sábado, 22 de março de 2014

Cansado dos impostos e leis trabalhistas do Brasil? Vá para o Peru!

Uma rápida conversa com um amigo peruado radicado no Brasil atualizou-me sobre o andamento geral do governo Ollanta Humala no Peru. Não precisaram 30 segundos de conversa, para que ele, de pronto afastasse qualquer sinal do antes ”perigo vermelho” representado pelo militar serrano que venceu as últimas eleições presidenciais.

-Aumentaram as “inversiones” (investimentos) de capital estrangeiro no país. Por este lado está bem. Para quem tem dinheiro, o Peru está muito bem. Já para quem tem apenas o seu trabalho...

Isso é fato observável. Basta sair um milímetro das rotas turísticas proporcionadas pelas riquezas arqueológicas e naturais país para se perceber as incríveis contradições do país andino.
Poderíamos começar por Machu Pichu. De longe o destino turístico mais importante do país. Visitado anualmente por até dois milhões de turistas, é explorado por empresas estrangeiras das mais diferentes formas.

Os principais hotéis, restaurantes, empresas de transporte, locadoras de carros, motos ou bicicletas, pertencem a normalmente a estrangeiros. Aos peruanos cabe carregar bagagens, arrumar as camas, servir o café, almoço e jantar dos visitantes.
As taxas tributárias permanecem atrativas mesmo com o “vermelho” Ollanta na presidência. Mas o “melhor” de tudo não é isso. Não há leis trabalhistas. De modo que se o empregador, por algumas razão não quiser mais um funcionário, ou todos eles, poderá demiti-lo(s) sem qualquer ônus trabalhista e ainda dispor de um farto mercado de trabalho de desempregados e sub-empregados como mão-de-obra. Um verdadeiro paraíso.

- Se o dono da empresa quiser demitir 100 funcionários, ele faz, sem problema algum e contrata outros cem, com a mesma facilidade. Por isso que os estrangeiros gostam de investir no Peru. Quando se fala em aprovar leis trabalhistas, eles ameaçam a economia do país, dizendo que vão se retirar. E tudo continua o mesmo.

O resultado da baixa carga tributária também é muito promissor para o capital estrangeiro, mas totalmente danoso à sociedade peruana.

- Quando minha mulher engravidou, pedi a Deus que não fosse cesárea, por que uma cesariana, em HOSPITAL PÚBLICO custa o equivalente a 1.800 reais.

Também são bastante curiosas as leis previdenciárias do país. Quem tiver a sorte de trabalhar com registro e recolher imposto a vida toda, poderá se aposentar com o equivalente a cerca de 300 reais mensais. Quem não tiver esta sorte, pode recorrer ao estado através de um “atestado de pobreza” e quem sabe, conseguir uma ajuda de custo para a compra da cesta básica.

Que meus amigos peruanos não entendam mal este texto. Amo de paixão o país vizinho, e se escrevo estas linhas é sobretudo pelo amor e carinho que adquiri pelos povo peruano em inúmeras viagens, e pelo desejo de que as gerações futuras de peruanos possam desfrutar das muitas riquezas representadas na cornucópia presente na bandeira peruana .

De volta ao Brasil, lembrei-me das longas noites na varanda de meu avô: agricultor, operário e pescador, que com brilho nos olhos lembrava-se da aprovação das CLTs brasileiras, lá pelos anos 30, pelo mitológico Getúlio Vargas (“façamos a revolução antes que o povo a faça”, era um das frases do “pai dos pobres”).

Nunca me senti tão grato pelas nossas “antiquadas leis trabalhistas” e “ultrapassados sindicatos” que meu avô ajudou a construir.


Mas, se você é um daqueles que acha que o problema todo do Brasil é a alta carga tributária e as leis trabalhistas, fica a dica: Vá para o Peru. E reze para que tarde o dia em que o povo peruano irá tornar-se dono de seu destino e de suas riquezas.

sexta-feira, 21 de março de 2014

Falta de regularização fundiária é obstáculo à agricultura familiar

Por ocasião da entrevista, Zeca também comentou sobre o alto preço da farinha de mandioca e sobre os programas dos governos federal, estadual e municipal para a agricultura familiar.
“A produção de farinha caiu muito, e com a estrada, aumentou o mercado consumidor. Hoje dois ou três agricultores podem fretar um caminhão e levar a farinha para vender em Rio Branco”.
Zeca atribui a queda na produção, ao impedimento de se poderem desmatar novas área de floresta. “Área de floresta virgem quando derrubadas produzem até 200 sacas de farinha por hectare. Áreas de capoeira produzem apenas 75 sacas.”
Segundo Zeca, prefeitura (neste caso, Mâncio Lima) e governo do estado têm enviado cada qual uma máquina para “aradagem” da terra.
Por parte do governo do estado, sua propriedade foi beneficiada com calcário desde 2012.
“Com o calcário podemos produzir até 175 sacas/há, sem ter o trabalho de desmatar e queimar. Isso por quatro anos consecutivos.”

Desfazendo mitos

Beneficiário do programa Bolsa Família, Zeca nem de longe se parece com a caricatura de brasileiro indolente e preguiçoso popularizada sobretudo nas redes sociais.
Evangélico e pai de quatro filhos, sua esposa recebe 390 reais mensais do programa, que têm sido de grande ajuda sobretudo nos períodos de entressafra. A dificuldade de escoamento da produção durante o período chuvoso obriga a estocar o produto durante meses, tornando a renda familiar perto de zero naqueles meses.
Além do óbvio Bolsa Família, Zeca também foi beneficiado com o Programa Luz para Todos e será em breve contemplado com o PNHR (Minha Casa, Minha Vida).
Segundo Zeca, a maior parte dos produtores vem sendo beneficiada com o PRONAF B, microcrédito rural que não necessita de comprovação de título de propriedade para ser acessado.

Contudo, justamente pela falta de regularização fundiária, a maior parte das famílias não têm acesso aos programas de financiamento que poderiam resultar em um aumento mais significativo da produtividade, como na aquisição de implementos e insumos agrícolas.
Segundo Zeca, das 350 famílias de agricultores do Alto Pentecostes, apenas 37 detém título de propriedade, sendo os demais apenas posseiros, sem grandes garantias à produção ou mesmo à permanência na terra.

"Se o povo da cidade pode protestar, porque nós não podemos?" questiona líder rural

Nesta sexta-feira, tive a oportunidade de entrevistar "Zeca do Alto Pentecostes" dos líderes do movimento que fechou a rodovia estadual AC 405 entre quarta e quinta-feira desta semana.
O movimento tinha por objetivo, cobrar do governo do estado, um compromisso para que o ramal do pentecostes fosse asfaltado este ano. Segundo documento apresentado, com a assinatura de seis lideranças, desde 2012 os trabalhadores rurais veem lutando pelo asfaltamento dos 12 km do ramal, um dos mais populosos e produtivos da região.
O saldo foi positivo: na quinta-feira o vice-governador César Messias comprometeu- se em destinar sete milhões de reais para o asfaltamento do ramal.

Direito à Voz

O principal objetivo da vinda de “Zeca” do Alto Pentecostes foi contudo defender o direito á manifestação por parte dos trabalhadores rurais. Na quarta-feira houveram desentendimentos entre manifestantes e pessoas que se dirigiam ao aeroporto internacional para embarcar, culminando com lesões corporais leves em um professor que tentou passou pela barreira.
Desde então choveram críticas ao movimento dos trabalhadores nas redes sociais, associando a ação a atos de “vandalismo”. Houve também a suspeitas de que o movimento havia sido patrocinado por grupos políticos contrários ao atual governo.
Zeca do Pentecostes defendeu os trabalhadores rurais:
“Um dia antes, taxistas e mototaxistas fecharam á ponte para protestar contra o alto preço dos combustíveis. Se as pessoas da cidade podem protestar, porque nós não temos este direito também?”
Zeca também se desculpou por possíveis excessos cometidos por manifestantes;
“Todo mundo ali estava com sangue quente. Mas não somos vândalos. Somos trabalhadores”, disse.

“Eu aproveito este espaço para me desculpar com qualquer pessoa que tenha sido ofendida. Mas nossa causa é válida”, concluiu.

Zeca também falou sobre produção e produtividade e sobre programas de fomento  agricultura familiar, tema da próxima postagem.

sexta-feira, 14 de março de 2014

Motociclistas pucalpinos planejam cruzar a fronteira para Cruzeiro do Sul-AC

Um grupo de motociclistas da cidade de Pucallpa, no Peru selvático, planeja cruzar a fronteira em direção à cidade de Cruzeiro do Sul - AC.

A expedição é organizada pelo “Charapas Rally Club” de Pucallpa que promove o motociclismo de aventura na região.

Segundo Ricardo “Naysha” Cárdenas, empresário e presidente do moto clube, os motociclistas devem sair de Pucallpa no dia 23 de julho e pretende chegar a Cruzeiro do Sul, no dia 28 de Julho, dia da independência do Peru e data cívica mais importante do país vizinho.  

O trajeto deverá percorrer 92 km da localidade Masaray até o marco 67 da fronteira, e de lá até Cruzeiro do Sul.


Distante cerca de 250 km Cruzeiro do Sul e Pucallpa não possuem ligação rodoviária. A região de floresta possui apenas trilhas utilizadas por madeireiros, por onde os motociclistas deverá se deslocar.  

Os “Charapas” já realizam expedições e rallys pela região do Ucaially e possuem experiência no deslocamento em áreas de floresta amazônica.

quarta-feira, 12 de março de 2014

MP determina expulsão de fazendeiros da Terra Indígena São Paulino do Povo Jamináua

Os Ministérios Públicos do Acre e Amazonas determinaram um prazo de 15 dias, para que a PF realize a retirada de fazendeiros da Terra Indígena São Paulino.

Segundo o cacique Francisco Jamináua, os indígenas vinham sofrendo ameaças constantes por parte dos fazendeiros. “Ficou perigoso andar à noite. Eu não podia mais ir para o rio, pescar de madrugada”, relata.

A população indígena é de aproximadamente 120 pessoas, num total de 23 famílias. Os fazendeiros seriam apenas cinco.

Francisco Jamináua relata que as primeiras famílias teriam se instalado na região há cerca de 50 anos. A maioria delas teria vindo do igarapé Chandless, afluente do Purus, e teriam sido também expulsos também por fazendeiros.    

Localizada no rio Purus, estado do Amazonas, os indígenas, que não possuem terra demarcada (apenas identificada) e não recebem nenhuma política pública, muitas vezes eram vistos perambulando pelas ruas do município de Sena Madureira-AC.

Os fazendeiros teriam chegado a partir de 2004 e iniciado o desmatamento para a abertura de áreas para a pecuária.

Uma possível indenização ou reassentamento ficará à encargo do INCRA.

Com informações do CIMI e COMIM

quinta-feira, 6 de março de 2014

Auto-suficiência só existe em aldeia isolada e comunidade hippie (e olhe lá)


Não falta gente para anunciar que o isolamento do Acre provou a “falência do modelo produtivo do estado”.

Aparentemente, isso se deve ao fato de que Rio Branco não consegue se manter pelas suas próprias pernas e que o isolamento trouxe graves consequências ao abastecimento da cidade. 
Na mente de muitos, uma consequência da baixa produtividade do estado.  

Isso pode nos levar a imaginar que uma cidade com grande produção agrícola no interior do Mato Grosso, ou do Paraná, caso sofressem um isolamento rodoviário, seriam capazes de suprir sozinhos a todos os itens de consumo básico de sua população. Certo? 

Errado. Nada mais equivocado, e quem professa tamanha asneira ou o faz por desconhecimento fundamental de história e geografia ou por desonestidade intelectual e oportunismo de véspera de campanha.

Vejamos, por exemplo, um município qualquer do estado de MT, um dos maiores produtores de soja do país. Alguém acredita que se esse município por qualquer razão sofrer um isolamento rodoviário, não vai faltar nada para os seus cidadãos? Adeus pão, porque farinha de trigo não se produz no MT.  

Mesmo em um estado como São Paulo, grande produtor de hortifrutigranjeiros, a maior parte do arroz e do feijão consumidos veem de outros estados. São Paulo, cidade e estado mais desenvolvidos do país dependem de pelo menos três safras anuais de feijão: sul, nordeste e centro-oeste.

Ou seja desenvolvimento não tem relação com auto-suficiência. Quem o afirma o faz de modo enganado, ou pior, enganoso. 

Na verdade quanto maior o desenvolvimento maior é o grau de dependência.

Tampouco a meta do capitalismo é a auto-suficiência. Pelo contrário: é aumentar o fluxo de mercadorias e capitais, ou seja, a interdependência entre os mercados produtores e consumidores.

A população do Acre é “punida” sim, mas não por não ser capaz de produzir os itens de que sua população necessita, mas por não ser capaz de produzir um item forte de exportação que o integre a esta rede de mercados.

A questão passa então a ser outra: o Acre somente existe como território civilizado a partir da exploração econômica da borracha. Findo este ciclo, o que colocar no lugar: madeira, pecuária, soja, petróleo?


Comecemos então a debater a questão a partir daí. Por que se a agenda para o estado for a alegada “auto-suficiência” de alguns incautos, talvez seja melhor se basear no modelo de algum povo indígena isolado, ou quem sabe, alguma comunidade hippie do Alto Paraíso.

Se é para anunciar alguma falência, que se anuncie a falência deste modelo de capitalismo que nos obriga a explorar povos e natureza em nome de um progresso e desenvolvimento que apenas nos coloca a cada dia, mais próximos do abismo. 

sábado, 1 de março de 2014

Hábitos de consumo elitizados e negligência no abastecimento marginalizam a produção regional

A cheia do rio Madeira e conseqüente isolamento rodoviário do Acre em relação ao restante do país, novamente acendeu o debate sobre a suposta baixa produção do estado. Sempre em comparação ao vizinho estado de Rondônia, políticos em véspera de campanha tratam de alimentar a baixa estima do acreano, como um povo “vagabundo”, incapaz de se adaptar aos “tempos modernos”, sustentado tão somente pela providencial folha de pagamento de estado e municípios e mais ainda pelo execrável “bolsa-miséria”: a mãe de todas as preguiças e indolências.

No entanto, uma rápida visita à esquina do bairro da Cohab, em Cruzeiro do Sul pode ser revelador sobre o que de fato vem acontecendo no setor produtivo.

Do lado de dentro do mercantil do bairro (um dos melhores da cidade) em um ambiente agradável e climatizado, uma quase centena de pessoas aguarda na fila do caixa, com seus carrinhos cheios de itens retirados das prateleiras. Itens que, obviamente são produzidos em todas as partes do Brasil, e alguns até fora. Produzidos em larga escala, graças ao milagre dos fertilizantes e agrotóxicos, embalados em máquinas que garantem a aparência, a marca e procedência do produto. Permitem ainda que sejam acomodados em prateleiras por dias ou semanas, sem que se estraguem. Um código de barras facilita com que o caixa saiba o seu preço que pode ser pago através da comodidade de um cartão.

“– É no crédito ou no débito, senhor?”  


Quanto contraste com o que acontece do lado de fora.

“-Olha, o açaí! Vai uma verdura aí, chefe?”  

Protegidos cada qual por um colorido guarda-sol, uma quase dezena de vendedores oferecem em voz alta seus produtos para transeuntes.

Entre os vendedores estão também algumas mulheres. Tendo em comum, o fato de serem beneficiárias do programa bolsa família, e que contrariando o senso-comum, estão trabalhando em um sábado ensolarado.

Bancas improvisadas, caixas de isopor ou a caçamba da saveiro revelam o colorido de uma produção regional nada desprezível.

Açaí, buriti e pupunha, mandioca e goma, mamão banana, cajarana, alface, tomate, cebolinha e cheiro verde. Peixe e ... frango?

Paro diante do isopor de frangos, congelados e embalados manualmente.

- De onde vem este frango? Pergunto ao rapaz moreno, que depois descubro se chamar Valdeci.

- Nós mesmos, lá em Assis Brasil. Tudo isso aqui fomos nós que produzimos.

- Puxa, e ainda dizem que o acreano não produz

- Produz sim. Dizem que o PT não deixa trabalhar, mas deixa sim. Se não pode brocar 10 quadras, broca uma, broca duas. De que adianta desmatar um monte se depois não dá para zelar.

Desisto de enfrentar a fila do caixa, pois afinal é dia de pagamento do funcionalismo e o mercantil está lotado de funcionários públicos fazendo a sua feira. Decido comprar açaí e pupunha. Ainda pensei em comprar uma goma, mas o dinheiro acabou e infelizmente ali  não dá para passar o cartão.

Apesar de toda falta de comodidade, ainda assim, a venda parece ser razoável e percebo, que a cada semana, um novo produtor se junta a eles nesta feira improvisada, o que certamente já deve começar a incomodar o trânsito da região.

- Dizem que vão nos tirar daqui.

Sem um local adequado, sem uma feira livre, os produtores são tentados a repassar suas mercadorias para atravessadores, que como sempre, levarão a um acréscimo no preço da mercadoria, tornando o produto regional, ainda menos competitivo em relação ao importado.

Não há nada de errado em se preferir o pão à tapioca, a batata à mandioca, o iogurte ao açaí, o presunto ao peixe. Errado é desqualificar a produção do Acre por que não somos capazes de produzir açúcar e farinha de trigo refinados.  


terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Sexo, mentiras e facebook

A história de como uma “mentirinha” ganhou contornos de “possessão demoníaca” e transtorno psiquiátrico

O fato aconteceu aqui mesmo, na nossa pacata Cruzeiro do Sul. Os nomes dos personagens envolvidos serão ocultados para preservar a imagem das mesmas.

Tudo começou quando duas amigas na faixa de idade entre 16 e 17 anos, que conheciam-se há mais de sete anos, passaram a se relacionar com uma terceira. A recém-chegada motivou sentimentos de ciúme e rejeição em uma das amigas. Esta, muito provavelmente para chamar a atenção criou uma história mirabolante.

“Ela disse que conheceu dois rapazes durante um encontro da igreja, em São Paulo. Eles eram lindos, inteligentes e bem sucedidos.”

A descrição faziam-nos parecer com o personagem Cristian Grey, do best seller “50 Tons de Cinza”. Não por acaso, esta havia sido a literatura preferida das três amigas naqueles meses.
Marcus e Gabriel Mackenzie eram irmãos gêmeos, ex-modelos e jovens empresários norte-americanos do ramo da informática. Um deles tinha olhos azuis e o outro, verdes, e durante uma visita em um hotel no centro da cidade, a amiga” que inventou a história descreveu coxas bem torneadas e um corpo escultural.

Através de dois perfis falsos criados no facebook, uma das amigas passou a ter conversas picantes, bem ao estilo “50 tons de cinza”.

“Ele (na verdade, ela, através do perfil falso) disse-me que queria que eu fosse a submissa, mas que como parecia que eu não queria ser “domada”, perguntou-me o que eu faria com ele.”

- E o que você faria? Perguntei

“-Isso eu não conto”, disse rindo, a amiga que foi envolvida na história.

A brincadeira foi suficiente para mexer com os sentimentos da garota, que no auge de seus 17 aninhos, com os hormônios à flor da pele, se viu rapidamente envolvida no jogo de dominação.

Apesar de desconfiar, em um passeio pelo centro da cidade, viu alguém que atendia à descrição e que assemelhava-se à foto do perfil fake. O incidente, alimentou as esperanças da garota.

Quando a história começou a ganhar contornos obscuros, a amiga decidiu “matar” os personagens que havia criado. Um acidente em uma rodovia próximo à cidade de Princenton, nos EUA, acabou com a carreira promissora dos “gêmeos  alfa”.

A amiga que havia acreditado na história desatou a chorar e passou a sofrer de depressão, de certo imaginando, como a vida poderia ser tão injusta com ela, agora que havia encontrado seu grande amor.

Quando a família soube da história e obviamente, não acreditou, foi chamado um pastor da cidade, pois desconfiava-se que mentira teria sido inventada por estar a jovem sob a influência de algum “espírito maligno”.

A jovem ainda teria tentado simular que estaria de fato, sob “possessão demoníaca”, mas felizmente o pastor não lhe deu crédito.

A outra jovem passou semanas em uma espécie de “limbo”, com dificuldade de se relacionar com as demais pessoas.


Depois de a mentira ter sido finalmente, desmascarada, obviamente, que a amizade de sete anos, foi por terra. Certamente um mal menor se fizermos também um pequeno exercício de imaginação.

A amiga que foi envolvida na história deletou sua página no facebook, e vai bem, obrigado.

"- Mas ainda não acabou. Acaba depois que eu der um tapa na cara dela!", disse.

* Na foto, a imagem utilizada para criação de um dos perfis falsos

Casos semelhantes já ocorreram, conforme sugere o leitor João Pedro Queiroz.

Leia Mais sobre o caso Gemma Barker 

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Guerra à Consciência

Para Graham Hancock a chamada Guerra às Drogas nada mais é do que uma Guerra a Consciência. Ele discorre sobre o papel que os chamados enteógenos ou psicoativos podem ter tido na evolução da consciência humana. 

O que o soma indiano, o cogumelo muscária, a acácia ou "sarça ardente" de Moisés, e a ayahuasca têm em comum? O chamado DMT, uma substância presente em muitos seres vivos capaz de alterar a consciência. 



Leia abaixo trechos transcritos da palestra de Graham Hancock, ou se preferir, assista ao vídeo:

"Depois de entediantes 6 milhões de anos, o centro evolucionário de nossa espécie do último de nossos 
ancestrais com os chimpanzés, uma coisa extraordinária aconteceu menos a de 100 mil anos atrás, que a propósito é muito antes de nos tornarmos anatomicamente modernos.
Isso foi um tipo de emergência da consciência em menos de 100 mil anos atrás.
na verdade, menos de 40 mil anos atrás, quando nos tornamos criaturas totalmente simbólicas.
E essa grande mudança tem sido definida como o único e mais importante passo 
no avanço da evolução no comportamento humano, está intimamente associado com o aparecimento das grandes e transcendente artes em cavernas em todo o mundo.
E nos últimos 30 anos, pesquisas lideradas pelo Prof. David Lewis Williams 
da University of the Witwatersrand no Sul da África, e muitos outros, tem sugerido uma intrigante e radical possibilidade, que essa emergência da consciência foi desencadeado 
pelo encontro dos nossos ancestrais com plantas visionárias e o começo do xamanismo. 

Se analisarmos as pinturas em cavernas muitos detalhes deixam claros que tratam-se de estados alterados de consciência de visões. 


E que plantas como o cogumelo Amanita Muscaria ou o psilocybin parecem ter uma ligação direta com essa mudança repentina e radical.
Então para investigar essa possibilidade, eu fui até a Amazônia, onde ainda existem culturas xamânicas que bebem o poderoso e visionária bebida chamado ayahuasca que tem como o seu ingrediente ativo o Dimethyltryptamine (DMT), que é intimamente relacionado no nível molecular com o psilocybin...

Ayahuasca 

... o que nos leva ao impulso cosmogênico criativo da ayahuasca nas pinturas dos xamãs amazônicos da ayahuasca  do Peru, como as pinturas de Pablo Amaringo aqui, com cores ricas e a surpreendente visão que elas reproduzem.
E esses impulsos criativos tem também se espalhado por artistas do Ocidente.
Muitos artistas do Ocidente tem sido influenciado pela ayahuasca e também estão pintando suas visões. E o que essas pinturas mostram como uma outra experiência universal da ayahuasca, é o encontro com entidades aparentemente inteligentes, que aparentemente se comunicam conosco telepaticamente.
Agora; eu não estou fazendo nenhuma reivindicação que os encontros com essas entidades são reais, estou simplesmente dizendo que fenomenologicamente na experiência com ayahuasca elas são encontradas por pessoas em todo o mundo.
E o mais frequentemente de todos é o espírito da ayahuasca, a mãe ayahuasca, que é curadora e que embora é a mãe deusa do planeta, ela tem um interesse pessoal direto por nós como individuais, para nos curar de nossas doenças, e querer que nos tornamos os melhores que possamos ser para corrigir erros em nosso comportamento que pode estar nos encaminhando para o caminho errado, e talvez seja por isso que essa é uma história que não foi contada, 

Ayahuasca tem sido extremante bem sucedida em curar pessoas de vícios em drogas destruidoras como heroína e cocaína.

O Julgamento de Osíris

"... A mãe ayahuasca me deu uma inacreditável chamada de atenção, ela me colocou 
por uma espécie de revisão da vida, e não é por acidente que ayahuasca é a "videira dos mortos".
Ela me mostrou minha morte, ela me mostrou se eu morresse, o que me esperava depois da morte 
se eu não corrigir os erros que fiz durante a vida.
E que isso seria uma coisa muito ruim para mim, e na verdade mãe ayahuasca me levou literalmente para o inferno, e esse inferno era parecido com essa pintura do inferno pintado por Jeronimus Boch - Um lugar verdadeiramente terrível, que os Egípcios antigos chamavam de "O julgamento de Osiris", 
onde almas são pesadas em balanças na presença dos Deuses, contra a pena da verdade e da justiça da harmonia cósmica.
... E isso me faz perguntar o que é a morte? Nossa ciência materialista reduz tudo em matéria, 
a ciência materialista no ocidente nos diz que somos somente carne, somente um corpo, e se o cérebro morre, isso é o fim da consciência, não existe vida após a morte,  não existe alma, nos simplesmente apodrecemos e desaparecemos.
Mas, na verdade, muitos cientistas honestos deveriam admitir que consciência é o grande mistério da ciência, e que nós não sabemos exatamente como isso funciona.
O cérebro está envolvido com isso de alguma forma, mas nós não sabemos como.
Poderia ser que o cérebro gera consciência, da mesma forma que um gerador gera eletricidade se você acreditar nisso, mas claro que você não acreditaria em vida após a morte, pois se o gerador quebra, a consciência desaparece.
Mas é também possível, pois nada em neurociência é descartado que a relação é mais uma relação entre sinal de TV com o aparelho de TV, e nesse caso, 

quando o aparelho de TV quebra, claro que o sinal de TV continua.
E isso é o paradigma de toda tradição espiritual, que nós somos almas imortais 

que estamos temporariamente encarnados nessa forma física, para aprender, crescer e desenvolver.
E na verdade se realmente queremos saber sobre esse mistério, as últimas pessoas 
que deveríamos perguntar, é para nossos cientistas materialistas e reducionistas.
Eles não tem absolutamente nada a dizer a esse respeito.

Guerra à Conciência 

É interessante que a árvore da vida dos antigos Egípcios, tem sido recentemente identificada como acacia nilotica, que contém altas quantidade de DMT, Dimethyltryptamine, o mesmo ingrediente ativo 
encontrado na ayahuasca.
É difícil imaginar uma sociedade mais diferente do que a sociedade antiga Egípcia do que a nossa.

A nossa sociedade odeia estados visionários. Em nossa sociedade, se queremos insultar alguém, o chamamos de sonhador, em sociedades antigas isso era elogio.

E, nós demos início a grandes aparatos armados, burocráticos que invadem nossa privacidade, que vão arrombar nossas portas, que nos prenderão e mandarão para a cadeia, as vezes por anos, por possuir pequenas quantidades de psilocybin, ou substâncias como DMT, seja para fumar ou em 
forma da bebida ayahuasca.
E ironicamente, hoje sabemos que DMT é um hormônio natural do cérebro que carregamos 
em nossos corpos, e que suas funções permanecem desconhecidas por falta de pesquisas.
E não que nossa sociedade é oposta por princípios à estados de consciência alterados, pois bilhões são ganhos pela "santa" aliança de psiquiatras e indústrias farmacêuticas, prescrevendo demasiadamente drogas para controlar (as chamadas) síndromes, como depressão ou transtorno de déficit de atenção em adolescentes.

No entanto adoramos álcool, nós glorificamos esta que é a mais chatas das drogas, apesar das consequências que ela frequentemente trás.

E claro que adoramos nossos estimulantes, como chá, café, bebidas energéticas, açúcar, e indústrias enormes são formadas ao redor dessas substâncias, que são valorizadas pela forma que alteram a consciência.
Mas o que todos esses alteradores de consciência aprovados tem em comum é que nenhum deles contradiz ou entra em conflito com o básico estado de consciência valorizado por nossa sociedade, o que eu chamaria de um estado de consciência alerta e resolvedor de problemas, o que é bom para os aspectos mais mundanos da ciência, é bom para perseguição, é bom para o comércio, para política, mas eu acho que todos nós entendemos que a promessa de uma sociedade demasiadamente monopolizada e baseada nesses estados de consciência tem se provado vazia, e que esse modelo de sociedade não está mais funcionando; que está quebrada em todos os sentidos possíveis em que um modelo possa falhar.
E devemos encontrar com urgência algo para o substituir.

Vastos problemas com a poluição global, que resultaram pelo pensamento único 
da busca de lucros, os horrores da proliferação nuclear, o fantasma da fome de milhões que vão para a cama toda a noite com fome, e nem esse problema conseguimos resolver. Apesar de nosso estado de consciência alerta e resolvedor de problemas.

E olhe o que está acontecendo na Amazônia, o pulmão de nosso planeta, esse precioso abrigo de biodiversidade. Essa floresta tão antiga vem sendo cortada e substituída por plantações de soja para alimentar gado, para que possamos comer hambúrguer.

Só um verdadeiro insano estado de consciência global permitiria que tal abominação ocorra.

... E isso seja talvez a razão, que xamas da Amazônia estão montando um tipo de atividade reversa missionária, quando eu perguntei aos xamas sobre insanidade do Oeste, eles disseram: 
"É bem simples, vocês cortaram suas conexões com os espíritos, a menos que vocês se reconectem com os espíritos, e façam isso rápido, o castelo de cartas desmoronará nas suas cabeças, e nas nossas".

Certo ou errado eles acreditam que ayahuasca é o remédio para essa insanidade, 
E muitos agora estão sendo chamados na Amazônia para beber ayahuasca. E ayahuasca xamas estão viajando por todo o ocidente oferecendo a bebida, por baixo dos panos, arriscando-se pessoalmente, para trazer mudança de consciência. E é verdade dizer que a mensagem da ayahuasca, a mensagem universal é sobre a sagrada, encantada e infinita preciosa natureza da vida na terra.
E a interdependência dos elmos materiais e espirituais. É impossível fazer trabalhos com ayahuasca por muito tempo, sem ser profundamente afetado por essa mensagem. E não vamos esquecer que ayahuasca não está sozinha, e que é parte de uma antigo sistema mundial alvejado cuidadosamente na alteração responsável da consciência.
Foi recentemente mostrado por estudiosos que os kaikions usados enos chamados "Mistérios Elêusis" na Grécia antiga, era quase com certeza uma bebida psicodélica. E que os Soma dos Vedas poderia muito bem ter sido uma bebida feita do cogumelo Amanita Muscaria Temos o DMT na árvore da vida 
dos Egípcios. Temos toda a cultura global do xamanismo sobrevivente. E isso tem tudo a ver com o estado de consciência desenvolvido para ajudar-nos a encontrar harmonia e balanço que os Egípcios antigos teriam chamado isso de conexão com o universo e manter-se atento para o que estamos aqui para realizar na Terra, enquanto imerso em matéria é fundamentalmente uma jornada espiritual com o objetivo do crescimento e aperfeiçoamento da alma.

Uma jornada que pode retornar as origens do que nos fez humanos em primeiro lugar.

E eu estou aqui encovando o direito de liberdade de expressão. Para pedir e demandar outro direito a ser reconhecido, e esse é o direito de liberdade 
do adulto sobre sua consciência. 

Existe uma guerra contra a consciência em nossa sociedade, e se nós, como adultos não somos permitidos de tomar decisões soberanas sobre o que experienciamos com nossas próprias consciências, 
sem trazer nenhum dano a outros, incluindo a decisão de usar antigas 
plantas visionárias e sagradas de forma responsável.
Então não podemos nos considerar livres de forma alguma.

E é inútil para nossa sociedade ir em todo o mundo impondo nossa forma de democracia em outros, enquanto nutrimos essa podridão no coração de nossa sociedade. E não permitimos liberdade individual sobre a consciência.

Talvez isso até seja que estamos rejeitando nosso próximo degrau vital na nossa própria evolução, simplesmente para permitir que essa situação continue.

Texto adaptado a partir da transcrição da palestra

Legendas pela comunidade Amara.org 

* Graham Hancock (Edimburgo, Escócia, 2 de agosto de 1950) é um jornalista e escritor britânico. Seus livros incluem Lords of Poverty, Em Busca da Arca da Aliança, As Digitais dos Deuses,Keeper of Genesis (lançado nos EUA como Message of the Sphinx), O Mistério de Marte, Heaven's Mirror (com a esposa Samantha Faiia), Underworld: The Mysterious Origin of Civilization eTalisman: Sacred Cities, Sacred Faith (com Robert Bauval).

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Povo Navajo cria programa "Adote um Ancião"




O programa pretende criar uma ponte da esperança entre os americanos nativos e outras culturas.

"Ela nos permite chegar a um outro, partilhar nossos dons , e consertar o círculo quebrado da nossa relação com a terra e os nativos americanos que segurá-la no dever sagrado." Explica o site oficial do programa.

O programa suporta os anciãos tradicionais que vivem nas tradições culturais e espirituais do povo Navajo " maioria vive em partes remotas da reserva Dine ( Navajo ). Vivem em Hogans (habitações tradicionais) , e criam algumas ovelhas como um meio de se manterem ..

Lutie Cly (pequeno)

O Programa fornece alimentos, medicamentos simples , roupas , tecidos e fios para ajudar essas Elders viver na Terra em seu estilo de vida tradicional. Como eles se tornaram idosos , tornou-se mais difícil para eles para se sustentar na Terra em suas formas tradicionais .

Milagres do céu : O Programa é organizado  dentro da tradição nativa do Círculo "Giveaway" (Deixar ir). O Círculo Giveaway tem uma tradição de dar o melhor que temos. Isso pode ser um presente de tempo, talentos ou habilidades , ou doações de alimentos e roupas. Quando perguntado o que as caixas de alimentos e roupas significava para ela , Ruth Benally explicou que eles eram como " milagres do céu . " O milagre é as cartas e presentes que chegam de pessoas que eles não conhecem e nunca pode atender.

Para mais informações sobre o fundo e âmbito do Programa visite o site : Adopt- A - Native

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Embiaras Petroleiras

Quando vou para o interior sempre aprendo uma coisa nova. Neste fim de semana foi essa: “galinha que canta de galo é mau agouro, vai logo para a panela”. Deixa as feministas saberem disso!

Bem, eu não sou machista, as mulheres que passaram em minha vida é que eram

Mas vamos ao que interessa. A bola da vez é ... petróleo

Eu, é claro, sou sempre a favor do progresso, do desenvolvimento e do crescimento econômico.

Imagine só o quanto de renda irá gerar o petróleo para a região?

Assim, teremos não mais apenas UM Camaro Amarelo , mas meia dúzia deles cruzando as largas avenida de nossa megalópole.

Em breve poderemos reivindicar o status dos países sauditas: os maiores PIB, com as piores distribuições de renda do planeta.

Mas falar contra o petróleo é um tabu tão grande que pouca gente ousa. A unanimidade burra se instalou definitivamente na política acreana. Situação e oposição são favoráveis à exploração. Revelam o que já deveria ser “óbvio e ululante” (mais uma vez Nelson Rodrigues): a aparente disputa de “idéias” apenas mascara a verdadeira disputa que é pelas benesses do estado, sem a qual a “pujante” e “competitiva” classe empresarial acreana, não sobrevive.

Talvez Henrique Afonso pudesse ter o diferencial caso se lançasse como terceira via e candidatura anti-petróleo. Perderia, mas marcaria terreno na política e na história. Preferiu seguir o mesmo caminho de 

Marina Silva: trocou a coerência pelo pragmatismo.

Muito curioso em saber o que vai dar o cruzamento de vaca mecânica com ambientalista cristão.

Do ponto de vista do coeficiente eleitoral dos dois, a chapa é forte. Mas os dois estavam há bem pouco tempo em campos opostos no que se refere à questão ambiental: Henrique dizendo que a FPA perdeu o foco da sustentabilidade, e Bocalom dizendo que sustentabilidade é balela. Bom mesmo é monocultura de soja.

São muitas fissuras que serão exploradas pelos adversários.

Encontram o tom comum do discurso lá no gênesis, onde diz que a natureza deve servir ao homem.

Ufa! Que bom, pensei que estivéssemos lutando para preservar água, ar, terra e florestas para alguma raça de alienígenas!

A cantilena de Bocalom é a mesma de sempre: “entre preservar a vida de um macaco e de uma criança, eu prefiro preservar a vida da criança.”

A pergunta é: o que fará um pai, quando não tiver nem macaco para alimentar as crianças?

Certamente terá que procurar um lugar na fila da vaca mecânica, para receber sua cota de leite de soja.

O que ninguém quer falar e nem mostrar é que experiências com petróleo na Amazônia são desastrosas. 

Vazamentos são muito difíceis de serem contidos, praticamente impossível nos populares “baixos” (várzeas).

Com tanta gente doida para lucrar, lutar contra o petróleo parece ser causa perdida. Mas deveríamos fazê-lo, nem que seja para dizer “eu te disse” quando o primeiro vazamento ocorrer. E ele vai ocorrer.

Quando ocorrer, teremos contaminação de água e solo, prejudicando seres humanos que dependem diretamente do meio ambiente para sobreviver. Mercadores são como gigolôs da natureza, que a exploram para alimentar sua vaidade.

Se criticam os ambientalistas por estarem em “gabinetes” e “poltronas”, o mesmo pode ser dito dos “desenvolvimentistas”, que compram sua feira no supermercado.

Acho engraçado quando ouço petistas dizendo que o petróleo vai “combater a miséria”. Os companheiros deveriam no mínimo ser coerentes com a história do partido que sempre defendeu que a causa da miséria é a má distribuição de renda e não a falta dela. Quem defendia que deveria crescer o bolo para depois dividí-lo era Delfim Neto, economista da ditadura. 

Acho interessante que sempre se faz esta oposição: “humano x natureza, quem é mais importante?” Talvez a pergunta que deva ser feita seja: “humano X dinheiro, quem, é mais importante?”   

Na prática estão oferecendo dinheiro para que abandonemos nossas vidas supostamente “miseráveis”, quando na verdade não atentamos para a riqueza que é viver aqui, cercado de floresta, e em relativa paz. 

Algo que nas cidades onde o “progresso” já tocou, não existe mais.

Esta é a verdadeira miséria: não enxergar a riqueza em que se vive.

Deveríamos atentar também para as questões econômicas e sociais trazidas pelo petróleo. Podemos esperar mais concentração de renda. Quem já tem vai ter mais e quem não tem terá que pagar mais caro por tudo na cidade. Pode-se esperar mais especulação imobiliária. Aumento no preço da cesta básica, também. 

Alguém acha que a gasolina vai ficar mais barata por conta disso?

Com tantos engenheiros, técnicos e trabalhadores circulando pela cidade, a única coisa que vai ficar mais barato vai ser o preço do chifre.


Já que nem a defesa dos rios, peixes e florestas parecem mobilizar os cruzeirenses, quem sabe a perspectiva de ser corno possa despertar o que resta do brio dessa brava gente.        

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Amansando os Brabos

Muita gente estranhando e até revoltada com o convite feito ao deputado estadual Denilson Segóvia (PEN) para que o mesmo participasse do Festival Yawanawá, realizado este mês de outubro na Aldeia Novas Esperança, Rio Gregório.

A primeira reação é ver no convite um “desrespeito” com os povos indígenas convidar o deputado que recentemente em um rompante fundamentalista e anti-indígena acusou a cultura indígena de “atrasada”, condenado a pedofilia e a embriagues, supostamente presentes nas aldeias (e, na visão do deputado, aparentemente inexistente nas ruas das cidades acreanas).

O deputado-pastor também atacou a religiosidade indígena, denominada de forma genérica como “pajelança”.

Bem, quero dizer aos colegas jornalistas e antropólogos que não compartilho deste ponto de vista.
Conhecendo um pouco da história do povo Yawanawá, vejo que estender o convite ao deputado é mais uma prova da força deste povo, que não teme preconceitos e sabe lidar muito bem como fundamentalistas como Segóvia.

Os Yawanawá já fizeram o favor, para si e para o mundo, de botar para correr os missionários protestantes dos EUA que dominaram o povo por cerca de uma década. Desde então, vêem lutando pelo reavivamento e manutenção de sua cultura original.

A cerimônia espiritual com a ayahuasca, chamada “pajelança” fornece os elementos necessários para o resgate e aperfeiçoamento dos cantos, orações e ideogramas simbólicos (os kenês, utilizados nas pinturas corporais e em adornos), de uso proibido por décadas pelos missionários.

Mas, vejo muito mais que isso por trás do gesto. Lembre-me de uma conversa que tive com o antropólogo Terry Aquino.

Dizia ele, enquanto nós os “brancos”, falávamos de “amansar os brabos”, os índios também adotavam comportamento semelhante. Ou seja, em alguns casos esta aproximação com os “brancos” foi intencional pela parte dos indígenas.

Para eles estavam também “amansando os brabos”, no caso, seringalistas e seus empregados que partiam com toda a fúria em busca das árvores-de-leite, passando por cima de quem estivesse no caminho. Para estes famintos, entregar um veado abatido, poderia lhes aplacar a ira motivada pelo preconceito e pela ignorância e iniciar a partir dali, uma história de contato, mais vantajosa aos indígenas.

Os Yawanawá são prodigiosos nisto, sabem conquistar e cativar pela simpatia, pela simplicidade e pela autenticidade.

Além disso, seus principais líderes são mestres na arte da diplomacia. Não é à toa que os Yawanawá hoje possuem aliados ao redor do mundo, uma aliança que a cada dia torna-se mais forte.

A ignorância do deputado-pastor da “gospelândia” não afeta em nada estas alianças, pelo contrário, somente as fortalece ainda mais, ao fazer o mundo conhecer a mentalidade do parlamentar acreano, em nada diferente aqueles “brabos” chegaram no início do século XX.

Fico imaginando a grande satisfação dos líderes Yawanawá, ao verem o deputado-pastor entre o público presente, inevitavelmente se encantando com os cantos, danças, brincadeiras e lutas ensaiadas. Ouvindo a palavra dos “sheni” (sábios) e dos “shaneihu” (líderes) enquanto queima a fumaça do “sipá” (incenso natural).


Com sua cultura rica e encantadora, os yawanawá sabem como ninguém como é que se faz para “amansar os brabos”.

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Pajelança vai bem, obrigado

O recente episódio envolvendo a declaração estapafúrdia do deputado estadual Denilson Segóvia (PEN) de que os costumes indígenas “são culturas destruidoras da moral, da cultura da bebedeira, da pedofilia, da pajelança” têm rendido boas polêmicas na imprensa e nas redes sociais.

Mas não surpreende, é apenas mais uma abobrinha da “Gospelândia”, o estado teocrático em que está se convertendo o Acre. Um lugar onde cada vez mais os argumentos  são menos importantes de que a crença religiosa.

Ainda assim, a declaração do deputado-pastor não poderia ser mais imprópria: nossa própria sociedade acreana é pródiga na bebedeira e na pedofilia.

Quanto à pajelança, vai bem obrigado.

A tradição de mais de cinco mil anos, nascida nestas florestas e não nos desertos estéreis do oriente médio, sobreviveu a séculos de opressão e perseguição e hoje, em torno dela, os povos indígenas voltam a se reorganizar.

Enquanto isso, os limitados padrões ditos “evangélicos” procuram seguir os ditames de um velho testamento, “satanizando” o uso das pinturas corporais, os cantos, as danças, e o uso ritualístico das plantas de poder, entre elas, a ayahuasca.

Em nada disso há a chamada “Boa Nova” anunciada por Jesus Cristo. Há apenas o repetido eco dos velhos preconceitos praticados nas sinagogas dos fariseus.

Entre as diversas organizações missionárias, destaco o trabalho de duas. O CIMI, ligado à Igreja Católica e o COMIM, ligado à Igreja Luterana (e portanto, evangélica). Estas duas organizações há muito abandonaram o conceito ultrapassado de que para “levar a Boa Nova” seja necessário destruir costumes, tradições, enfim, uma cultura.

Ambas as organizações trabalham com a ideia de que levar a "Boa Nova"seja na verdade lutar para que os povos indígenas tenham reconhecidos os seus direitos à terra, à saúde, à educação e principalmente, o direito de terem estes direitos reconhecidos sem que para isso tenham que se adequar aos preconceitos ditos cristãos.

O ataque às culturas indígenas perpetrado pelo deputado-pastor no mesmo tempo em que circula na internet a farsa “Hakani” tem objetivos políticos bem claros.

Demonizar ou ridicularizar a cultura indígena parece ser vital para a sobrevivência de ruralistas e madeireiros, atividades que dependem de constantes avanços sobre áreas de florestas.

Ocorre que, os povos indígenas, além de ocuparem estas áreas preservaram um sistema de relação com o universo que se opõe frontalmente ao pré-capitalismo do agronegócio.
“Evangelizá-los” significa entre outras coisas torná-los mais dóceis para aceitar a destruição de suas áreas naturais, enquanto avançam os tratores e motosserras. Afinal como disse um pastor evangélico aos Yawanawá “índio precisa de deus, e não de terra”.

Enquanto isso, os descendentes de Abraão e Moisés na sua sacro-santa Israel, cuja bandeira é idolatrada nas “Marchas para Jesus” continuam a expulsar palestinos de sua terra natal, mesmo que para isso seja necessário cometer os mais abjetos crimes, entre eles, o infanticídio.

A cultura indígena tem cada vez mais ultrapassado o limite das aldeias e alcançado corações e mentes até mesmo nos grandes centros urbanos do mundo. Talvez isso aconteça por oferecer respostas aos grandes dilemas do terceiro milênio, algo que o calvinismo protestante em que o capitalismo está fundamentado, já se demonstrou incapaz.

A chamada “pajelança” a que o deputado–pastor se refere sem um pingo de conhecimento do assunto, trata, entre outras coisas, de colocar o homem em seu verdadeiro lugar no universo: ao lado da criação e não acima dela.

E talvez essa sim, seja a verdadeira “Boa Nova” de que necessitamos para viver em um mundo de paz, harmonia e abundância para todos.

* Na foto o centenário “Sheni”(sábio, pajé) Vicente Yawaraní, guardião da cultura e da memória da ancestralidade Yawanawá

Leandro Altheman

sábado, 12 de outubro de 2013

Nuke Kenê, Xarakapá *

Compreendo que seja prosaico que o apresentador do principal telejornal da cidade não apenas utilize adornos indígenas, mas como despudoradamente os exiba ao vivo.
Para quem não sabe, não é de hoje que ando com os “kenês” (palavra de amplo significado, mas que designa principalmente os desenhos em padrões que representam a identidade indígena). 
Desde minhas primeiras reportagens, sempre usei os “kenês”, não apenas como forma de me enfeitar, mas sobretudo como forma de homenagear aos primeiros habitantes desta terra.
A diferença é apenas que literalmente “arregacei as mangas”, deixando-os à mostra.
Até o momento não houve repreensão por parte da direção da emissora, que é quem literalmente, paga o meu salário.
No entanto já tem gente reclamando nas redes sociais. No status de um conhecido professor da cidade foi postado: “Imagine se Willian Bonner apresentasse o Jornal Nacional com aquelas pulseiras”.
Bem, o fato é que nem eu sou William Bonner e nem o professor ministra aulas na UFRJ, na USP ou na UNB. Ou, nas palavras de Elza Soares “posso não ser a garota de Ipanema, mas você também não é o Tom Jobim”.
O professor deve saber que a Aldeia Nova Esperança no rio Gregório está bem mais próxima dos estúdios da TV Juruá, do que os transmissores da Rede Globo, no Rio de Janeiro.
Como educador deveria saber que não podemos construir uma realidade melhor para nossa região, forjando-a com base em outra realidade distante, enquanto viramos as costas parta a nossa.
A história dos kenês me lembra a história de uma advogada negra nos EUA, que foi admoestada pelo seus superiores por esbanjar uma bela cabeleira afro. Disseram-na que era por demais “étnico”.
Ora, qualquer educador, minimamente preparado sabe que ditar roupas, costumes, moda, podem se tornar um instrumento de dominação, de padronização, onde não há lugar para o diferente.
Podem argumentar que não sou índio. De fato não sou. Mas carrego no sangue de minhas veias um juramento na qual compartilho uma cosmovisão de mais de cinco mil anos. Com a mesma tranquilidade com que pessoas públicas, da política ou da comunicação, citam versos bíblicos, orgulhosamente exibo os meus kenês.
Em um momento em que jovens brasileiros adotam o nome de algum dos 180 povos indígenas do Brasil como forma de somar-se a luta dos primeiros habitantes, usar os meus “kenês” ao vivo não deixa de ser também um ato político, e por que não dizer, educativo.

*Nosso "Kenê" é bonito