terça-feira, 21 de fevereiro de 2012
O Carnaval além do porre e da porra
segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012
Mais fotos (atualizadas) da cheia do Rio Acre


As fotos foram tiradas na tarde desta segunda-feira quando o rio Acre estava, na medição da regua no bairro 6 de agosto, com 17,33 cms.

O recorde ainda permanece com a cheia de 1997, quando o rio chegou a 17,67 cms. Na década de 50, quando ainda não havia medição, o rio Acre chegou às portas do Palácio Rio Branco e permanece, na memória da população com a maior cheia da historia do rio Acre.

Segundo o comandante da Defesa Civil, Coronel Gilvan Vasconcelos, o rio ainda estava subindo cerca de 3 cms/hora. Em Brasiléia e Xapuri o rio continua subindo, mas em Assis Brasil, já dá sinais de vazante.
Pescaria: ao fundo imagem do grafiteiro Thiago Tosh, índio pescando.
Juvenal Antunes já molhou as meias, e eu as minhas, para fazer esta imagem.
domingo, 19 de fevereiro de 2012
Fotos da Alagação do rio Acre


Passeio no calçadão da gameleira.
É só uma marolinha!
Passeio de Bicicleta
Equipes do DERACRE trabalhando na retirada dos balseiros sob a ponte do rio Acre
Ruas do Centro

Davi X Golias
Triste Fim do Cine João Paulo

Ao que parece, as duas salas de exibição do Cine João Paulo não suportaram a concorrência dos cinemas no Shoping Via Verde, mais modernos e em 3D.
Em São Paulo, os cinemas em shoping centers, mais seguros e com mais serviços agregados, ocasionaram o fechamento de muitos cinemas no centro, na avenida paulista e principalmente nos bairros (estes literalmente extingiram-se). A maioria tornaram-se Bingos ou Igrejas Evangélicas.
Uma parte menor passou a exibir filmes fora do circuito comercial e obtiveram relativo grau de sucesso.
De qualquer maneira, não deixa de ser lamentável para a população que agora não terá outra alternativa senão ir ao shoping para assitir filmes. Execessão dos fimes culturais exibidos no Cine Recreio, que atraem um público menor e mais específico.
quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012
Dançarino das Teias da Realidade
Ato 1 - Kêne
Estou na aldeia Nova Esperança no Alto Rio Gregório. Encontro com meu velho pajé Yawá.
- E aí, meu amigo, quanto tempo !
- Pois é Yawá, quase dois anos!
- E qual é a novidade?
- A novidade é que eu me separei.
- Graças a Deus! Diz ele, erguendo as mãos aos céus.
Neste momento eu penso que ou ele não entendeu o que eu disse, ou em sua sabedoria de Pajé, achou melhor que fosse assim.
- Eu também me separei. Minha mulher era querendo mandar em mim o tempo todo... eu sou marido dela, não sou filho...
É, ele entendeu mesmo.
***
Estamos reunidos à noite para a rodada de Uni (ayahuasca).
Tomo a minha dose, encostado na parede vejo o poço fundo em que minha alma se meteu. Escuridão. Vontade de desistir de tudo, ou pelo menos, de esperar a força baixar, tomar um copo de leite e ir dormir. Afinal quem é que precisa do mundo espiritual para viver?
Havia um peso sobre minhas costas. Em meu coração, um desejo de afundar de novo na angústia, na solidão, no medo, ansiedade e depressão. Velhos conhecidos. Poderia dormir e acordar com eles. Sem graça, nem mistério. Seguro apenas de que seguindo com eles veria sempre as mesmas paisagens. Mesmo no fundo daquele poço, contemplei de longe uma figura. Não sei se era um anjo com suas asas abertas ou um índio com o seu cocar. Sua presença emanava paz e alegria, força e jovialidade. Eu queria estar na sua presença.
Lembro-me das palavras de Yawá durante o samakei.
- Você pede assim: -Estrela que eu te vi um dia, me dá aquela esperança.
E foi assim, reconhecendo em mim não o herói que atravessa montanhas de motocicleta, nem o santo que aspira à perfeição, mas tão somente ao homem que deseja ser feliz, que a vi novamente: a estrela.
Os olhos de shavorã estavam de novo sobre mim, como sempre estiveram . Só aguardando que eu erguesse minha face para contemplá-los novamente.
Fui subindo e de repente aquele peso todo havia ficado para trás. Estava diante do anjo, ou índio que cantava sem parar. De sua boca jorravam kenês que tomavam forma e cor e preenchiam o espaço do lugar.
Os primeiros kenês desceram como folhas de outono ao sabor do vento. Eram vermelhos, laranjas e amarelos. Forraram o chão onde estavam os nossos pés.
Depois vieram outros que nasciam de cima para baixo, como penas multicoloridas formando conjuntos brilhantes e vivos sobre nossas cabeças. Eram amarelos, verdes e azuis.
Em seguida vieram as jibóias, dançando como ás águas dos rios e destes, desdobravam-se outros kenês que saíam de suas bocas como ideogramas. Eram verde-escuros, beges, negros e marrons.
Por último, desenrolaram-se por todo o ambiente Kenês que eram brancos, prata e vermelhos. Lembravam linotipos de uma gráfica que silenciosamente, imprimia no próprio ar pergaminhos que se desenrolavam sobre nós em uma velocidade estonteante. Foi como se toda a Biblioteca de Alexandria ganhasse vida e todos os seus papiros resolvessem abrir-se diante de nós.
Neste momento, vi que neste caminho, a humildade não é um enfeite que se ostenta a fim se demonstrar humanidade, mas artigo indispensável no kit de sobrevivência na selva do conhecimento.
***
* Dançarinos das Teias da Realidade é um pequeno ensaio em quatro atos, da qual o presente ato é o primeiro.Ilustrações: 1- Arte em cestaria indígena traduz o conceito proposto pelo filósofo Immanuel Kant de que a geometria é inata ao ser humana. Hhipótese comprovada a partir de estudos antropológicos com crianças do povo Munducuru na Amazônia Brasileira .
2-Desenho do artista plástico e xamã ayahuasqueiro pucalpino Pablo Amaringo. Extraído de texto do escritor e deputado estadual Moisés Diniz (PCdoB), em resposta ao artigo difamatório produzido pela revista Veja por ocasião da morte do cartunista Glauco Vilas Boas.
3- Pintura de Loyver Yui López, 2007. Citado no artigo "Beleza" da antropóloga Luiza Belaunde, também sobre o significado do Kenê.
terça-feira, 14 de fevereiro de 2012
A Renovacao da Fe

Acabo de retonar do terreiro sagrado Yawanawa, onde 7 pessoas estao sob dieta, ou na linguagem yawanawa, samakei.
O local especifico para formacao de novas liderancas espirituais do povo yawanawa fica distante cerca de tres horas de viagem da aldeia. A escolha do local nao eh aleatoria. As pequenas casas onde os futuros lideres espirituais recebem instrucao foram construidas ao redor do cemiterio dos ancestrais. Local destinado aquele que alcancaram determinada graduacao dentro da cultura yawanawa.
Com a formacao de novas liderancas espirituais, dentro da cultura e tradicao de seus ancestrais, renova-se a fe de todo um povo.
Na decada de 60, a chegada dos missionarios protestantes resultou na satanizacao de seus costumes e tradicoes. Por duas geracoes estes conhecimentos nao foram retransmitidos aos mais jovens.
O assunto ja foi pauta da Revista Rolling Stone (leia aqui)
A partir da decada de 80, os missionarios foram expulsos da terra indigena. Apenas dois anciaos restaram da antiga linhagem dos shuintya, guardando em segredo seus conhecimentos, como foras-da-lei em sua propria terra.
A partir do ano 2000, uma nova geracao passou a buscar estes conhecimentos e com ele o resgate da lingua, dos cantos, das pinturas corporais, das oracoese principalmente da sua propria fe.
" Temos que reverenciar ao Criador, do modo que ele nos criou, e ele nos criou assim, com nossos costumes, com nosso genipapo, nosso urucum, dancando de bracos dados no terreiro, cantando a natureza. "Nixiwaca (cacique Biraci Brasil)
segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012
Aldeia Nova Esperanca, rio Gregorio

Faco esta postagem diretamente da Escola Iuva Stiho, Aldeia Nova Esperanca, Terra Indigena Yawanawa, rio Gregorio.
Foram dez horas de subida do rio. Felizmente sem nenhuma chuva, mas o sol escaldante e o vento queimaram minhas pernas sem que eu me desse conta.
Fora do festival, a rotina aqui e outra. Nao ha festa, somente raya - trabalho.
Os Yawanawa esao envolvidos em um grande mutirao de limpeza e rocagem da aldeia. Todos, em especial os mais jovens estao desde cedo no batente.
Nao ha plantio de roca por este tempo, mas ainda ha muita macaxeira do ano passado e os bananais tambem fornecem boa alimentacao. Mais acima, cerca de tres horas de barco esta ocorendo o plantio de rau - medicinas ou ni pui - folhas nativas de uso medicinal ou aromatico.
Os cacadores estao empenhados em correger os rastros de animais maiores como antas e veados.
A escola ainda esta de ferias, as aulas devem recomecar no dia 5 de marco.
Ha uma infestacao constante de piuns , o que nos obriga a andarmos com calcas e camisas de manga comprida.
Pela noite, os jovens cantam as musicas tradicionais do povo, em uma releitura pop com violao.
Quem espera ver os yawanawa como um povo ¨puro¨ ou intocado, tera uma grande surpresa. Eles adaptam-se rapidamente a nossa cultura. Manejam habilmente os barcos com motores que eles mesmo consertam. Debatem a politica nacional e internacional e reconhecem como a importancia do diferencial de sua cultura em um mundo cada vez mais de iguais. Um grupo esta agora em isolamento, aprendndo os fundamentos de sua cultura e espiritualidade. Estes serao os responsaveis pela continuacao e reproducao da cultura yawanawa.
Haux!
PS: Nao decifrei a acentuacao e pontuacao deste teclado.
quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012
BR 364 : Trafegável mas Perigosa
A BR está superando minhas expectativas em termos de periculosidade. Mesmo motoristas experientes têm se acidentado ao longo da estrada.
Em alguns trechos são muitos buracos (alguns dos quais, verdadeiras crateras).
Há máquinas e homens trabalhando em obras de recuperação, mas a erosão do solo no período de chuvas parece agir mais depressa do que as equipes.
Há trechos também em que a erosão do solo está literalmente acabando com a pista.
Mas não são estes os trechos mais perigosos. Presenciei dois acidentes apenas no trecho entre Sena Madureira e a entrada de Manoel Urbano.
No primeiro deles uma Hilux branca capotou devido à aquaplanagem. Para quem não sabe, os primeiros minutos de chuva são os mais perigosos pois a poeira misturada à agua cria uma perigosa superfície deslizante.
O motorista, prestador de serviço do DERACRE e motorista acostumado no trecho perdeu o controle do veículo e capotou. Perda total do veículo, os ocupantes tiveram ferimentos leves.
O segundo veículo, uma Hilux prata, chocou-se contra o barranco. O motorista perdeu o controle no momento em que saiu do asfalto e entrou em uma área de muitos buracos, onde há apenas a imprimação.Uma das ocupantes do veículo fraturou o braço e teve de ser levada ao hospital de Feijó.
***Não custa reforçar o alerta de que a BR 364, sem sinalização e com trechos bons e ruins está realmente muito perigosa. Todo cuidado é pouco.
quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012
Deputado se irrita ao ser questionado sobre cocaína de suposto assessor
Os seguranças da ALEAC receberam ordem de retirar a jornalista do âmbito da área reservada à imprensa.
A Mesa Diretora negou que Ângela Rodrigues esteja proibida de frequentar a área destinada aos jornalistas na ALEAC. À excessão do jornalista Ray Melo do site Ac 24 horas que escreveu a matéria, silenciou-se diante do ocorrido que permanece publicado, até o momento, apenas no site Jurua On Line. (veja a matéria sobre a expulsão da jornalista aqui).
Conversei por telefone com a jornalista Ângela Rodrigues. Ela foi orientada a deixar o "assunto esfriar" e recebeu uma promessa de que poderá retornar à Casa Legislativa após o carnaval. Caso isto não ocorra, Ângela pretende buscar os seus direitos, pois entende que além da censura, está sofrendo também, assédio moral.
O presidente da ALEAC Elson Santiago declarou que a jornalista "errou" e que deveria pedir "perdão' ao deputado, mas negou-se a dizer qual teria sido o erro. Elson Santiago afirmou que ângela continuará tendo livre acesso à ALEAC.
Colegas de Ângela presentes na ALEAC afirmam que a mesma teria levantado o note book com escrito em letras garrafais: E a Cocaína? e que este teria sido o motivo da irritação do deputado.
Segundo a asessoria da assembléia, não existe nenhuma pessoa com o nome de Marcelo da Silva Neves com vínculo com a ALEAC.
terça-feira, 7 de fevereiro de 2012
As Cores da Terra
Qual é a cor da terra?
Dependendo de onde se viva as respostas normalmente variam entre o vermelho e o marrom ou preto. No entanto, Alice Haibara já conseguiu coletar mais de 26 cores diferentes de terra que utiliza em pinturas em tela e pano.

Alice herdou esta técnica de sua avó, Helena que até hoje é conhecida no meio artístico com a charmosa alcunha de “Helena Terra”.
“Minha avó pintava em larga escala e vendia suas peças na Praça da República em São Paulo (região de comércio de artes em São Paulo). Ela acabou tendo problemas alérgicos devido à toxina das tintas artificiais. Para continuar pintando, ela foi desenvolvendo esta técnica com pigmentos naturais, em especial, a terra”.

Além dos óbvios tons avermelhados e alaranjados, alguns solos apresentam tons acinzentados, azulados e esverdeados, que Alice também utiliza em sua pintura.

Em visita ao Acre, Alice já se aventura pelos rios, aldeias e seringais da região. O olhar, sempre atento nos barrancos, nas tonalidades que a terra acreana possa oferecer.
Além do material, a artista busca no Acre também inspiração para novos trabalhos. Temas sugeridos pela natureza exuberante da região e o contato com o grafismo indígena já começam a aparecer em suas telas.
Para Alice, a pintura com a terra tem uma certa magia e sugere propriedades terapêuticas presentes na terra. “Enquanto as tintas artificiais exigem um cuidado muito grande para serem manuseadas, a terra permite a gente brincar com ela. E como a terra têm a propriedade receptora, ela é muito boa para acalmar e canalizar a criatividade. Já tive experiências muito positivas trabalhando com crianças agitadas.”Em tempos em que se busca resgatar o feminino sagrado e o valor espiritual da terra, Alice Haibara, nos mostra, literalmente, um outro olhar sobre a terra.
(Assista ao Vídeo)
Veja quanta Mentira
Uma simples postagem no face que deu o que falar. Sempre um debate produtivo e generoso com quem se dispõe a dialogar e expôr suas opiniões.O fato é que muitos leitores se identificam com a linha editorial (e portanto ideológica) da Revista Veja. Não é o meu caso. Mas tudo bem, é importante que em um sistema democrático exista sim o contraditório. O que tenho dito, contudo, é que a Revista Veja tem passado dos limites para defender o seu ponto de vista.
Então Vejamos antes algumas ponderações:
- Não se pode olvidar o importante papel que a Revista Veja, teve por exemplo nas denúncias contra Collor de Melo. Foi a Veja e não a Globo, como muitos acreditam, que realmente foi o porta voz da insatisfação popular contra Fernando Collor de Melo. Papel que a história não poderá negar.
- A Revista Veja não deixou de divulgar denúncias que atingiram em cheio o governo FHC, cumprindo portanto o seu papel de informar, mesmo sendo a sua linha editorial de apoio à FHC.
(O que a Revista Caros Amigos também faz em relação ao governo do PT).
- A partir do final do segundo mandato de FHC a Revista Veja, foi de modo cada vez mais evidente, tomando partido e deixando de ser um veículo de informação para cumprir o papel de propaganda política.
Passando dos Limites
No entanto, eu digo que um instrumento de comunicação, ou mesmo de propaganda, que seja, passa dos limites quando inventa depoimentos e personagens. Há pelo menos dois casos que vieram a público.
1º - O Depoimento Inventado de Eduardo Viveiros de Castro
O primeiro deles foi o depoimento inventado do antropólogo brasileiro Eduardo Viveiros de Castro:
"Não basta dizer que é índio para se transformar em um deles. Só é índio quem nasce, cresce e vive num ambiente de cultura indígena original".
Eduardo Viveiros de Castro jamais disse a frase entre aspas. Uma clara tentativa de colocar na boca de uma autoridade do assunto a sua propria opinião. Isto que eu chamo de passar dos limites.
Veja, ou melhor leia o que diz o cientista social Celso Rocha de Barros, autor do blog Na Prática a Teoria é Outra (declaradamente não-marxista).
"É óbvio que o que a Veja está tentando fazer o Viveiros de Castro dizer é que só é índio quem ficou lá pelado comendo mandioca, e, eventualmente, outros índios, no mesmo lugar da mata a vida inteira, até morrer de varíola por volta de 1600.
Nem se vocês enfiarem o Reinaldo Azevedo no cu do cadáver fresco do Lévi-Strauss você vai conseguir fazer essa idéia sair de dentro de um antropólogo. Com muita boa vontade, e, repito, eu não acredito no que vou dizer agora, é só for the sake of argument, esse critério pode corresponder a um dos que o EVC oferece (como suficiente, mas não necessário): o cara estar lá no território ancestral."
Segue a carta de Eduardo Viveiros de Castro
Ao Editores da revista Veja:
Na matéria “A farra da antropologia oportunista” (Veja ano 43 nº 18, de 05/05/2010), seus autores colocam em minha boca a seguinte afirmação: “Não basta dizer que é índio para se transformar em um deles. Só é índio quem nasce, cresce e vive num ambiente cultural original” . Gostaria de saber quando e a quem eu disse isso, uma vez que (1) nunca tive qualquer espécie de contato com os responsáveis pela matéria; (2) não pronunciei em qualquer ocasião, ou publiquei em qualquer veículo, reflexão tão grotesca, no conteúdo como na forma. Na verdade, a frase a mim mentirosamente atribuída contradiz o espírito de todas declarações que já tive ocasião de fazer sobre o tema. Assim sendo, cabe perguntar o que mais existiria de “montado” ou de simplesmente inventado na matéria. A qual, se me permitem a opinião, achei repugnante.
Grato pela atenção,
Eduardo Viveiros de Castro
Houve ainda uma réplica da Veja e uma tréplica do Antropológo. Mas o fato é que a frase nunca foi dita.
Extraído do seu blog:
" A convocação mais entusiasmada para o ato está na página de Rafaela Martinelli, aluna da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP e moradora do Crusp. É publicidade que ela queria, não? Aqui está. É daquela turma contrária à presença da PM no campus, entenderam? Cheguei a pensar que fosse ela. Não dá para saber. Entre os temas que acompanha, está a “Corrente Marxista do PT”. Huuummm… Entendi tudo."
(Rapaz este estilo, me lembra alguém... Quem será? Ah! Deixa pra lá, deve ser algum perfeito idiota)Só que na verdade o jornalista idolatrado pelos "anti" qualquer coisa, criou uma outra personagem que não é a da matéria. Não se trata de Rafaella Martinelli e sim Arielle Tavares Moreira. Leia aqui a entrevista com a personagem verdadeira Arielle Tavares Moreira
Digo não se tratar de uma simples troca e sim de uma invenção, porque a personagem colocada por Reinaldo atende perfeitamente à sua necessidade de enquadrá-la no conceito (ou seria na peça?) que pretende pregar.
Veja, isto não é jornalismo e nem mesmo publicidade. É propaganda enganosa.
segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012
Kambô: conhecimento tradicional comprovado pela ciência
Difusão do uso deste medicina iniciou-se em Cruzeiro do Sul

* O sapo verde -phyllomedusa bicolor é a maior espécie do gênero da família Hylidae, que ocorre na Amazônia [1]. Podendo ser encontrado em quase todos países amazônicos, como as Guianas, Venezuela, Colômbia, Peru, Bolívia e Brasil. Principalmente no período das chuvas, sob árvores próximas aos igarapés. Onde coaxam por toda noite, anunciando chuva no dia seguinte. Mas, é na madrugada, que são "colhidos" a fim de retirarem sua secreção cutânea, para fazer a “vacina do sapo”.
Tomar a vacina do sapo é uma prática antiga com fins medicinais, muito difundida entre os povos indígenas do Brasil e do Peru. A finalidade mais procurada é “tirar a panema”, ou seja, afastar a má sorte na caça e com as mulheres.
Existem variações nos rituais e nomes dados ao sapo verde. Na história antiga dos Kaxinawá, o sapo kampu (nome utilizado pelo povo Kaxinawá),era o chefe do “nixi pëi”, bebida preparada com o cipó Banisteriopsis caapi (ver também o caso da Ayahuasca). Já os Katukina, nunca o matam, pois dizem que poderão ser picados por cobra, pois seu veneno é retirado do sapo kambô. Para os Ashaninka, quando o sapo wapapatsi canta perto da casa, o dono tem que apanhá-lo, queimar os pulsos e dormir. Bem cedo, tem de preparar um mingau bem forte e bater nas costas do sapo, para ele soltar o veneno que será passado sobre a pele. Entretanto, o remédio somente terá resultado, se o caçador seguir as regras.
A vacina do sapo é considerada um remédio para muitos males pelas populações tradicionais do vale do Juruá, curando desde amarelão até dores em geral.[2] Hoje, a vacina do sapo é utilizada também por seringueiros e vem sendo aplicada por alguns curandeiros nas cidades de Cruzeiro do Sul/AC e Rio Branco/AC.
Pesquisas científicas vem sendo realizadas sobre as propriedades da secreção de phyllomedusa bicolor desde da década 80 ou antes. O primeiro a “descobrir” as propriedades da secreção para a ciência moderna, foi um grupo de pesquisadores italianos[3,4]. Amostras das rãs foram levadas do Peru para um pesquisador nos EUA[5]. (Pesquisador que já tinha pesquisado e patenteado anteriormente substancias da râ Epipedobates tricolor, utilizada tradicionalmente pelos povos indígenas de Equador. ver tambem na pagina mais casos).
Também foram publicadas pesquisas sobre as propriedades da secreção por pesquisadores franceses e israelitas[6]. Mais recente, a Universidade de Kentucky (EUA) está pesquisando (e patenteando) uma das substâncias encontradas na secreção do sapo em colaboração com a empresa farmacêutica Zymogenetics.[7]
Resultados surpreendentes
As pesquisas revelaram que a secreção de phyllomedusa bicolor contém uma serie de substancias altamente eficazes, sendo as principais a dermorfina e a deltorfina, pertencentes ao grupo dos peptídeos. Estes dois peptídeos eram desconhecidos antes das pesquisas de phyllomedusa bicolor. Dermorfina é um potente analgésico e deltorfina pode ser aplicada no tratamento da Ischemia. (um tipo de falta de circulação sanguínea e falta de oxigênio, que pode causar derrames). As substâncias da secreção do sapo também possuem propriedades antibióticas e de fortalecimento do sistema imunológico e ainda revelaram grande poder no tratamento do mal de Parkinson, aids, câncer, depressão e outras doenças.
Deltorfina e Dermorfina hoje estão sendo produzidos de forma sintética e os laboratórios podem adquirir-las através de compra on-line.
(patentes que contem as palavras "phyllomedusa bicolor" e/ou deltorphin e/ou dermorphin no titulo e/ou na descrição)
Registrado por | Registrado onde | Data de publicação | Titulo | |
| UNIV KENTUCKY RES FOUND (US) * | OMPI - mundial | 12/06/2003 | Protection against ischemia and reperfusion injury | |
| University of Kentucky Research Foundation (Lexington, KY); * ZymoGenetics (Seattle, WA) * | Estados Unidos | 30/04/2002 | Method for treating cytokine mediated hepatic injury | |
| University of Kentucky Research Foundation (Lexington, KY); * ZymoGenetics (Seattle, WA) * | Estados Unidos | 25/11/2001 | Method for treating ischemia | |
| UNIV KENTUCKY RES FOUND (US) * | OMPI - mundial | 11/11/1999 | METHOD FOR TREATING ISCHEMIA | |
| UNIV KENTUCKY RES FOUND (US) * | OMPI - mundial | 11/11/1999 | METHOD FOR TREATING CYTOKINE MEDIATED HEPATIC INJURY | |
| Inventores: BISHOP PAUL D (US); KINDY MARK S (US); OELTGEN PETER R (US); SANCHEZ JUAN A (US) * | OMPI - mundial | 09/05/2002 | USE OF D-LEU DELTORPHIN FOR PROTECTION AGAINST ISCHEMIA AND REPERFUSION INJURY | |
| Mor; Amram (Jerusalem, IL) * | Estados Unidos | 27/09/2002 | Peptides for the activation of the immune system in humans and animals | |
| ASTRA AB (SE) * | Estados Unidos | 11/02/1997 | Dermorphin analogs having pharmacological activity | |
| IAF BIOCHEM INT (CA) * | União Européia, Estados Unidos | 10/01/1990 | Dermorphin analogs, their methods of preparation, pharmaceutical compositions, and methods of therapeutic treatment using the same. | |
| DAINIPPON PHARMACEUT CO LTD * | Japão | 17/05/1989 | DERMORPHIN-RELATED PEPTIDE |
Preocupação das populações tradicionais
Existe uma crescente preocupação dos povos da floresta com o aproveitamento do conhecimento e dos recursos biológicos, que eles utilizam tradicionalmente, por parte de grandes empresas. Esta preocupação foi articulada, entre outros, no II Encontro Interinstitucional dos Povos da Floresta do Vale do Juruá Acreano, em abril/maio 2003. A preocupação com o patenteamento da vacina do sapo foi principalmente instigada com uma matéria do Globo Reporter , exibido em 02/2002. Desde enquanto, representantes indígenas da região solicitam que seja averiguado este caso.
Se você possui informações que podem nos ajudar nesta pesquisa, favor enviar para info@amazonlink.org
Bibliografia:
- SOUZA, Moisés B. Diversidade de Anfíbios nas Unidades de Conservação Ambiental: Reserva Extrativista do Alto Juruá (REAJ) e Parque Nacional da Serra do Divisor (PNSD), Acre – Brasil – UNESP- Rio Claro, SP. 2003, p.56-57. (Tese de doutorado).
- SOUZA, Moisés B. et al. Anfíbios. In: CUNHA, M. C. da; ALMEIDA, M. B. (Orgs.). Enciclopédia da Floresta: O Alto Juruá: Práticas e Conhecimentos das Populações, São Paulo - SP., Companhia das Letras, 2002, p.608-610.
- Erspamer, V., Melchiorri, P., Falconieri-Erspamer, G., Negri, L., Corsi, R., Severini, C., Barra, D., Simmaco, M. and Kreil, G. (1989) "Deltorphins: A family of naturally occurring peptides with high affinity and selectivity of d opioid binding sites," Proc. Natl. Acad. Sci. USA, 86, 5188-5192.
- Erspamer, Vittorio et al., 1993, Pharmacological Studies of 'Sapo' from the Frog Phyllomedusa bicolor Skin: A Drug Used by the Peruvian Matses Indians in Shamanic Hunting Practices, Toxicon, 31:1099-1111.
- Daly, J.W. et al. "Frog Secretions and Hunting Magic in the Upper Amazon: Identification of a Peptide that Interacts with an Adenosine Receptor", Proceedings of the National Academy of Sciences 89: 10960-10963, 1992.
- Pierre Nicolas and Amram Mor, Peptides as Weapons Against Microorganisms in the Chemical Defense System of Vertebrates Annu. Rev. Microbiol. 1995, Vol. 49: 277-304
- Sigg D, Coles JA, Oeltgen PA, and Iazzo PA. Role of Delta-Opioid Receptor Agonists on Infarct Size Reduction in Swine. Am J Physiol Heart Circ Physiol. 282:H1953-H1960, 2002
* Extraído so site: http://www.amazonlink.org/
_____________________________________________________________________
No Campus Floresta da UFAC já começaram-se a produzir os primeiros trabalhos sobre o uso tradicional do Kambô, exatamente na Boca da Alemanha em Cruzeiro do Sul, certamente um dos principais locais de difusão desta medicina. Foi tema de meu Trabalho de Conclusão de Curso em Jornalismo, na forma de uma Experiência Narrativa.
Quem participou das discussões sobre a criação do Campus Floresta da UFAC em Cruzeiro do Sul, deve lembra-se que o kambô foi citado como exemplo objetivo de conhecimento tradicional o que justificaria a criação de uma universidade com cursos voltados à área de biologia, a fim de que tais conhecimentos venham a ter valor comercial, tal qual os laboratórios internacionais, que partiram na frente com a pesquisa.
Também em Cruzeiro do Sul ocorrem iniciativas sobre a discussão da repartição de benefícios com as comunidades tradicionais. É conscenso, memso na comunidade científica, que a aplicação dos conhecimentos tradicionais na pesquisa científica conduz os pesquisadores á resultados bem mais rápidos e precisos, reduzindo enormentente os altos custos da pesquisa laboratorial.
Postagem anterior sobre este mesmo tema:
Ah! Kambô, Kambô Hô!
domingo, 5 de fevereiro de 2012
Neuroteologia & Xamanismo

Professor explica xamanismo como neuroteologia ( novo termo para designar original a ligação de Deus com o cérebro) Estudo realizado na Universidade de Harvard- Estudo das Religiões do Mundo). O Doutor Michael Winkelman do Departmento de Antropologia, da Universidade do Arizona disse que muitas culturas desenvolveram tecnologias para modificar consciência e induzir experiências espirituais.*
Winkelman diz que o xamanismo está dentro do contexto de neuroteologia. Eruditos reconheceram o xamanismo como uma forma especial de conduta religiosa por séculos. Reconheceu similaridades entre os xamãs em várias culturas em torno do mundo que inclui o transe ou êxtase, estados modificados de consciência. Referiu-se à Viagem da Alma, voando fora do corpo, projeção astral. Essas experiências são adquiridas quando o xamã passa por experiências de morte e renascimento, adquire o animal guardião e alia forças espirituais.
No seu livro Xamanismo a Ecologia Neural de Consciência e Cura, Winkelman esboça a base neurobiológica do xamanismo, a musica religiosa original da humanidade, a presença universal no mundo ancião, e o seu ressurgimento ao mundo moderno, e como as práticas puderam sobreviver por milênios. As práticas universais de xamanismo estão relacionadas com funções básicas do cérebro, explica também que as experiências tem similaridades no mundo, porque refletem um processo cerebral inato.
Diz que há 40.000 anos atrás, dentro de um conceito de evolução humana, as práticas xamânicas foram fundamentais para a evolução dos seres humanos modernos. Os xamãs ajudaram pessoas a adquirirem informação e desenvolverem novas formas de pensamento
O xamanismo construia alianças e criava solidariedade nos grupos. Ele diz que não é justo, hoje em dia, considerar xamanismo como práticas ancestrais, e nem ser limitado para sociedades simples. Afirma que o mundo contemporâneo tem tido exemplos com o neo-xamanismo, que são adaptações atuais para os princípios ancestrais.
O ressurgimento do xamanismo no mundo moderno, traz contradições, pois a lógica mostra que essas práticas deveriam desaparecer com o desenvolvimento da racionalidade moderna, porém o xamanismo persiste e cresce em popularidade, principalmente em segmentos mais cultos da sociedade. A neuroteologia explica essa persistência e revitalização do xamanismo, com práticas atuais, refletindo os mesmos princípios da operação de cérebro que engendrou as manifestações originais do xamanismo há milhares de anos atrás.
O cérebro, serotoninas e sistemas neurotransmissores de apoio são estimulados por práticas xamânicas. Ele se refere à confiança que o mundo atual tem sobre o Prozac e outros, como consequência do afastamento das tradições. O xamanismo cresce devido a sua base natural.
Codinome Lobo
CODINOME LOBOÂnsia de fazer amor à toda hora
A fera cede aos encantos da bela
Fluem sonhos e quimeras
A rasgar a roupa dela
Desejo é meu codinome
Eterno cio, animal á solta
De teu corpo tenho fome
Espero-te vadiando na floresta
Tatuado pelo lendário lobo
Herdei dele todo o arrojo
De minhas garras não irás escapar
Irracional seria não te amar
Meu cheiro de mato, alecrim
Aroma que a faz lembrar-se de mim
Mas minha marca registrada
São os beijos que a deixam desvairada
Louco, ébrio de paixão
E me entrego manso,
Após a consumação.
Caçador vencido pela caça
Aprisionado em teus braços,
Exausto, suado.
Ela sorri, acha graça!
Poeta: Tânia Mara Camargo




