quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Fé, Ritual e Poder



“Os Lakota têm rituais destinados a introduzir o Poder em suas vidas. Alguns deles foram ensinados pelas mulheres Búfalo Branco, outros tiveram a sua origem nas visões de homens santos, mas todos, sem exceção, foram o resultado de instruções dadas aos seres humanos por Wakan (O Deus Criador Primordial).
A Fé (tal qual é percebida e sentida pelos Lakota) representa os fundamentos intelectuais e emocionais da sua religião. É um sistema de conhecimento que situa o ser humano na sua relação com o universo. Ela torna inteligível e aceitável para ambos (o homem e a natureza) a vida humana e o mundo em que ela ocorre, e também define as bases morais da sociedade.
Os ritos fornecem os meios para alcançar o poder e expressar a fé religiosa. Eles não são meras expressões de crença, mas também uma forma de fortalecer e ampliar, por meio deles, o seu conhecimento.”

Tradução aproximada do texto antropológico de Regard Eloigne

O mamute incontrolado


Por Lúcio Flavio Pinto - Cartas da Amazônia 

O Ministério Público Federal já ajuizou 15 ações civis públicas contra a hidrelétrica de Belo Monte, em construção no rio Xingu, no Pará. Seus argumentos sobre a inviabilidade econômica e socioambiental do empreendimento não parecem ter impressionado a principal instituição de fomento do país.
Durante os próximos 30 dias, o Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico Social pretende liberar 19,6 bilhões para o projeto, que já recebeu do mesmo BNDES, em duas parcelas, neste ano, R$ 2,9 bilhões. O total do comprometimento, assim, é de R$ 22,5 bilhões. O montante representa 80% dos R$ 28,9 bilhões previstos para serem usados até tornar Belo Monte a terceira maior hidrelétrica do mundo.
Os títulos desta transação impressionam. Trata-se do maior empréstimo de toda história de 60 anos do banco. É três vezes maior do que a operação que ocupava até então o primeiro lugar no ranking do BNDES, os R$ 9,7 bilhões destinados à refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco. A usina do Xingu engolirá quase todos os recursos previstos — R$ 23,5 bilhões — para a área de infraestrutura nesse segmento, excluindo o metrô.
Os elementos de grandiosidade não param aí. Belo Monte é a maior obra em andamento no Brasil e a joia da coroa do PAC, o Programa de Aceleração do Crescimento, transmitido por Lula a Dilma.
Com a aprovação do empréstimo, o governo dá o recado: contra todos os seus adversários e enfrentando atropelos pelo caminho, a enorme hidrelétrica continuará em andamento acelerado. Quer que a primeira das 24 gigantescas turbinas comece a gerar energia em fevereiro de 2015 e a última, em janeiro de 2019. Não por acaso, Belo Monte ganhou do governo Lula o título de hidrelétrica estratégica, a primeira com esse tratamento no Brasil.
Principal item do Plano Decenal de Energia (2013/2022), Belo Monte, com seus 11,2 mil megawatts nominais, contribuirá — nos cálculos oficiais — com 33% da energia que será acrescida à capacidade brasileira de produção durante o período da motorização das suas máquinas, entre 2015 e 2019. Teria condições de atender à demanda de 18 milhões de residência e 60 milhões de pessoas, ou ao consumo de toda população das regiões Sul e Nordeste somadas.
Não surpreende que o BNDES, com uma carteira de negócios desse porte, tenha se tornado maior do que o Banco Mundial, sediado em Washington, algo "nunca antes" inimaginável, como diria o ex-presidente Lula. Além dos milionários recursos do FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador), que estão à sua disposição, apesar da paradoxal relação, e da sua receita própria, o banco tem recebido crescentes aportes do tesouro nacional, uma preocupante novidade nos últimos tempos. A opinião pública parece não atentar para a gravidade desse fato.
Tanto dinheiro público chegou ao caixa do BNDES a pretexto de fortalecer o capitalismo brasileiro, que agora se multinacionaliza. Um dos focos das aplicações intensivas do banco é o controverso setor dos frigoríficos, alçado ao topo do ranking internacional pela pesada grua financeira estatal.
Com paquidérmicos compromissos de desencaixe de dinheiro, o BNDES tem sido cada vez mais socorrido pelo governo federal. É o que acontece no caso de Belo Monte. Dos R$ 22,5 bilhões aprovados para a hidrelétrica, apenas R$ 9 bilhões são recursos próprios do banco, que não os aplicará diretamente: R$ 7 bilhões serão repassados através da Caixa Econômica Federal e R$ 2 bilhões por meio de um banco privado, o BTG Pactual. Os outros R$ 13,5 bilhões sairão do caixa do tesouro nacional, o que quer dizer dinheiro arrecadado através dos impostos federais — do distinto público, portanto.
É interessante a composição dessa transação. O BNDES recorreu às duas outras instituições financeiras, ao invés de fazer ele próprio o negócio, sob a alegação de risco de inadimplência. Se o tomador do dinheiro, que é a Norte Energia, controlada por fundos e empresas estatais federais, não pagar o empréstimo, os intermediários responderão pelo calote. Naturalmente, cobrando o suficiente (e algo mais) para se resguardarem desse risco.
Já o dinheiro do cidadão, gerido pela União, terá aplicação direta pelo BNDES. Da nota divulgada ontem pelo banco deduz-se que esta parte do negócio é imune à inadimplência. Provavelmente não pela inexistência de risco, o que é impossível nesse tipo de operação. Talvez porque, se o dinheiro não retornar, quem sofrerá será o erário, e o contribuinte, no fundo do seu bolso.
O orçamento da hidrelétrica de Belo Monte começou com a previsão de R$ 9 bilhões. Hoje está três vezes maior. Nem o "fator amazônico", geralmente considerado complicador imprevisível em virtude das condições das regiões pioneiras, de fronteira, nem a inflação ou os dados disponíveis sobre as obras em andamento, que já absorveram quase R$ 3 bilhões em menos de dois anos, explicam esse reajuste.
Foi assim com a hidrelétrica de Tucuruí, no rio Tocantins, no Pará, a quarta do mundo. Ela começou a ser construída em 1975 e a primeira das 23 turbinas entrou em atividade em 1984. O orçamento era inicialmente de 2,1 bilhões de dólares. Chegou a US$ 7,5 bilhões por cálculos extraoficiais, numa época em que a moeda nacional estava desvalorizada. Mas talvez tenha ido além da marca de US$ 10 bilhões.
O precedente devia estimular a opinião pública a se acautelar, ao invés de se omitir, como se a parte mais sensível do corpo humano já não fosse mais o bolso.

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Reflexos de uma “Administração Sem Crise”

Enquanto a imprensa de Rio Branco celebra uma Cruzeiro do Sul fictícia, na “administração sem crise”, de Vagner Sales, o cidadão cruzeirense médio ainda tem que se desviar dos mesmos buracos de quatro anos atrás, além de outros novos, e daqueles que sem uma solução definitiva somente aumentam de tamanho a cada inverno.
 A “administração sem crise” passa longe da porta da casa do vendedor Leandro Pinheiro. Residente da “Avenida Leopoldo de Bulhões” no bairro do Telégrafo, Leandro convive com a água fétida do esgoto que é derramado diariamente no quintal de sua casa. Com o aumento de volume das águas no período de inverno, a cada chuva as águas se aproximam mais do assoalho. Risco de saúde permanente para sua pequena filha de apenas um ano de idade.
A bueira e a canalização foram construídas no local há mais de dez anos. A falta de manutenção e de coleta de lixo fez da antiga estrutura uma ruína sem nenhuma finalidade prática, a não ser lembrar aos moradores que um dia já existiu ali tal obra.
Segundo Leandro o contato com a secretaria de obras foi infrutífero: “o secretário nos disse que a obra não era prioritária e que não poderia ser feito nada neste inverno”.
Na “avenida” Leopoldo de Bulhões é difícil encontrar quaisquer rastros de que exista uma administração municipal: o mato toma conta do espaço que deveria ser destinado às calçadas (inexistentes) e uma caixa d’água serve de lata de lixo improvisada para que o caminhão da prefeitura faça a coleta.
Já os moradores da rua Martinho do Carmo Souza, também no bairro do Telégrafo reclamam que a coleta de lixo não é constante. Aparentemente os três novos caminhões de lixo, alardeados em campanha eleitoral como fruto de emendas parlamentares não trouxe beneficio para estes moradores que vivem em uma área central da cidade, vizinhos ao Instituto Santa Terezinha, uma das mais tradicionais instituições de ensino da cidade.
“O caminhão da prefeitura passa apenas uma vez por mês. Mas quando tocamos fogo, assim que levanta fumaça aparecem os fiscais” Disse um morador que se identificou apenas como “Grilo”.
Não é preciso ir longe para encontrar problemas na “administração sem crise”: buracos e lixo proliferam pelas ruas do centro da cidade na mesma velocidade dos ratos e urubus que passeiam sem serem incomodados.
Alguns problemas são agravados pela falta de relação institucional entre prefeitura e governo do estado. No bairro do Remanso há um claro exemplo do resultado da política de usar a população como “trincheira política” da oposição. Na rua do Remanso o DEPASA abriu uma vala no asfalto para passagem da rede de água que irá atender à comunidade do Santo Cruzeiro. Mesmo depois de concluída a rede, a prefeitura não cobriu o local aberto e com as chuvas a rua perde a cada dia sua já precária trafegabilidade. Um descuido muito bem calculado do ponto de vista político: descumprida a obrigação constitucional da prefeitura, a população acaba por culpar o DEPASA pelo estrago, colocando o ônus político nas costas do estado.
Enquanto isso no bairro Nova Olinda, os moradores aguardam a ligação da rede de água prometida pela “administração sem crise”. Cerca de sete dias antes da eleição, operosos funcionários de uniforme azul instalaram uma extensa rede de água, mas até o momento não há uma gota nas torneiras. Procurados por nossa equipe de reportagem, os funcionários esclareceram que o poço artesiano não havia sequer sido repassado à prefeitura e que não havia previsão de o sistema entrar em funcionamento.
Estes são apenas alguns “relances” da real condição da segunda maior cidade do estado.  Cruzeiro do Sul reflete em suas ruas o desmazelo de uma administração que se mostra incapaz de cuidar dos velhos e novos problemas urbanos, mas cujo gestor, agora elevado à condição de “liderança da oposição” pela imprensa da capital, mostra-se a cada dia um hábil e exímio “administrador de votos”.
O preço de ter se tornado a “trincheira da oposição” é pago pela população de Cruzeiro do Sul: terá de conviver por mais quatro anos com uma administração faz uma opção política dos problemas que escolhe resolver, enquanto a imprensa da capital destila matérias laudatórias de uma cidade que só existe em faz-de-conta.
Escrito por Leandro Altheman

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Eduardo Galeano: “Quem deu a Israel o direito de negar todos os direitos?”

Por Eduardo Galeano

Para justificar-se, o terrorismo de estado fabrica terroristas: semeia ódio e colhe pretextos. Tudo indica que esta carnificina de Gaza, que segundo seus autores quer acabar com os terroristas, acabará por multiplicá-los.
eduardo galeano gaza israel
Eduardo Galeano: “Este artigo é dedicado a meus amigos judeus assassinados pelas ditaduras latinoamericanas que Israel assessorou”

Desde 1948, os palestinos vivem condenados à humilhação perpétua. Não podem nem respirar sem permissão. Perderam sua pátria, suas terras, sua água, sua liberdade, seu tudo. Nem sequer têm direito a eleger seus governantes. Quando votam em quem não devem votar são castigados. Gaza está sendo castigada. Converteu-se em uma armadilha sem saída, desde que o Hamas ganhou limpamente as eleições em 2006. Algo parecido havia ocorrido em 1932, quando o Partido Comunista triunfou nas eleições de El Salvador. Banhados em sangue, os salvadorenhos expiaram sua má conduta e, desde então, viveram submetidos a ditaduras militares. A democracia é um luxo que nem todos merecem.
São filhos da impotência os foguetes caseiros que os militantes do Hamas, encurralados em Gaza, disparam com desajeitada pontaria sobre as terras que foram palestinas e que a ocupação israelense usurpou. E o desespero, à margem da loucura suicida, é a mãe das bravatas que negam o direito à existência de Israel, gritos sem nenhuma eficácia, enquanto a muito eficaz guerra de extermínio está negando, há muitos anos, o direito à existência da Palestina.
Já resta pouca Palestina. Passo a passo, Israel está apagando-a do mapa. Os colonos invadem, e atrás deles os soldados vão corrigindo a fronteira. As balas sacralizam a pilhagem, em legítima defesa.
Não há guerra agressiva que não diga ser guerra defensiva. Hitler invadiu a Polônia para evitar que a Polônia invadisse a Alemanha. Bush invadiu o Iraque para evitar que o Iraque invadisse o mundo. Em cada uma de suas guerras defensivas, Israel devorou outro pedaço da Palestina, e os almoços seguem. O apetite devorador se justifica pelos títulos de propriedade que a Bíblia outorgou, pelos dois mil anos de perseguição que o povo judeu sofreu, e pelo pânico que geram os palestinos à espreita.
Israel é o país que jamais cumpre as recomendações nem as resoluções das Nações Unidas, que nunca acata as sentenças dos tribunais internacionais, que burla as leis internacionais, e é também o único país que legalizou a tortura de prisioneiros.
Quem lhe deu o direito de negar todos os direitos? De onde vem a impunidade com que Israel está executando a matança de Gaza? O governo espanhol não conseguiu bombardear impunemente ao País Basco para acabar com o ETA, nem o governo britânico pôde arrasar a Irlanda para liquidar o IRA. Por acaso a tragédia do Holocausto implica uma apólice de eterna impunidade? Ou essa luz verde provém da potência manda chuva que tem em Israel o mais incondicional de seus vassalos?
O exército israelense, o mais moderno e sofisticado mundo, sabe a quem mata. Não mata por engano. Mata por horror. As vítimas civis são chamadas de “danos colaterais”, segundo o dicionário de outras guerras imperiais. Em Gaza, de cada dez “danos colaterais”, três são crianças. E somam aos milhares os mutilados, vítimas da tecnologia do esquartejamento humano, que a indústria militar está ensaiando com êxito nesta operação de limpeza étnica.
E como sempre, sempre o mesmo: em Gaza, cem a um. Para cada cem palestinos mortos, um israelense. Gente perigosa, adverte outro bombardeio, a cargo dos meios massivos de manipulação, que nos convidam a crer que uma vida israelense vale tanto quanto cem vidas palestinas. E esses meios também nos convidam a acreditar que são humanitárias as duzentas bombas atômicas de Israel, e que uma potência nuclear chamada Irã foi a que aniquilou Hiroshima e Nagasaki.
A chamada “comunidade internacional”, existe? É algo mais que um clube de mercadores, banqueiros e guerreiros? É algo mais que o nome artístico que os Estados Unidos adotam quando fazem teatro?
Diante da tragédia de Gaza, a hipocrisia mundial se ilumina uma vez mais. Como sempre, a indiferença, os discursos vazios, as declarações ocas, as declamações altissonantes, as posturas ambíguas, rendem tributo à sagrada impunidade.
Diante da tragédia de Gaza, os países árabes lavam as mãos. Como sempre. E como sempre, os países europeus esfregam as mãos. A velha Europa, tão capaz de beleza e de perversidade, derrama alguma que outra lágrima, enquanto secretamente celebra esta jogada de mestre. Porque a caçada de judeus foi sempre um costume europeu, mas há meio século essa dívida histórica está sendo cobrada dos palestinas, que também são semitas e que nunca foram, nem são, antisemitas. Eles estão pagando, com sangue constante e sonoro, uma conta alheia.

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Comunistas Aburguesados X Liberais com Verba Pública: Quem é mais hipócrita?

Tenho assistido pelas redes sociais uma crescente tendência de se contrapor a suposta identificação ideológica comunista ao uso de artigos que trazem imediata identificação com o capitalismo.

Bem, no geral, as colocações são divertidas e merecem um "curtir".
Admiro o talento de publicitários e humoristas de sintetizar idéias complexas em textos curtos.
Mas o fato é que nada pode ser mais coerente hoje do que um comunista tomar Coca-Cola e gastar dinheiro no Shopping Center. Não é esta afinal a prodigiosa era do Capitalismo do Estado? Não é essa a façanha chinesa de promover o crescimento do consumo a partir do investimento de grandes somas de dinheiro público em setores estratégicos?

Pensando assim, não seriam ainda mais hipócritas os "liberais" que dependem das altas somas investidas pelos governos para salvar o sistema bancário da falência?

E no Acre especificamente, dizer o quê destes "liberais de meia-pataca" que vivem das contas do poder público, seja ele municipal ou estadual? Seriam eles como aqueles "rebeldes sem causa" que proclamam sua independência com a substanciosa mesada paterna?

Quanto aos comunistas, bem, nunca ouvi dizer que fosse necessário fazer voto de pobreza para se filiar ao partido. Que eu saiba esta é uma exigência para fazer parte da congregação franciscana.

"Liberais" gostam de criticar o suposto "paternalismo" do estado brasileiro, mas não se incomodam se o investimento de altas somas em setores como a construção civil fizer alguns poucos milionários às custas do dinheiro público.

Convém lembrar: " O Estado pode ser um Pai para os pobres, mas é uma Mãe para os ricos"

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Jornalista turco viaja ao Brasil para entrevistar o jogador do time mineiro mas por engano vem a Cruzeiro do Sul-AC

Süleyman Arat, repórter do “Hürriyet News”, queria ser o primeiro a entrevistar Alex após sua saída do Fenerbahçe. Para isso, tinha que chegar ao Brasil antes do próprio. Mas um funcionário do aeroporto de Istambul o colocou em uma roubada. Ele achava que o apoiador iria para o C
ruzeiro, como as notícias da época diziam. E pior, achava que não tratava-se apenas de um clube, mas também da cidade da Raposa. E quando viu que o destino do jogador era Curitiba, confundiu-se nas abreviaturas de aeroportos (CRU e CUR) e o mandou para Cruzeiro do Sul. No Acre.
Para chegar lá, ele saiu de Istambul, foi até Paris, depois para São Paulo, e fez o seguinte trajeto: Fortaleza (CE) – Belém (PA) – Manaus (AM) – Porto Velho (RO) – Rio Branco (AC) – Cruzeiro do Sul (AC). E mesmo assim, de acordo com os seus cálculos, ele ainda chegaria seis horas antes de Alex, que passaria apenas em Dakar (capital do Senegal) e iria para Curitiba em voo fretado. Não demorou a reparar que algo não estava indo bem:
– Ainda do ar, vi que era uma verdadeira floresta, não parecia que seria uma cidade que Alex viveria, fiquei em dúvida.
Mesmo com dificuldade de comunicação – poucos falavam inglês – Süleyman começou a perguntar por Alex. Só um homem com cerca de 50 anos, com a
Eles foram para a casa do administrador do aeroporto. Com a confusão desfeita, o turco descobriu que estava a mais de 4 mil quilômetros do destino certo, e vinha apenas um pensamento:camisa do Flamengo, conhecia o jogador, mas tinha certeza que aquele não era o destino de uma estrela.
– Eu estava tão irritado… Eu perdi o voo do Alex por causa da falha do atendente do aeroporto em Istambul, estava longe de casa, na Amazônia, onde reinam as cobras e vivem as sucuris.
Süleyman ligou para o seu jornal, recebeu apoio do chefe, e até teve o aval para voltar. O que lhe deu ainda mais vontade de conseguir a entrevista. A sorte foi que o flamenguista (que ele não lembra o nome) seria apenas o primeiro homem de bom coração que ele iria encontrar no caminho até o final feliz.
Matéria publicada no Lancenet!

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Agentes de Endemias trabalham à noite para tentar conter avanço da malária em Rodrigues Alves

Apesar do esforço redobrado, os profissionais do Pró-Saúde poderão ficar sem emprego até o final do ano

A malária continua dando sinais de crescimento no Vale do Juruá. Em Rodrigues Alves este acréscimo já é de 22% em relação ao mês anterior e as projeções deste mês apontam para um aumento próximo a 50%. A situação chamou a atenção da gerência de vigilância epidemiológica que além de intensificar as ações, passou a trabalhar dentro nos ramais no período noturno.
“A ideia é fazer com que os agentes encontrem os moradores em casa, no horário de pico de atividade do carapanã da malária.” Explica Hélio Cameli, gerente de endemias de Rodrigues Alves.
No ramal da União as equipes que retornam do local confirmam a tendência de crescimento da malária. A cada dia os agentes encontram até dez novos casos da doença.
Segundo o supervisor de campo, Francisco Atilon uma das preocupações também é que está havendo uma incidência maior de malária do tipo falcíparum na localidade.
A coleta de lâminas é feita por agentes como Alex Feitosa, que encontra dificuldades no serviço. Além da dificuldade de tráfego no ramal, a recusa de muitos moradores em cooperar na busca ativa ou mesmo na borrifação intra-domiciliar, diminui a eficácia das ações.
Ao longo do ramal são comuns ver criadouros de larvas de mosquito. Na margem de um açude próximo à escola estadual Paulo Freire, os moradores estão expostos à carapanã da malária, exatamente no horário de mais atividade do inseto. A coleta feita pelos agentes confirmou a presença de larvas.
As visitas são feitas de casa em casa, para verificar se as medidas preventivas estão sendo tomadas pelos moradores.
“Queremos verificar se estão usando os mosquiteiros adequadamente e por isso estamos vindo neste horário, explica Hélio.”
O trabalho noturno também permite realizar as ações justamente com aquelas pessoas que durante o dia, estão em seu roçados ou em trabalhos longe de casa, e acabam por não receber as ações dos agentes.
É o caso do agricultor Adinilson Maia. Ele já foi acometido pela malária duas vezes e aproveitou a visita noturna dos agentes  para fazer uma lâmina de verificação de cura. As ações são acompanhadas pela bióloga Paula Eliazar, da Fundação Oswaldo Cruz. Uma das preocupações de Paula é com o grande número de crianças afetadas.
“Cerca de 50% dos acometidos de malária tem entre zero a 14 anos”, explica.
Paula ainda reforça a ideia de que é necessário o apoio da população para que as ações surtam o efeito desejado. “Saúde Pública se faz com o poder público mas também com a população”, afirma.
Os agentes de vigilância sanitária, supervisores e microscopistas são contratados pelo Pro-Saúde. Não recebem adicional noturno ou hora extra pelo serviço. Uma ação que tramita na justiça poderá acabar com o atual vínculo empregatício dos mesmos.

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Evangélicos se recusam a apresentar projeto sobre cultura africana, no AM

Por Gustavo Magnani,

Esta matéria não estava nem em pauta hoje. Mas, devido ao alto número de leitores que me enviaram, quando vi do que se tratava, bem, achei necessário trazer para cá. A notícia é retirada do G1, portanto, quem já leu, pode pular até a parte em que discutiremos:
"Cerca de 14 alunos evangélicos da Escola Estadual Senador João Bosco Ramos de Lima protestaram na frente da instituição nesta sexta-feira (9) contra a temática proposta na sétima feira cultural realizada anualmente na escola.
De acordo com um dos alunos, Ivo Rodrigo, de 16 anos, o tema “Conhecendo os paradigmas das representações dos negros e índios na literatura brasileira, sensibilizamos para o respeito à diversidade”, vai de encontro aos preceitos religiosos em que acredita. “A Bíblia Sagrada nos ensina que não devemos adorar outros deuses e quando realizamos um trabalho desses estamos compactuando com a idéia de que outros deuses existem e isso fere as nossas crenças no Deus único”, afirmou o aluno.
Para a professora coordenadora do projeto, Raimunda Nonata, a feira cultural tem o objetivo, através da literatura, de valorizar as diversas culturas presentes na constituição do Brasil como nação. “Através deste projeto podemos proporcionar um debate saudável sobre a diversidade étnico-racial brasileira. Mas não foi isso que aconteceu”, disse a professora.
Segundo a professora, os alunos se recusaram a ler livros clássicos como ‘Ubirajara’, ‘Iracema’, ‘O mulato’, ‘Tenda dos Milagres’, ‘O Guarany’, ‘Macunaíma’, entre outros, por apresentarem questões como “homosexualidade, umbanda e candomblé”.
Segundo a diretora da escola, professora Isabel da Costa Carvalho, os alunos montaram uma barraca sem a autorização da direção na qual abordaram outra temática que fugia à proposta inicialmente. “Eles montaram uma tenda com o nome ‘Missões na África’ na qual abordavam a evangelização do povo africano em seu próprio território”, explicou a diretora. A diretora afirmou ainda que a atitude dos alunos desrespeita as normas e o plano de ensino da escola.
Alunos realizaram mostra paralela, chamada 'Missões na África' (Foto: Tiago Melo/ G1 AM)
Alunos realizaram mostra paralela, chamada ‘Missões na África’ (Foto: Tiago Melo/ G1 AM)
Outra estudante, Daniele Montenegro, de 17 anos, argumentou que desde o 2º bimestre os alunos vem apresentando a proposta à direção. “Desde o início do ano que tentamos falar com a diretoria e eles nos negaram uma reunião pra discutir o assunto. Somente nos proibiram de apresentar outro tema. Fomos humilhados em sala de aula por colegas e pelo nosso professor de história”, contou a estudante.
A feira cultural, que teve sua primeira edição em 2006, aconteceu na quarta-feira (7) e nesta sexta. Ao final dela, pais, professores, coordenadores, alunos, representantes de turma se reuniram para debater a questão. “Minha filha é uma das melhores alunas da sala e por preconceito por parte dos professores, a nota dela e da turma da ‘Missões na África’ foi reduzida abaixo da média”, afirmou dona Wanderleia Noronha, mãe de Stephane Noronha, de 17 anos, do 3º ano.
Ao final da reunião, o conselho escolar decidiu por mais uma reunião, a ser realizada na proxima semana, que contará com agendes da Seduc. “Discutiremos como ficará a questão das notas dos alunos. Se será necessário fazermos uma avaliação diferenciada para eles ou se avaliaremos o projeto ‘Missões na África’”, afirmou a diretora." [Retirado do G1]
Ontem (09/11/2012) foi ao ar uma excelente matéria do colunista de filosofia sobre liberdade de expressão. A leitura é mais do que indicada e linkarei a matéria no final desta. Uma das conclusões que pode-se tirar é que as pessoas deveriam ser livres para dizer o que pensam e, caso tenham um pensamento racista [como ele usa de exemplo], deveriam ser ensinadas ou ouvir as “provas” de que sua opinião não é correta. Mas, digo também que, como vivemos em sociedade, tais pessoas terão de arcar com as consequências. Nada mais natural. Toda aquela história de ação gera reação etc.
Pois bem, os alunos possuem direito em se negar a fazer o trabalho? Sim, com certeza. Todavia, os professores possuem o direito em dar-lhes uma nota negativa. E nós possuímos o direito em discutir o assunto. A proposta do projeto escolar não é “converter” ninguém às religiões africanas ou, quiçá, ao homossexualismo. Como disse a professora, o objetivo era “proporcionar um debate saudável sobre a diversidade étnico-racial brasileira”  através da literatura. E você apresentar um projeto de “Missões Evangélicas na África”, pelo amor de deus, foge completamente ao tema [pra não dizer que é, de certa maneira, controverso]!
O jovem Ivo Rodrigues disse: “A Bíblia Sagrada nos ensina que não devemos adorar outros deuses e quando realizamos um trabalho desses estamos compactuando com a ideia de que outros deuses existem e isso fere as nossas crenças no Deus único“. OI? Você realizar um trabalho significa que acredita e compactua com aquilo? Ai de quem estuda o racismo! Ai de quem estuda a inquisição! Aí eu começo a me perguntar: onde está a “rocha”, citada na “Bíblia Sagrada”, na fé desses indivíduos? Porque, se na concepção deles, estudar determinada cultura os fará compactuar com outros “deuses’, por favor, não há certeza nenhuma nessa crença evangélica desses estudantes [e não estou dizendo que uma crença deve ser forte e irredutível, estou apenas partindo do pressuposto deles].
Ou seja, além de mostrar um “xenofobismo religioso”, um etnocentrismo, ainda salienta uma contradição pessoal: “não vamos estudar esses temas para não sermos convertidos”. Que bela ‘fé na rocha’ em! Se um mero projeto pode converter esses cidadãos, que eles não saiam de casa. Reforço mais uma vez: não estou dizendo que uma fé deve ser irredutível. Estou partindo do pressuposto deles. Outra coisa que devo reforçar: eles possuem o direito de não se submeter ao projeto. Todavia, estão na escola e a escola é, supostamente, um lugar de aprendizado, onde se estuda várias culturas [inclusive a cristã e a judaica], na ideia de que, assim, o ser humano aprenderá mais, terá contato com tantas outros ensinamentos que podem ajudá-lo como ser humano e profissional.
E, estudar a cultura negra é parte do currículo escolar. E, estar na escola é obrigatório por lei. Ou seja, legalmente falando, você é sim obrigado a estudar diversas culturas. De maneira alguma os rituais e as crenças lhe são impostos, mas, o estudo, sim. O assunto dá muito pano pra manga, inclusive na questão da liberdade de expressão. Todavia, como o João tratou disso essa semana, não quis me prolongar no assunto, pois é apenas ler o texto e encaixar no contexto da notícia. A questão é que: o projeto não fere nenhum direito religioso e, se não for cumprido corretamente, deve sim ser dado uma nota baixa. Não é porque é evangélico, negro, gay, católico, budista, que deve ter privilégios e ser avaliado de uma maneira diferente, quando o único argumento é de que “não farei isso porque posso ser contaminado”.
E que ainda fique bem claro: o  projeto é completamente diferente do que uma aula de “Ensino Religioso” onde, muitas vezes, a professora está lá para pregar o cristianismo [eu tive aula de E.R, mas, minha professora jamais se fixou numa doutrina cristã. Pelo contrário, abordávamos de tudo - e, curiosamente, ela é mãe do Gabriel, colunista de História -]. Nesse caso, de pregação, o aluno tem todo o direito de não se submeter. Todavia, num caso de estudo cultural, ele deve ser punido com nota baixa, de acordo com os critérios de avaliação do professor. – e ainda deveria ler alguns escritores, para tentar abrir um pouco a mente.
A matéria deve gerar uma boa discussão. Espero que tenham gostado da exposição e dos argumentos apresentados. Aguardo os sempre excelentes comentários. No mais, não esqueçam de curtir/compartilhar e claro, se possível, votar no literatortura para topblog2012! – segundo turno [último dia!]

Coluna de Filosofia, matéria citadaLiberdade de Expressão
obs: acho extremamente importante salientar que o grupo de estudantes não representa a totalidade dos evangélicos. E também saliento que não tenho nada contra o segmento religioso. Tenho amigos e familiares muito próximos que participam de congregações.
obs2: pode parecer que não, mas tive que ser sucinto e me conter em muitos aspectos da matéria. Caso contrário, ela ficaria ainda maior haha.
Selecionei 3 comentários no G1 que me chamaram atenção e podem prevenir alguns esquentadinhos:
Erick Coelho: Espera aí!!!! Qer dizer qe defesa e respeito à diversidade vale apenas p/negros, índios, gays? E os evangélicos não merecem respeito às suas crenças? Se é uma escola evangélica qe proibisse a apresentação de outras religiões seriam condenados a morte, mas o contrário não pode, evangélicos tem obrigação de respeitar a todos, mas e o contrário? RESPEITO, DINHEIRO NO BOLSO E CANJA DE GALINHA NÃO FAZEM MAL A NINGUÉM! Quem quer ser respeitado, antes de tudo respeita! Respeitem os evangélicos porque o senso prova que existem, fazem parte de um país com uma diversidade imensa de crenças!
nenhum evangélico foi desrespeitado no projeto. Em momento algum!
Ronilson VianaParabens a esses jovens que assim como Sadraque, Mesaque e Abedenego, se recusaram a adorar a estátua do Rei Nabucodonozor e foram lançados na fornalha, mas lá dentro da fornalha já estava o QUARTO HOMEM, Jesus para os livrar. Parabéns, o nome de Jesus foi certamente glorificado!
Bela analogia:
Daniel 3:10 Tu, ó rei, baixaste um decreto pelo qual todo homem que ouvisse o som da trombeta, do pífaro, da harpa, da cítara, do saltério, da gaita de foles e de toda sorte de música se prostraria e adoraria a imagem de ouro;
Daniel 3:11 e qualquer que não se prostrasse e não adorasse seria lançado na fornalha de fogo ardente.
Realmente. A escola ameaçou os alunos caso eles não se prostrassem aos deuses africanos [...]
Ricardo Aguiar: Nunca vi dizer que um professor passou um trabalho falando sobre a cultura evangélica! Isso é um país laico? Que pais é este que não temos liberdade nem respeito pra decidi o que devemos ou não fazer? Se pedíssemos para fazerem um trabalho com musicas evangélicas ou até mesmo um trabalho de pesquisa dentro de uma Igreja Evangélica será que iriam? Falar é fácil difícil é está em nosso lugar onde na verdade nós é quem somos desrespeitados!
Sim. É um país laico, mas que favorece a religião cristã em sua totalidade. Liberdade, bem, afirmar que temos em sua totalidade, hum, acho que não. Mas, não vou me ater nisso porque já falei bastante ao longo do texto. E, se o professor abrir para que “os alunos decidam qual trabalho fazer’ [o que acho esquisito, assim, aleatoriamente], duvido que proibiriam. Claro, não adianta o trabalho ser sobre a cultura africana e aí sugerir fazer uma pesquisa sobre a Missão Evangélica na África… Seria esquisito demais… – ops!
*****
O Literatortura foi para o segundo turno graças a vocês! Todos os votos são zerados, por isso, pode-se votar novamente. Vote no literatortura para TOPBLOG 2012: Mais informações clique aqui.

quinta-feira, 8 de novembro de 2012


Não é de hoje que o curso de licenciatura indígena passa por um processo de esvaziamento. Como se já não bastasse isolarem os universitários indígenas do convívio acadêmico, colocando-os para estudarem em um porão de um hotel no Centro da cidade, os mesmos estão agora há quase duas semanas sem aulas. Vale lembrar que este curso é emblemático para o projeto da Universidade da Floresta de promover o "Diálogo entre os Saberes", perder este curso para Rio Branco, além de assinar um atestado de incompetência, significa perder a própria essência do projeto. Sua permanência não deve ser uma luta apenas do Movimento Indígena, mas do movimento universitário como um todo e de por que não dizer de toda sociedade do Juruá, uma vez que foi a partir daqui que surgiu a proposta da Universidade da Floresta.

Hospedados em um hotel no Centro de Cruzeiro do Sul onde deveriam ser ministradas as aulas em módulos, os alunos do Curso de Educação Indígena do Campus da Universidade Federal do Acre estão se sentindo constrangidos por estarem gastando recursos públicos sem retorno.
Há duas semanas, eles estão sem aula e sequer recebem explicações da Universidade sobre a ausência dos professores, segundo informou o estudante Nane Yawanawa .
A maioria dos alunos já leciona nas aldeias de diferentes etnias da região. Os índios relatam ainda, as dificuldades que enfrentam deixando as famílias para apostar no sonho da formação.
A coordenadora da Organização dos Professores Indígenas do Acre, Francisca Shawãndawa disse que está formulando um documento para a publicação pedindo o apoio da Funai e Ministério Público para uma negociação junto à Ufac. Para ela, o resto do estado não sabe que o curso existe e definiu como abandono a situação vivenciada pelos estudantes.
Da redação do Site Juruá Online

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Professores Kaiowá e Guarani se posicionam sobre matéria da Revista VEJA

NOTA DA COMISSÃO DE PROFESSORES KAIOWÁ GUARANI SOBRE REPORTAGEM DA REVISTA VEJA

Ao contrário do que escreveram os jornalistas da Revista VEJA, Leonardo Coutinho* e Kalleo Coura, quem luta pelos territórios tradicionais é sim o povo Kaiowá e Guarani. Somos nós que estamos retomando nossos territórios antigos.

A matéria publicada foi racista, preconceituosa, discriminatória, estimulou o ódio contra os povos indígenas. Tenta desmotivar o nosso povo, ignora que nós temos língua própria, sentimento próprio, natureza própria. Não fala que a gente sabe o que a gente quer. Acaba colocando as pessoas contra nós, não a favor.

A revista VEJA não está a serviço dos indígenas, nem dos mais pobres. Está a serviço de quem manda. Age com coronelismo. Parece estar a serviço de quem paga.

Os jornalistas precisam estudar mais um pouco. Conhecer o que é índio, o que é cultura, o que é tradição, o que é história, o que é lingua, o que é Bem Viver. A terra, para nós, é o nosso maior bem viver, coisa que ainda a imprensa não entendeu muito bem. Não entendeu que é possível escrever coisa boa sem prejudicar.

O povo pobre não tem acesso à imprensa, quem tem são os latifundiarios e os emrpesarios. São eles que comandam. Nós somos brasileiros, somos filhos da terra. É preciso valorizar todas as culturas, o que a imprensa não faz. Mas precisava fazer.

O direito à terra é um direito conquistado pelo povo brasileiro que precisa ser cumprido. E é possível fazer essa luta com solidariedade, com amor, com carinho, que é a competência do ser humano. Não é com maldade, como fez essa reportagem.

A matéria quer colocar um povo contra outro povo. Quer colocar os não-índios contra os indíos. Essa matéria não educa e desmotiva. Ao invés de dar vida, ela traz a morte. Porque a escrita, quando você escreve errado, também mata um povo.

* Para quem não conhece, Leonardo Coutinho é o célebre jornalista que publicou um depoimento falso do antropólogo Eduardo Viveiros de Castro para embasar suas teses anti-indígenas.  

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

A Maldição da Coca

"Para os povos andinos a folha da coca é sagrada, como a hóstia dos cristãos. É utilizada em cerimônias sociais e rituais. Usavam ela como remédio, moeda de troca, sacramento e suplemento alimentar.

Quando Pizarro invadiu o Peru juntamente
com os espanhóis, ele mandou queimar o templo da Cocamama - onde consagrava-se La Cocamama, a entidade espiritual das folhas de Coca -, e as plantações, pois observou que isso iria destronar a moral do povo.

Dizem que no momento em que as folhas iam sendo destruídas, os sacerdotes incas, fizeram a seguinte maldição:
– Assim como os brancos estão destruindo as folhas de coca, um dia as folhas de coca irão destruir os homens brancos !"

Assim, dentro do seu poder, ela se vestiu de branco - também - para cumprir a maldição..."

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

A resposta da Balsa

Autor desconhecido (por enquanto)
A Balsa tá fora de moda
E digo qual a razão
O PT fez a estrada
A onda agora é buzão
Porem em carro pequeno
Tem a mesma condição

A galera anda dizendo
Espulsamos o PT
E se ele levasse as obras
Que seria de você.

Porque o nosso prefeito
Em assistencia é tal
Mais que seria de nós
Se faltasse o hospital

Pra comemorações
Ele é só felicidade
Que tristeza se faltasse
Aquela maternidade

Avião é bom transporte
Que o cabra nem enfada
Deus me livre que nos falte
Aquela bendita estrada

E o meu cartão postal
Que ja foi a catedral
Mais agora é nossa ponte
Que obra fundamental

A nossa biblioteca
É gostoso observar
Em breve vai estar pronta
Para o meu filho estudar

Estadio Arena do Juruá
Que ainda não está pronto
Mais em jogo e expoacre
É nosso ponto de encontro

Tá querendo que eu me cale
Mais eu vou falar de novo
Como seria se não tirassem
Aquelas ruas do povo.

E para a educação
Essa a moçada gosta
Tu ja deu uma espiada
No novo Craveiro Costa

E aquele Tele-centro
Que lugar especial
Vai ter um samambaia
Pro meus bisnetos
Ai que legal!

Universidade da floresta
É uma realidade
Onde formamos profissionais
Pra nossa sociedade

Eu já falei lá do ceflora
Hoje eu digo você
Aqueles cursos padrões
Quem promove é o PT

E o teatro dos nauas
Bela reforma sofreu
Ficou bem gostoso lá
Mais segurança me deu

O canal da Mâncio Lima
Que era só um esgoto
Eu cheguei a vê lá dendro
De Jacaré até Porco.

Agora há passarelas
Muitas areas de lazer
Belas árvores plantadas
Pra melhor você viver

Avenida Mâncio Lima
Que bela realidade
Aberta pra caminhada
De toda sociedade.

E lá também há comercio
De todas as qualidades
Do hotel ao Posto de combustível.
E escritorio de contabilidade

Mais mudo agora os meus planos
E vou mudar minha vida
Vou falar da praça da juventude
Que agora estar caida

Por baixo de caixa de agua
Tu nunca deves passar
Vai que essa caixa cair
E pode até te matar

Além de paradas de onibus
Com preços gordo e alargado
Aquela da Santa Rosa
Deu um trabalho danado

Em sifras vou te dizer
Para te ficar ligado
R$ 1.445.000,00
E ainda teve uns trocados

Mamãezinha me defenda
Isso foi caro demais
Tribuna não destacou
E nem saiu nos jornais

As escolas do municipio
Me tras grande pesadelo
Bem azuzinhas por fora
Mais em cima é um chuveiro

Henrique fica tranquilo
Pois aqui eu fico bem
E aqui junto comigo
Mais de 16 mil tem
E perder mais quatro anos
Isso faz parte também

Pois a população perde
Por não ter conhecimento
Recebi só cinquentinha
Depois é só sofrimento

Grandes cifras investidas
Pela força da desgraça
Porque cinqüenta reais
Só da pra comprar cachaça

Embarca a tua galera
Neste buzão luminoso
Sei que de Deus tu és servo
É um astro luminoso
E um dia nosso caminho
Será muito glorioso

Por isso caros amigos
Aqui para minha rima
Isso ai não foi perder
É cumprimento de sina

E eu apanho obrigado
Pela falta de cultura
Porque segredo e miseria
Uns levam pra sepultura.

Jota, Anisio, Iria e Neto.
A você fica a missão
De honrar essa bandeira
Combater a corrupção
E pessoas como vocês
Eu levo no coração.

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Quem são os burros?



Convencionou-se acusar os eleitores de Vagner Sales de burros. Mas verdadeiramente quem são os “burros” que perderam uma eleição com todo apoio institucional do Governo do Estado?

Há que se fazer um contraponto, ao bom e velho estilo de nosso patriarca das comunicações no Juruá, João Mariano. João Mariano obrigou-se a criar duas publicações porque não havia oposição qualificada. Foi assim que nasceu "O Rebate."
E como parece que os “Pit Bulls” do exército zumbi de Vagner Sales estão ainda sonâmbulos com a vitória, tentarei aqui fazer o papel do “Rebate” para dar o necessário contra-ponto àqueles que se acham os bastiões da ética e do avanço social. E se você pertence a este grupo, um aviso: vai doer.

Então como diria Chico Picadinho : “vamos por partes”.

1-Se o eleitorado de Vagner é “burro” (ou para usar o eufemismo “alienado”) quem é o maior culpado? Significa admitir que em 14 anos o Governo da Frente Frente Popular não conseguiu acabar com a alienação e com a ignorância de 53% do eleitorado. È como assinar um atestado de incompetência, e dos mais graves.

2- Subestimar um político experiente como Vagner Sales é uma grande “burrice”. Vagner Sales pode ter baixa escolaridade, usar linguagem chula, e etc, mas está longe de ser “burro”. Certamente é mais inteligente que todos juntos, pois conseguiu vencer uma campanha cujo principal adversário era ele próprio. E todos sabem que quem vence a si mesmo, não é apenas inteligente, mas também sábio.

3- Se Vagner fez papel de ridículo ao comandar o espetáculo da Balsa, Tião Vina também o foi com a barbeiragem de sua “twitada” e para uma platéia ainda maior (deu no “Estadão”). No caso de Tião Viana há ainda um componente agravante: lançou ainda mais areia na relação institucional que deveria haver entre o município de Cruzeiro do Sul e o Governo do Estado do Acre, deixando claro para a população de Cruzeiro do Sul, que o seu partido é mais importante do que a cidade e sua população.

4- A FPA de Cruzeiro do Sul não sofre de falta de cérebro, mas de vértebras. A falta de uma articulação interna coloca de joelhos o que deveria ser uma oposição altiva e independente. O povo daqui tem uma percepção quase que “sensorial” de que um governo da FPA nos colocaria de quatro para as vontades dos Viana. O discurso da “união” traz, nas suas entrelinhas a seguinte mensagem “deixem-nos ganhar as eleições, para que o Governo possa fazer o que quiser com Cruzeiro do Sul”. Mesmo sem um processamento intelectual muito profundo, o povo sente o “pixé” da subserviência neste discurso.

5- Depois de atravessar a fase invertebrada, a campanha de Henrique entrou na fase “acefálica”. A campanha iniciada há 45 dias das eleições, esta aliás, uma outra lição que ainda não foi aprendida, demorou ainda cerca de 20 dias para “aterrissar” em Cruzeiro do Sul. Quando aterrissou, caminhou bem, angariando toda uma leva de descontentes e de pessoas que por razões diversas, creem, que uma administração da FPA seria melhor para Cruzeiro do Sul. E aí, no final, lá vem a santa intervenção de Rio Branco, dizendo como devemos agir: a “twitada” de Tião Viana, as barbeiragens da promotoria e para o “gran finale” um comício amador, sem iluminação cujas maiores “estrelas” foram: Thamaturgo Lima, Jonas Lima e Aníbal Diniz. Me respondam, em sã conciência: O que estes senhores agregam ao voto do eleitor cruzeirense? Manda-los para o palanque do 15 seria melhor estratégia.  Ao contrário disso, o palanque de Vagner montado com alto grau de profissionalismo, planejamento e organização, deixou no ar, há dois dias das eleições a sensação plena de que seria o vitorioso. Nocaute nos "inteligentes".

O contra-ponto de um eleitor do 15


Selecionei este comentário feito por um eleitor do 15 em minha postagem anterior. Serve do necessário contraponto que precisa ser ouvido.

Texto muito bom, Leandro, uma externação de seus sentimentos inconformáveis. Não sei se você é defensor da frente popular, mas é um caso a se pensar em deixar czs nas mãos deles. Você sabe muito bem o tipo de atitudes que eles executam na forma de administrar: posam de bonzinhos, humildes, respeitadores, preocupados com o povo; mas no seu interior prevalece o instinto ditador. Não falei que eles não fazem nada, está distante disso, vejo obras sendo construídas pela FPA.
Henrique seria um "sem rumo"(marionete) perante as mãos impiedosas da FPA. Não seria nada incomum que eles impusessem "regras" para Henrique seguir, e pelo que conheço ele, seria o início de uma discórdia partidária, levando czs a afundar em desavenças políticas o que causariam um retrocesso da princesinha do Juruá. Isso é uma Hipótese, não uma visão futura! Mas se parar para pensar tem sentido.

Pois bem, Vagner Sales é um nativo "bicho do mato", não consegue diferenciar que é preciso comportar-se diferente em algumas ocasiões. Levando consigo atitudes do seu convívio familiar, ou entre amigos; para a sociedade. Lastimável. Mas sua visão vai além de um simples ato impensado, e isso não serve de munição para o massacre que lhe impuseram. A FPA ou Henrique, se quisessem mesmo administrar czs, deveriam ter focado seus planos bem antes para conquistá-la. Exemplos: trazendo pequenos benefícios para melhorar a vida dos moradores daqui, operando em setores diferenciados da sociedade, trabalhando na zona rural e urbana, tudo isso, sem dúvida lhe trariam votos. Mas cadê as atitudes para conquistar votos? O povo sabe, e muito bem, analisar trabalhos realizados por gestores. E é justamente o que faltou para FPA sobrou em Vagner Sales: pequenas obras, pequenos gestos e pequenas demonstrações de sabedoria conquistou o povo. Obras têm que serem realizadas em todos setores da comunidade. Será que realmente seria digno dá uma chance a união? Sendo que pouco produziu para "tirar" votos do prefeito. Nota minha: Primeiro conquistamos, depois formalizamos nossas ideias para fortalecer nosso convívio.

Institucionalizar a "balsa" foi um grito que lhe apertava os pulmões. Toda máquina pública estadual estavam contra seu governo, e mesmo assim ele superou a investida aguda da FPA para derrubá-lo. Henrique poderia ser o melhor prefeito de czs, talvez os 18 mil pecaram escolhendo Sales, mas ao mesmo tempo o medo torturou suas mentes, ou seja, não viram a possibilidade de depositar seu voto em um "conterrâneo desconhecido" e envolto de uma massa que não mede esforço para chegar no poder. Tenho certeza que os 18 eleitores pensaram assim.

Uma observação bem minuciosa das circunstâncias envoltas dos candidatos refletem o voto nas urnas: sem dúvida Vagner leva uma pequena vantagem em relação ao Henrique. Aqui fala uma pessoa que pensou bastante antes de votar, não foi por impulso, ou mesmo medo de retaliação. Mas os fatos, pelo menos para mim, me levaram a votar em Vagner.

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

A institucionalização da balsa - O pão e o circo de Vagner Sales

No episódio da balsa protagonizado pelo próprio prefeito, Vagner Sales mostra o melhor de sua política: Pão e Circo para a alegria da multidão. 

Começou mal. Para quem disse em seu discurso de vitória que iria ser o prefeito não apenas daqueles que o elegeram, mas de todos os cruzeirenses, Vagner Sales mais uma vez mostrou do que realmente é feito: pura arrogância e prepotência.

A “Balsa” é uma tradição bonita e divertida. Faz parte do nosso folclore de manifestações populares e de nossa história. Mas ao “institucionalizar” a “balsa”, Vagner Sales lança um “mau presságio” sobre Cruzeiro do Sul: a de que não poderemos esperar por respeito aos ideais democráticos nestes quatro anos vindouros e que o que deverá predominar será o seu espírito rancoroso e perseguidor.

A democracia que Vagner diz defender é tão somente uma balela para justificar sua falta de ideias. Não passa de um farrapo de uma “bandeira” cuja única serventia é esconder a sua maior vergonha: a sua incapacidade de administrar Cruzeiro do Sul como uma cidade e não como um apinhado de seringais e ramais que precisam de seus favores para sobreviver. Vagner perdeu em um conjunto importante do eleitorado. E perdeu feio. Talvez por isso, em muitas ruas do centro, o sentimento fosse de luto, e não de vitória.

Entre pequenos e médios empresários, trabalhadores autônomos, empregados com carteira assinada e estudantes, Henrique obteve aproximadamente 75% dos votos. Com sua pantomima, Vagner despreza os setores mais capazes de promover o desenvolvimento da cidade.

Dois mil e duzentos votos suados o separaram da “balsa” lançada por ele da mesma ponte que anos antes cometeu a bravata de dizer que “se ficasse pronta desfilaria de saia”. Mais uma promessa não cumprida que entrará para a história, assim como o ramal que prometeu “asfaltar com gala”.

Muito pouco para quem há um ano menosprezava seus adversários dizendo que iria colocar o seu motorista, o “Pimpolho” para concorrer.

Por esta razão dá para entender o sentimento de desforra de Vagner. Sente-se aliviado por conseguir uma reeleição “ralada”. Não fosse a ação desastrosa de setores fisiológicos e por que não dizer “patológicos” da FPA, e a balsa seria outra.

Vamos aos números: os dezoito mil votos de Vagner lhe garantem a legitimidade para governar Cruzeiro do Sul, mas está muito longe de ser a unanimidade anunciada pelo seu bem-pago colunista da capital.

Os mais de dezesseis mil votos obtidos por Henrique Afonso e as outras mais de onze mil abstenções representam mais da metade do eleitorado que por razões diversas, não referendou o mandatário. É em cima da cidadania destes vinte e sete mil eleitores que Vagner tripudia ao trocar o papel de representante do município pelo de bufão de sua própria corte.

Esperava mais de Vagner. Em muitos momentos da campanha demonstrou grandeza por saber aceitar críticas, uma qualidade esquecida por muitos dos que hoje se encontram em seu campo adversário.

No entanto, passado o susto, Vagner revela agora sua verdadeira natureza, mostrando que o papel de vítima não passou de um bem ensaiado jogo de cena e volta agora a interpretar o seu papel preferido: a do coronel de barranco que trata servidores, cidadãos e eleitores como peões de sua fazenda.

É uma questão de tempo para que muitos dos que hoje comemoram ao seu lado a sua vitória, lamentem não ter embarcado naquela “linda balsa laranja”.

O que pensa a juventude cruzeirense sobre a reeleição de Vagner Sales ?

Republico texto da jovem estudante de ensino médio, Taís Nascimento.

"Meus Profundos Sentimentos a Cruzeiro do Sul"

"Chamar a população de burra, realmente, é um termo pesado, mas podemos sim, chamá-la de cega e alienada. Passam quatro anos pedindo mudança, reclamando da roubalheira, da arrogância e do descaso com a cidade e seus habitantes, mas quando essa mesma massa tem uma oportunidade de mudar e de transformar sua cidade em um lugar agradável e educado, eles preferem jogar essa belíssima chance no LIXO."

Leia mais no seu próprio blog o texto: Meus profundos sentimentos a Cruzeiro do Sul

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Henrique e Marcelo agregam valores de "terceira via" na campanha

De todos os fatos desta campanha o que me foi mais surpreendente foi o tom da campanha nesta reta final por Henrique e Marcelo.

Esperava por uma campanha as estilo "riobranquense" e com um alto teor de "gospelândia": sisuda e moralista. Mas, ao contrário disso estamos tendo uma campanha plural, com poucos recursos e, o mais incrível: com alguns valores que são típicos de "terceira via". Este caráter ficou evidente durante a "cicleata" do último sábado. Luis Carlos Moreira Jorge chegou a afirmar que Henrique tinha deixado de ser "crente" para se tornar "hippie". Não se trata de "hippismo" sr. Crica, mas de terceira via: valores ambientais, éticos e humanos colocados acima do imediatismo eleitoreiro.

Henrique se livrou com tranqüilidade da pecha de "fanático" e "homofóbico" que lhe poderia ter sido imputada, colocando o travesti Valdete como estrela principal de seu palanque.

No palanque e em sua equipe estão contemplados os católicos, maçons, espíritas e daimistas, caindo por terra  a tese do proselitismo religioso unidirecional. A questão religiosa vem sendo trabalhada de forma leve e aberta, tal como recomenda o estatuto do PV, único partido que defende estatutariamente  a "espiritualidade" como bandeira de luta.

O resultado tem sido uma campanha leve e de fácil adesão popular. Ao invés da velha prática de se levar os mesmos cabos eleitorais de sempre, para "dar volume", Henrique e Marcelo conseguiram cativar um público fiel interessado em ouvir suas propostas e não apenas em servir de "claque" para quem lhes paga para portar bandeiras.

Embora as pesquisas domésticas não nos deem um resultado seguro de quem erá o vitorioso no dia 7 de outubro, o 43 claramente entrou em uma curva ascendente há pelo menos 15 dias, o que certamente já é uma vitória.

Mas independente de qual seja o resultado no próximo domingo, a maior vitória será a de que se provou que parte significativa do eleitorado já está madura o suficiente para uma mudança no paradigma na maneira de se fazer política.