este texto na Internet, que achei muito relevante. afinal de contas temnho recebido muitos emails de correntes que desqualificam o voto em Dilma, por achar que ele é tão somente reultado do 'bolsa -família'. vale a pena dar uma olhada.


Maria Rita Kehl - O Estado de S.Paulo

Este jornal teve uma atitude que considero digna:
explicitou aos leitores que apoia o candidato Serra na presente eleição.
Fica assim mais honesta a discussão que se faz em suas páginas. O
debate eleitoral que nos conduzirá às urnas amanhã está acirrado.
Eleitores se declaram exaustos e desiludidos com o vale-tudo que marcou a
disputa pela Presidência da República. As campanhas, transformadas em
espetáculo televisivo, não convencem mais ninguém. Apesar disso, alguma
coisa importante está em jogo este ano. Parece até que temos luta de
classes no Brasil: esta que muitos acreditam ter sido soterrada pelos
últimos tijolos do Muro de Berlim. Na TV a briga é maquiada, mas na
internet o jogo é duro.

Se o povão das chamadas classes D e E - os que vivem nos grotões
perdidos do interior do Brasil - tivesse acesso à internet, talvez se
revoltasse contra as inúmeras correntes de mensagens que desqualificam
seus votos. O argumento já é familiar ao leitor: os votos dos pobres a
favor da continuidade das políticas sociais implantadas durante oito
anos de governo Lula não valem tanto quanto os nossos. Não são expressão
consciente de vontade política. Teriam sido comprados ao preço do que
parte da oposição chama de bolsa-esmola.

Uma dessas correntes chegou à minha caixa postal vinda de diversos
destinatários. Reproduzia a denúncia feita por "uma prima" do autor,
residente em Fortaleza. A denunciante, indignada com a indolência dos
trabalhadores não qualificados de sua cidade, queixava-se de que ninguém
mais queria ocupar a vaga de porteiro do prédio onde mora. Os
candidatos naturais ao emprego preferiam viver na moleza, com o dinheiro
da Bolsa-Família. Ora, essa. A que ponto chegamos. Não se fazem mais
pés de chinelo como antigamente. Onde foram parar os verdadeiros
humildes de quem o patronato cordial tanto gostava, capazes de trabalhar
bem mais que as oito horas regulamentares por uma miséria? Sim, porque é
curioso que ninguém tenha questionado o valor do salário oferecido pelo
condomínio da capital cearense. A troca do emprego pela Bolsa-Família
só seria vantajosa para os supostos espertalhões, preguiçosos e
aproveitadores se o salário oferecido fosse inconstitucional: mais baixo
do que metade do mínimo. R$ 200 é o valor máximo a que chega a soma de
todos os benefícios do governo para quem tem mais de três filhos, com a
condição de mantê-los na escola.

Outra denúncia indignada que corre pela internet é a de que na cidade
do interior do Piauí onde vivem os parentes da empregada de algum
paulistano, todos os moradores vivem do dinheiro dos programas do
governo. Se for verdade, é estarrecedor imaginar do que viviam antes
disso. Passava-se fome, na certa, como no assustador Garapa, filme de
José Padilha. Passava-se fome todos os dias. Continuam pobres as
famílias abaixo da classe C que hoje recebem a bolsa, somada ao
dinheirinho de alguma aposentadoria. Só que agora comem. Alguns já
conseguem até produzir e vender para outros que também começaram a
comprar o que comer. O economista Paul Singer informa que, nas cidades
pequenas, essa pouca entrada de dinheiro tem um efeito surpreendente
sobre a economia local. A Bolsa-Família, acreditem se quiserem,
proporciona as condições de consumo capazes de gerar empregos. O voto da
turma da "esmolinha" é político e revela consciência de classe
recém-adquirida.

O Brasil mudou nesse ponto. Mas ao contrário do que pensam os
indignados da internet, mudou para melhor. Se até pouco tempo alguns
empregadores costumavam contratar, por menos de um salário mínimo,
pessoas sem alternativa de trabalho e sem consciência de seus direitos,
hoje não é tão fácil encontrar quem aceite trabalhar nessas condições.
Vale mais tentar a vida a partir da Bolsa-Família, que apesar de
modesta, reduziu de 12% para 4,8% a faixa de população em estado de
pobreza extrema. Será que o leitor paulistano tem ideia de quanto é
preciso ser pobre, para sair dessa faixa por uma diferença de R$ 200?
Quando o Estado começa a garantir alguns direitos mínimos à população,
esta se politiza e passa a exigir que eles sejam cumpridos. Um amigo
chamou esse efeito de "acumulação primitiva de democracia".

Mas parece que o voto dessa gente ainda desperta o argumento de que
os brasileiros, como na inesquecível observação de Pelé, não estão
preparados para votar. Nem todos, é claro. Depois do segundo turno de
2006, o sociólogo Hélio Jaguaribe escreveu que os 60% de brasileiros que
votaram em Lula teriam levado em conta apenas seus próprios interesses,
enquanto os outros 40% de supostos eleitores instruídos pensavam nos
interesses do País. Jaguaribe só não explicou como foi possível que o
Brasil, dirigido pela elite instruída que se preocupava com os
interesses de todos, tenha chegado ao terceiro milênio contando com 60%
de sua população tão inculta a ponto de seu voto ser desqualificado como
pouco republicano.

Agora que os mais pobres conseguiram levantar a cabeça acima da linha
da mendicância e da dependência das relações de favor que sempre
caracterizaram as políticas locais pelo interior do País, dizem que
votar em causa própria não vale. Quando, pela primeira vez, os
sem-cidadania conquistaram direitos mínimos que desejam preservar pela
via democrática, parte dos cidadãos que se consideram classe A vem a
público desqualificar a seriedade de seus votos.