quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Já tá passando da hora!

E por falar em Marinha. Um dia desses tive vontade de fazer um colega meu "andar na prancha", como faria um antigo capitão diante de uma insubordinação.

Há alguns meses atrás, um colega de trabalho, que em tese seria meu subalterno, fez um duro questionamento à minha postura em uma reportagem. Disse-me que eu havia sido “parcial”e faltado com a ética. Crítica pesada. Mais tarde, depois do pôr-do-sol, de cabeça fria tive que lembrar que estava no século XXI e que tais práticas tão eficazes consagradas nos sete mares, infelizmente não poderiam ser mais utilizadas.

Na verdade, decidi que um sujeito que tem a coragem de dizer abertamente que discorda de uma posição, é exatamente o tipo de pessoa que preciso do meu lado para que meu trabalho seja cada vez melhor.

Este preâmbulo serve apenas para ilustrar o verdadeiro objeto desta postagem que é a questão sobre a mudança de fuso horário. Não se trata mais de discutir se o melhor horário é o antigo ou o atual. O povo já decidiu isso no referendo de 2010. A questão agora é cumprir o que o povo decidiu. Isso tem se tornado um problema ainda maior na medida em que firulas jurídicas são encontradas para justificar o não-cumprimento da vontade popular.

Para a população a leitura é simples: sua vontade não está sendo respeitada. Trouxe-me alívio a posição publicamente assumida pelo senador Jorge Viana de que o desejo popular manifesto no referendo será respeitado. Mas as complicações jurídicas do problema são percebidas pela população em geral apenas como “interesses escusos” do atual horário. Sejamos francos: uma questão jurídica só se torna uma questão, se há interesses a serem representados. E esses interesses já estão mais do que evidentes para todo mundo. Precisa dizer mais?

Esse é um problema político sim, e tentar abstrair a questão política desta equação trará conseqüências políticas aos envolvidos. Como bem disse o jornalista Mariano Maciel se essa fosse uma questão religiosa seria decidida pelo Papa, mas está sendo decidida em âmbitos políticos, sejam as urnas, ou o legislativo. Talvez por esta razão seja melhor chamar o antigo horário de ao invés de “Horário de Deus” simplesmente de “Horário do Povo”. Aliás, é bom que se diga que a alcunha “Horário de Deus” surgiu naturalmente nos ramais, seringais e aldeias do Vale do Juruá, muito antes de Flaviano Melo, Tião Bocalon e Sérgio Petecão pisarem por aqui. Não foi uma invenção da oposição, e se fosse talvez nem tivesse virado jargão comum na boca do povo. Eles apenas como políticos experientes que são, souberam “surfar na onda” do desejo popular, enquanto os que insistem em ir contra esta vontade, estão se afogando nesta mesma onda. Como diz o ditado popular: “boi lerdo bebe água suja”.

Mais uma vez sejamos francos conosco mesmo: a oposição na verdade é muito fraca. Fossem partidos de esquerda a defenderem a questão, o povo já estaria nas ruas.

É triste perceber que o posicionamento do bloco situacionista do Acre tem sido a antítese do slogan de Governo “Servir ao Povo”. Servir ao Povo neste caso seria simplesmente fazer valer a vontade popular. O acirramento da questão no campo político e o conseqüente desgaste seriam evitáveis simplesmente apreciando e honrando esta vontade. Mas para quem esta cercado de opiniões comprometidas é difícil enxergar isso. O debate infrutífero sobre uma questão já decidida nas urnas toma espaço desnecessário na mídia, justamente agora em que o governo dá sinais de uma arrancada sem precedentes nos campos da produção e na conclusão de obras que estão no âmago dos sonhos de qualquer acreano.

Já está passando da hora em reconhecer que quem é por direito o verdadeiro dono deste estado é o povo acreano e que a sua vontade tem que ser respeitada.

A reportagem saiu no SBT Nacional.

Leia mais também: "O Acre está prestes a entrar em ato de desobediência civil."

* Na ilustração é o famoso relógio de Salvador Dali, só para lembrar o quão SURREAL é essa situação.

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Meus tempos de Marinha (3): A Ilha dos Amores ou a Festa das Enfermeiras

Há temas que são recorentes em novelas de marinharia. Tempestades, Criaturas monstruosas, sereias encantadoras e perigosas e é claro: A Ilha dos Amores, que surge como recompensa para os perigos enfrentados.
Camões dedicou um episódio inteiro a este tema que já aparece em romances muito anteriores como na própria Odisséia de Homero. É fácil entender que os marinheiros passando por perigos e sofrendo delírios e distorções de percepção comuns a quem passa muito tempo embarcado, também criassem esta quimera de que encontrariam em algum lugar paradisíaco, ninfas ardendo de desejo que lhe proporcionariam a satisfação de seus prazeres. Ulisses encontra a ilha da bela Calipso (sim, é dela que sai o nome deste ritmo musical tão popular na região amazônica). Para os marinheiros de Vasco da Gama este encontro foi ditoso, com os marinheiros se deliciando com as belas, enquanto o próprio Vasco da Gama recebe de sua musa, a orientação segura para navegar.

Há também ao menos um episódio real em que a vida realmente imitou a arte. O Bounty, navio britânico comandando na base da chibata pelo capitão Bligth, acabou sogrendo um dos mais famosos motins da história da navegação, depois que os marinheiros foram recebidos como "todo amor" pelas belas nativas de uma ilha do pacífico sul, proximo onde hoje está o Taiti.

Enquanto marinheiro, não-embarcado, mas aquartelado, tive também um episódio de "Ilha dos Amores". Foi a noite da Festa das Enfermeiras, que hoje compartilho com os poucos, mas valiosos leitores deste blog.

Havia, na enseada vizinha à nossa unidade em Angra dos Reis, um famoso hotel que recebia convidados ilustres. De alguma maneira ficamos sabendo que naquela noite haveria uma "festa das enfermeiras" no referido hotel. Foi oi suficiente para aguçar a imaginação de nossas mentes pueris.
Naquele tempo, era um dos mais novos da minha turma. Com apenas 16 anos, de baixa estatura e com cara de doze, claro que a princípio a idéia era me deixar de fora dessa. Mas o fato é que apesar da tenra idade havia acumulado uma habilidade imprescidível para a "operação". Isto por que a saída para a Festa das Enfermeiras dependia de uma fuga noturna pelas matas que circulavam a unidade, incrustrada na Serra do Mar e um retorno de madrugada que não levantasse suspeitas. Mais do que isso, deveríamos passar literlamente pelas costas de um fuzileiro naval que cuidava da saída, o que significava andar à noite sem lanterna. Naquele tempo eu era o único na turma capaz de tal manobra.

Tendo realizado os preparativos, nos embrenhamos na mata, comigo à frente. Os outros totalmente cegos fizeram uma fila atrás de mim, cada um segurando na bitaca na calça do colega à frente. Lembro-me como se fosse hoje o coração querndo saltar à boca, enquanto despistávamos o fuzileiro e ganhavamos a mata. Em fila e quase totalmente cegos seguimos pelo estreito caminho pode cerca de meia hora até que pudessemos acender às lanternas. Caminhavamos em meio aos sons noturnos e misteriosos que preenchiam a floresta.
Com mais de meia hora de subida, começamos a descer, nos deparando com as primeiras casas de uma vila de pescadores.
Quando a Floresta se abriu deparei-me com uma cena que até hoje permanece viva em minha memória: acima de nós a Lua Cheia mais linda que já havia visto, à frente o mar prateado, a vila de pescadores com os barquinhos descançando no porto, a areia alvíssima e atrás de nós a floresta de onde ainda podíamos ouvir o som mdos pássaros noturnos. A cena, somada à sensação de liberdade que o momento proporcionava, ficaram cravados em minha memória e naquela noite em diante, soube que jamais suportaria viver sem liberdade, sem aventura, sem emoção.

Bem, e as enfermeiras?

Caminhamos por mais meia hora sobre a areia fofa. Descalços para evitar o barulhinho desagradável que ela fazia sob nossos sapatos. Finalmente chegamos á tal "festa".
Encontramos na verdade meia dúzia de enfermeiras idosas e embriagadas ao som de Maria Betânia. Tomamos um drink e demos meia volta, a maioria xingando o destino.

Eu não, pois naquela noite, a Lua, O Mar e a Floresta, haviam me bastado. Foram eles os melhores companheiros que se pode ter em uma jornada em busca de aventura e liberdade.

Meus tempos de Marinha (2)

Muita gente se pregunta por que que o Jack Sparrow anda daquele jeito meio trôpego, cambaleante. A explicação mais comum é que seja devido a uma embriaguês crônica de rum caribenho. Na verdade exitem dois fatores.
Além do rum, marinheiros que passam muito tempo embarcados acabam desenvolvendo uma certa tolerância ao efeito desorientador do balanço do mar. O Órgão responsável pelo equilíbrio, o labirinto, depois de algume compensa este efeito, o problema é que quando desembarcamos, o mar por assim dizer "permanece" na gente e acabamos andando no porto, pelo menos nas primeiras horas, meio cambaleantes como se estivesemos no convés de um navio. Se isso aconteceu comigo após uma viagem relativamente curta entre Angra dos Reis e Parati, em um litoral relativamente tranqüilo, fico imaginando como não deveria ser para os marinheiros da gloriosa era dos veleiros, que passavam meses embarcados em navios muito mais suceptíveis ao balanço do mar, enfrentando tempestades no meio do atlântico, por exemplo. Aí sim, somem a isso o rum caribenho e entenderemos por que que Jack Sparrow anda daquele jeito.

Meus tempos de Marinha (1)







Quiz Show:

O que Jack Sparrow, Popeye e Leandro Altheman têm em comum?
Resposta: os três já serviram a Marinha.

Com a chegada do Navio Hospital a Cruzeiro do Sul não há como deixar de lembrar de meus tempos de Marinha, até porque normalmente neste período acabou sempre reencontrando velhos conhecidos.
Fiz o meu ensino médio no Colégio Naval, o que equivale dizer que servi a Marinha do Brasil, entre os anos de 1989 e 1991. Deste período muitas lembranças e embora não tenha seguido a carreira militar-naval, devo a este período muito do que sou até hoje.

Demoraria horas tentando definir o quanto foi forte na formação de meu caráter este período em que estive na Marinha. Talvez um dos traços mais fortes seja o sentimento de grupo, aquela teimosia obstinada de capitão que afunda junto com o navio mas não abandona sua tripulação. Assim sou ainda hoje com a minha equipe de jornalismo, por exemplo.

Outro traço é que não suporto dedo-duro e para mim é uma das maiores provas de falta de caráter quando alguém denuncia um colega de trabalho a um superior, por exemplo, por alguma falta cometida. Na Marinha aprendemos a resolver nossos prórios problemas, nem que isto custe alguns hematomas e cicatrizes.

Mas eu tinha pensado em começar esta postagem na verdade, desmitificando esta história de que "na Marinha tem muito viado". Na minha turma por exemplo, de 200 pessoas, só tinha um e foi definitivamente defenestrado durante uma tentativa tresolucada de "atacar" um colega à noite. Nada contra as preferências sexuais de cada um, mas atacar um colega, é complicado, independente de qual seja o sexo do envolvido. Mas o fato é que 0,5% é uma proporção pequena se comparado com qualquer outra categoria. Todo mundo sabe que no Exército esse número é bem maior. A diferença é que lá eles são... camuflados...rsrsrs

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

1984: A verdadeira história do "Big Brother"


Muita gente já sabe, mas outro tanto desconhece qual é a verdadeira história por trás da expressão "Big Brother". Lembrei disso quando percebo que a Globo continua ingerindo na vida pública e particular das pessoas, determinando horários de jogos de futebol e mudando o fuso horário de um estado inteiro como é o caso do Acre, isso é claro além de ditar modas e comportamentos ao seu bel prazer.

A expressão "Big Brother" (para quem não é fluente em inglês: "Grande Irmão") foi cunhada pelo escritor britânico Geogre Orwell, na verdade pseudônimo de Eric Arthur Blair. Orweel foi um militante socialista que aderiu às teses de Trotsky, em oposição às de Stalin e que lutou na Guerra Civil Espanhola no PSOU (Partido Socialista Obrero Unificado), braço trotskista que juntamente com anarquistas e socialistas de outras vertentes formou o exército republicano que lutou contra os monarquistas e os fascistas do general Franco, durante uma das mais sangrentas guerras que a humanidade conheceu. Metade da população espanhola sucumbiu diante dos fuzis, da fome e das doenças consequentes às batalhas.

Orwell tornou-se um crítico feroz de regimes totalitários, não poupando de suas críticas o modelo stalinista da URSS. Em 1949 publicou o livro "1984", . Neste livro, Orweel criou uma sociedade totalitária, onde as televisões eram vias de mão dupla, ou seja, quem a assitia, também era assistido por ela. Na prática isso siginicava um controle de toda vida pública e particular a partir da televisão. À esta entidade simbólica que via a tudo e a todos, Orwell denominou "Big Brother". A idéia de ter a vida assistida por algo ou alguém acabou sendo aproveitada nesta aberração que é o BBB, na verdade uma cópia de um programa televisivo de grande audiência nos EUA.

O episódio em que a Rede globo, a Rede Amazônica e a ABERT (Associação Brasileira de Radio e Televisão) tentam de todas as maneiras, se sobrepor à vontade popular de retorno ao fuso horário antigo, referendado no pleibiscito, mostra o quanto na verdade podemos estar perigosamente próximos de um totalitarismo, não partidário, mas determinado pela vontade consciente das emissoras de TV que pairam onipresentes sobre a inconsciência do populacho inculto e teleguiado.

Leia mais sobre atentativa da Globo de se sobrepor à vontade popular no Blog do Altino

Faça-se a Luz: Cai a Máscara da Rede Globo

Onde houver trevas, que Faça-se a Luz. Para aqueles que creem na bíblia esta seria a frase proferida por Deus para dar início à Criação. Para mim, é um símbolo de que Deus se faz presente na verdade clara e transparente que rompe as trevas da ilusão.

Portanto esqueça essa balela de que o horário do Acre foi modificado para "adequar o horário de atendimento bancário" ou "aproximar o Acre do restante do Brasil no horário comercial". Nada mais falso e ilusório, trevas. A verdade, para quem ainda não sabe, é que a Rede Globo de TV através de sua afiliada Rede Amazônica, fizeram uma ingerência junto ao Senado Federal para mudar o fuso horário do estado, o que foi aprovado a toque de caixa.

A notícia foi destaque na impresa nacional. Leia mais no Jornal do Brasil

Por que?

A Vara da Infância e da Adolescência exigia há anos da Rede Globo que adequasse sua programação ao fuso horário do estado. A discrepância é tão grande que a "novela das oito" passava às cinco da tarde. A conseqüencia direta disso é que crianças e adolescentes tinham acesso à conteúdos impróprios para a idade. Após anos protelando a adequação, alegando dificuldades técnicas, a Globo foi finalmente obrigada a fazer valer a decisão do STF.
Não se trata de falso moralismo, se trata de cumprir o que a lei obriga. E vou dizer, a tendência da Globo é sempre de explorar o pior conteúdo possível para tentar manter sua audiência, sempre em queda.

O resultado foi que para fazer a vontade da Globo, fomos obrigados a acordar de madrugada e levar nossos filhos à escola no escuro. Curioso notar que em aldeias, colônias e seringais o povo não aodtou o novo horário e em uma forma de protesto individual mantiveram os ponteiros do relógio no horário antigo que ganhou o apelido de "Horário de Deus". Há quem argumente que o horário é uma convenção humana e que Deus não inventou o relógio, mas para quem acredita na existência de um Criador (que é o meu caso) pode-se dizer que Deus não fez o relógio, mas deixou o Sol para marcar as horas. Para os que preferem um explicação científica (que também é o meu caso), pode-se dizer que existem as gonadotropinas e hormônios corporais que regulam a atividade cerebral e corpórea principalmente através da luz solar. Pode-se argumentar que a população do Sul-Sudeste tem de conviver com mudanças anuais com a chegada do horário de verão, mas também pode-se contra-argumentar que em latitudes maiores, ou seja mais distantes da linha do Equador, existe uma maior variação da incidência da luz solar durante as estações do ano, o que implica em dias mais longos no verão e noites mais longas no inverno, de modo que durante o horário de verão, uma hora mais cedo, de fato o dia começe também, mais cedo. No Acre, mais próximo da linha do Equador, a variação não é tão grande, de modo que o impacto do novo horário é apenas amenizado nos meses de dezembro e janeiro, próximo ao solstício de verão (um "pagão" tem que saber destas coisas!) enquanto no solstício de inverno os efeitos do novo e atual fuso se tornam ainda mais aberrantes.

Para mim que sou membro da Frente Popular desde quando cheguei ao Acre, vejo com muita tristeza que tenha sido a oposição capitaneada pelo PMDB quem teve que fazer este reparo. Claro que as motivações são políticas e com o gesto de propor um pleibiscito, Flaviano Melo acertou um golpe na boca do estômago da FPA. Uma pena, da próxima vez façam valer a sua história de lutas populares e fiquem do lado do povo, e não da Globo.


segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Epa Hei Iansã!

Meus leitores certamente vão começar a notar uma mudança no tom de minhas postagens.
A explicação é simples: mudei o santo da minha cabeça. Do reservado, silencioso e diplomático caçador Oxossi passei agora para regência da tempestuosa Iansã.
Amo meu pai, mas estou adorando estar nos braços de mamãe. Sem papas na língua ela vai me falando a verdade e com sua ventania me impelindo a fazer o mesmo.
Medo de que afinal? Bem, é verdade que o silêncio do caçador derruba a caça na hora certa, mas a ventania também surpreende e impõe a sua verdade. Entre pseudo-conservadores e hipócritas, o mais sensato mesmo é ficar calado, mas como Iansã já abriu o verbo em pleno Teatro dos Nauas não há mais nada a esconder.
Dois pontos de vista de outros tantos possíveis, duas maneiras de viver a vida e nenhum melhor ou mais perfeito que o outro. Que me desculpem os monochatos, mas esta é uma das vantagens de ser politeísta.

Além do quê, um escritor que tem medo da reação de seus leitores, vive limitado, não explora seu real potencial. Quem escreve não pode temer o furacão de sentimentos que por vezes abala a alma. Por isso, não ligue se você ficar arrepiado nas próximas postagens, vem chumbo grosso por aí. Há poucos dias alguém recomendou este blog como uma das "letras nobres do Juruá", mal sabe o que eu tô com vontade de publicar nas próximas.
Foda-se, se o Henry Miller pode, eu também posso.

Bast: a Deusa-Gata do Egito

E já que a bola da vez é o Egito, resolvi lembrar desta grande civilização, berço da humanidade. Já ouvi muitas piadas sobre Mubarack e a terra das pirâmides, mas a melhor de todas é aquela: - Qual a receita para manter uma múmia trinta anos no poder?
Resposta: Com o apoio da CIA.

Mas deixa para lá, tem tanta coisa para se falar sobre o Egito, que preferi me concertrar em um pequeno aspecto, justamente aquele que é pintado na bíblia como a maior falta dos antigos egípcios: o seu prolixo politeísmo. Os egípcios tinhas tantos deuses e deusas que somente um escriba para saber o nome de todos. Eles tinhas deuses serpentes, falcões, vacas, cães, crocodilos e até, uma deusa gata, que atendia pelo nome de Bast.

Para não perder tempo falando dos outros decidi me concentrar sobre esta deusa-gata, em particular porque até hoje são muitas as pessoas que nutrem uma admiração quase trancendental a estes animais.

Para os egípcios, a capacidade dos gatos de enxergar no escuro, lhes conferia poderes além túmulo, como um condutor da alma pelos terrenos difíceis e escuros do pós-morte.
Ainda hoje, o que mais admira aos criadores de gatos é a capacidade que o animal tem de preservar sua individualidade, sua independência e seus instintos, mesmo quando domesticados. Certamente é algo digno de admiração.
Mas mesmo os gatos às vezes desenvolvem um certo grau de dependência emocional em relação aos seus donos, afinal quem não gosta de ser afagado e acarinhado? Outras vezes são os seus donos que passam a gostar mais de seus gatos do que de si mesmos, por perceberem a sua incapacidade de serem livres, sem amarras. Aquela certeza de que só os gatos tem de que podem sempre "cair de pé" em qualquer relação ou situação. Para estes os gatos se tornam verdadeiros amuletos, lembrando-os daquilo que poderiam ser.

Mas um gato (ou uma gata) também corre perigo, mesmo com suas sete vidas.
Pode lhe acontecer de esfregar o seu rabo felpudo e cair ronronando no colo de alguém que de fato não compreenda e admire o que ele tem de melhor em sua natureza, justamente a delícia de ser o que é, felinamente gato.

Saladino

Nesta semana me lembrei de uma história do velho e saudoso general Saladino, reconquistador de Jerusalém.
Os Cristãos Cruzados contam que Saladino era um homem de grande honra e sabedoria e mesmo seus inimigos mais encarniçados o aprenderam a respeitar por estas qualidades.
Um episódio nos conta muito sobre a natureza e o caráter de um guerreiro de fé, como o foi o grande Saladino.

Durante as batalhas que culminaram com a retomada de Jerusalém, Saladino soube identificar, entre seus oponentes cristãos, diferentes comportamentos e atitudes entre as diversas ordens militares-religiosas que conduziam a batalha. Durante a batalha Saladino havia capturado dois poderosos inimigos cristãos: Guy de Lusignan e Reinaldo de Chatillon. Guy, que era considerado por Saladino um inimigo honrado, recebeu inicialmente um copo de água, o que no deserto, tem imenso significado, mas repreendeu a um subalterno que dera água a Reinaldo, a quem Saladino considerava um infame violentador de mulheres e crianças e a quem mais tarde conduziria pessoalmente sua execução.

A moral islamita do deserto entende que dar água a um prisioneiro a qual se pretende executar, é uma forma de tortura desnecessária, pois alimenta no condenado, a vã esperança de que será poupado.

Amigas
Mas porque lembrei desta história? Por um episódio que por várias vezes já vi acontecer e que se algum leitor lembrar de ter lhe ocorrido algo semelhante, por favor, mande um comentário.

Você tem uma amiga. E você naturalmente gosta desta amiga. A initimidade sincera e descontraída, sem a necessidade de máscaras é o combustível perfeito para despertar um sentimento forte, mais forte que os namoricos baseados na sedução das aparências.
Aí, em dado momento, você percebe que pode ser mais que um amigo. Vai devagarinho testando o terreno e ao perceber que existe alguma chance, faz avanços cuidadosos, medidos, mas prossegue.
E a "amiga", vai dando trela, alimentando esperanças que no fundo, ela sabe que não existem. Como que para testar o condenado, ela vai deixando que o cara se perca em suas próprias ilusões. O sujeito, com sede, vai lhe pedindo cada vez mais água. Então quando finalmente ele acha que encontrou um oásis, descobre que tudo não passou de uma miragem e se vê sozinho no meio do deserto.

Há amigas que na hora do "vamo vê" conseguem ser MAIS FRIAS DO QUE UMA CADEIRA DE ALUMINIO NO AEROPORTO DE MADRUGADA.

Valha-me meu Chiric Sanango!*

Dizem que no amor e na guerra vale tudo. Mas às vezes vejo que há mais honra nas batalhas de sangue do que nas artimanhas do amor.

Por isso, amiga, te peço que se você não tem interesse no "condenado", faça como Saladino: seja piedosa e passe meu pescoço no fio da cimitarra ao primeiro piscar de olhos.

* O Chiric Sanango para quem não sabe, é uma poderosa medicina natural utilizada no Peru para equilibrar a temperatura corporal e emocional!

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Samakãe


Estimados leitores estarei fora da "blogosfera" por cerca de 10 dias, para mais um período de isolamento e formação.

No dia 2 de fevereiro completo meu 1 ano de Samakãe. Não é fácil, viver numa espécie de isolamento interior, pois ainda que no meu dia-a-dia seja uma pessoa pública, a minha vida particular converteu-se em sólida solidão. O bom disso tudo é que durante o samakãe começei a perceber que muitas barreiras e abismos são pura ilusão, pura construção da mente e que quem tem propósito de verdade chega aonde quer. Dificil às vezes é saber de verdade colocar o brilho do nosso olhar neste propósito maior e acabamos nos apegando ao brilho fácil e passageiro de ilusões sedutoras, que muitas vezes, mesmo quando são socialmente aceitas como família e emprego, por exemplo, nem sempre nos trazem felicidade de verdade, realização e plenitude.

O lado "ruim" se é que podemos dizer assim é que tudo fica muito à flor da pele. Há muita intensidade em tudo pois as barreiras já foram quebradas e estamos agora de certa forma, nus diante do mundo, do tempo e do espaço. As poucas pessoas que de alguma maneira foi permitido penetrar neste círculo mais sagrado, talvez não compreendam o turbilhão de sentimentos intensos que se vive quando se está dentro do olho do furacão. E para estes talvez eu possa até ter parecido um pouco exagerado. Mas acostumei-me ma ser assim e prefiro isso àquela coisa morna e sem sal que às vezes toma de conta da vida. Além disso, tudo o que acontece ecoa no pensamento por dias e dias, sem nada para anestesiar. Durma com um barulho desses!

Vivendo com os Yawanawá, aprendendo suas tradições e as traduzindo para o contexto de meu universo particular, aprendi a denominar de Shavorã a esta presença feminina que anima a existência. Na psicologia de Jung há um conceito parecido, o de ânima. Os gregos falam das musas. Shavorã é uma maneira poética de se referir à mulher. Mas não a qualquer mulher. Só existe uma Shavorã para cada um. Shavorã é aquela que anima os sonhos, que é a inspiração para a música, a arte e a poesia, enfim, para a vida e sorte daquele que consegue ter o olhar em sua Shavorã.
Shavorã também é mais do que uma mulher. É uma presença espiritual que por vezes pode se manifestar apenas em sonhos (Namá Shahu) ou através de uma mulher real.

Aprendi muito neste período e tenho certeza que sou um homem melhor do que era quando começei. Depois de viver com muito pouco ou quase nada, é muito dificil se ver refém novamente do que quer que seja ou ter medo de qualquer coisa. E me dei conta de como às vezes deixei de ser feliz por temer barreiras e abismos que na realidade nem sequer existiam a não ser na mente.

Só o que não pude nunca mais foi esquecer aonde está o brilho do meu olhar.

Oroya


Às vezes não é tão grande a distância que nos separa, mas é a profundidade do abismo que nos assusta.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Tron é Matrix ao avesso

Sei que é filme para crianças e adolescentes mas como a maioria dos vizinhos de meu bairro, na década de 80 eu era um menino viciado em vídeo games que possuía um Atari e gastava sempre um bom par de horas diárias manipulando o meu Joystic (eu não resisto ao duplo sentido, mas esse outro controle eu só vim aprender a manipular mais tarde). -Por isso é bom ter um filho, a gente sempre pode se deliciar com porcarias e fazer de conta que é por causa deles.- Quem vivia este mundinho limitado, mas ainda assim, fascinante dos jogos de computador da época pré-histórica, certamente fascinou-se com o filme Tron: uma Odisséia Eletrônica.

Hoje assistindo a pequenos trechos no You Tube, dá para ter uma idéia da tosqueira que era o negócio na década de 80. Mas a idéia até era interessante: “e se pudéssemos entrar dentro do universo eletrônico e participar ao vivo das batalhas de jogos e programas?”São a tais conjecturas improváveis que o cinema se põe a tentar responder e este é parte de seu fascínio.

Naquele tempo não havia internet, ou melhor, havia, mas ainda estava restrita a sistemas de segurança do pentágono no final de período da guerra fria.

O surgimento da Internet e com ela, a vida virtual em comunidades causou um grande impacto nas mentes imaginativas por trás da ficção científica. Ela é uma das poucas tecnologias que não foi prevista anteriormente pela ficção. Desde Leonardo da Vince, ou até antes desde Hierão de Alexandria, inovações tecnológicas era desenhadas por estas pessoas que se dignam a pensar o improvável.

O filme de ficção científica que marcou a década de 90, foi Matrix. Trazia a seguinte conjectura: “E se tudo que vivemos não fosse real e fizesse parte de um grande programa de computador ?” O mito da caverna de Platão reescrito em bases tecnológicas.

Tron a Matrix do avesso. Ao permitir um vislumbre do universo eletrônico, onde o que há na verdade é um reino de pura abstração, muito anterior ao surgimento dos primeiros computadores, um universo presente na mente humana desde seus primórdios, ou (e aí cabe a minha conjectura particular) talvez até este universo já exista anterior à mente humana e esteja sendo apenas acessado a medida em que a mente se aperfeiçoa.

Pós-Matrix, a nova versão de Tron agrega elementos simbólicos mais poderosos e que ainda que valha a máxima de que filmes hollywoodianos não devam ser levados muito a sério, muito me apraz contemplar a maneira de como são colocados estes elementos em meio ao show de ação e efeitos especiais.

Tron nos oferece um ponto de vista interessantíssimo, pois ao colocar o ser humano no lugar do criador de um universo eletrônico, binário, e abstrato, como de fato o somos, permite olharmos a nossas “criaturas” de um outro ângulo e portanto, abstrair daí, a nossa própria condição humana.

A idéia do Criador replicado cuja réplica se rebela em nome da “perfeição’ é uma referência óbvia à rebelião de Lucífer, enquanto o filho do criador que entra num universo que não é o sue, também se refere é claro, vocês sabem a quem. Tendo partido da unidade para a dualidade é necessário um terceiro elemento para restaurar o equilíbrio da equação. Se em Matrix o conceito de real e concreto é questionado, em Tron somos visitantes de um reino onde tudo, é pura abstração.

domingo, 23 de janeiro de 2011

São Sebastião: o erotismo por trás da santidade


Estamos em Mâncio Lima fazendo a cobertura do último dia do Novenário de São Sebastião. Não é a maior festa da cidade, uma vez que a novena de São Francisco é mais tradicional em Mâncio Lima.
Mas é interessante que o santo seja lembrado em pelo menos mais três cidades acreanas: Marechal Thamaturgo, Xapuri e Epitaciolândia. Quase todo mundo já ouviu falar a historieta do santo que fôra soldado do Império Romano e martirizado pelos arqueiros númidas (entre os melhores do mundo antigo) durante o reinado de Diocleciano.
Muita gente por aqui não sabe, mas São Sebastião foi um dos primeiros padroeiros do Brasil. Isto por que a imagem de seu corpo trespassado de flechas, remetia diretamente aos primeiros "mártires" em terras brasileiras, mortos pelo crivo das flechas dos indígenas. São Sebastião do Rio de janeiro, esse é o nome completo da mais famosa cidade brasileira. Talvez por isso também tenha sido escolhido para ser o padroeiro de M.Thaumaturgo, uma vez que uma história semelhante aconteceu naquelas bandas do rio Machadinha, e a sepultura dos mártires ainda é visitada até hoje. Bem, já os índios não erguem ídolos para os seus martirizados, pois se o fizessem, talvez já não existissem mais árvores de pé.

Pela relação com as flechas, os negros proibidos de exercer livremente os seus cultos, em alguns lugares do Brasil elegeram São Sebastião para representar Oxossi, o Orixá caçador. Maneira injteligente de manter a fé mesmo debaixo de açoite. O mesmo processo fez de São Jorge, Ogum e Santa Bárbara, Iansã, entre tantos outros. E é por isso que ainda hoje no Brasil "Babalorixá" (sacerdote de Orixá) se traduz como "Pai-de Santo".

Mesmo tendo em essência, tão pouca relação com o culto original, não deixo de ter certa admiração por São Sebastião e pela data 20 de janeiro. E mesmo não sendo assim digamos, um exemplo de católico, não deixo de respeitar e admirar a beleza que existe em cada exemplo de vida deixado pelos santos, o que não me impede também de enxergar um pouco mais do que se quer de fato mostrar .

E por falar em beleza, voltemos à Praça de Mâncio Lima, onde estou diante da imagem de São Sebastião. Uma idéia, como um raio, preenche meus pensamentos: qual seria o sentimento de uma moça virgem na Idade Média diante daquela imagem? É certo que em uma época de tanta repressão sexual e artística, estar diante da imagem de São Sebastião era uma das raras oportunidades que elas tinham de admirar o nu masculino. E há que reconhecer que a posição em que ele foi retratado, há um quê de sensualidade. Quem o retratou deixou transparacer que mais do que as flechas, o soldado romano estava transpassado de Paixão. Paixão no Cristo, é verdade, mas ainda assim, Paixão. Na Idade Média deve ter feito damas e donzelas sentirem um calor de enrubescer a face.

A imagem, assim como que ela traduz, é um eco das flechas do Cupido, anjinho safado que fazia despertar paixões no mundo antigo (e talvez até hoje com uma ou duas garafas de vinho). Uma imagem poderosa que atravessa o tempo.

No mito original, Eros (O Amor) se fere em uma de suas flechas e se apaixona por Psiqué (a Alma). O mesmo enlace divino, só que descrito de outra maneira, milhares de anos antes.


Na Imagem: Eros pergunta para Psiqué: "- Foi Bom pra você"

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K entre nós

A imagem escolhida pela Agência de Notícias do Acre para ilustrar a matéria de Novenário de São Sebastião, é um tanto quanto suspeita, não? Ou talvez até óbvia demais!Nada me convence que os fotógrafos experientes da agência (o autor da foto é Sérgio Vale. Um dos melhores do Acre) não tenham tido a intencionalidade ao escolher a foto.
Ou talvez a intencionalidade tenha partido da própria organziação da festa, pois o guarda-chuva colorido é segurado por um fiel diretamente sobre a cabeça do padre celebrante.
Bem depois dessa vai ser difícil Xapuri deixar de hostentar o mesmo título que Campinas e Pelotas. Sem nenhum preconceito, apenas uma leitura aguçada de fatos e imagens. Na verdade acho injusta essa apropriação do arco-iris para este sentido. Ele já era antes o símbolo de aliança. Entre os andinos simbolia a união entre os diferentes povos e até hoje é a bandeira de Cuzco, mas isso é tema para outra postagem.

E já que a idéia do blog é tratar de assuntos com profundidade, sem ser chato, e que o Nolasco postou o ótimo texto "Artificial Baunilha". Lembrei de uma história que ouvi em Pernambuco, quando passava férias com uma namorada na praia de Maracaípe, há uns 12 anos atrás.

São muitas as explicações e teorias para explicar o homossexualismo, umas mais preconceituosas e outras menos, umas "científicas", outras "religiosas", outras "sociais", "culturais", "políticas" que entram e saem de moda ao sabor do momento. Esta é apenas mais uma e não significa que seja a certa ou aquela que eu acredite (particularemente prefiro não formular teorias), mas é certamente a mais poética que já ouvi.

O sujeito na praia, falava sobnre outro tema, bastante popular, o das "almas gêmeas". Disse que quando Deus nos criou, nos fez com a alma inteira, masculino e feminino juntos. Mas depois fomos separados para não sermos arrogantes. E então assim surgiram as chamadas" almas gêmeas" e desde então passamos a procurar a metade perdida.
- E no caso dos gays? Perguntamos
Ele respondeu:
"- A alma, cansada de procurar sua metade sem encontrar, sente tanta saudade de seu oposto complementar que intenta ser ele e passa a buscar a sua auto-imagem perdida naqueles do mesmo sexo."

Não é uma afirmação, apenas uma interrogação.

sábado, 22 de janeiro de 2011

O dia em que o Minuano encontrou o Noroeste

Taí as duas:

Jaqueline Telles e Luka antes do início do Show.

Aqui vai um exercício de malabarismo acrobático literário para botar de novo este blog "nos eixos"

Por um traço de minha personalidade, primo por uma discrição às vezes quase timidez. Até por que existem horizontes internos que não podem ser compartilhados com qualquer um. Não se tratam exatamente de segredos, mas uma mensagem somente tem algum sentido se o receptor puder compreender o seu significado.

Assim sendo, não chega a ser exatamente um segredo que eu seja uma pessoa que se dedica a estudar elementos da cultura e da espiritualidade indígena. Até por que se quisesse fazer segredo disso, não iria botar minha cara pintada de genipapo neste blog. Mas o blog, ainda que público, não perde de todo o seu caráter de intimidade. Na enxurrada de informações diárias, um blog como esse, é só a sombra de um buriti virtual.

Já como jornalista e pessoa pública, sou obrigado a ter que construir diariamente a imagem de uma pessoa séria, neutra, imparcial e um tanto quanto insossa. Ainda que para não me esquecer de mim enquanto durmo, tenha que descontruir esta imagem perante a mim mesmo.

Mas nesse dia, dois ventos se encontraram: O Minuano e o Noroeste. Duas personificações raras de Iansã, a senhora dos ventos. Duas histórias de seu mito foram reencenadas neste dia.A primeira conta que Ossaim, o senhor das folhas e de todo conhecimento medicinal e feiticeiro da floresta, guardava para sí todos os segredos. Um dia Iansã "rodou a baiana" e o vento levou todas as folhas, destinando cada uma a seu respectivo Orixá.

A segunda conta que Obaluê, também ele um feiticeiro, vivia coberto de palhas para esconder suas chagas. Todos os outros Orixás (exceto Oxossi, que lhe dera as palhas) temiam por acreditar que sua aparência deveria ser horrível. Mas em um dia de festa, Iansã fez o vento soprar forte e levantou as palhas que cobriam Obaluaê revelando a todos os Orixás que por baixo delas havia na verdade um belo rapaz.

Um único vento não seria capaz de fazer isso sozinho. Foi preciso que o Minuano que sopra desde o pampa transplatino, se encontrasse com o Noroeste, que desce das montanhas andinas até encrespar as ondas do mar em que meu avô pescou.

Poderia até ter ficado chateado com minha amiga, se não visse por trás de suas ações, o reflexo da sabedoria de ventos ancestrais.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Famosidades

Quiz show: O que George Cloney e Leandro Altheman têm em comum? Resposta: Os dois já tiveram malária!

Tá amarelinho na foto, não!




" O ator George Clooney, 49, contraiu malária em sua recente viagem ao Sudão", escreveu.

O vencedor do Oscar esteve no país africano para apoiar um projeto de vigilância com satélites das Nações Unidas e do Google.

"Queremos avisar possíveis responsáveis por genocídio e outros crimes de guerra que estamos observando, que o mundo está observando", disse Clooney em comunicado.

Após a notícia circular na internet, um representante do ator disse nesta quinta-feira à revista "People" que Clooney já está curado. "

Força Cloney! Chá de Carapanaúba e repouso. Da próxima vez faz que nem o Al Paccino e a Alessandra Negrini e leva um mosquiteiro!

Paparazzo: Al Paccino e Alessandra Negrini são vistos na BR 364

Ficção ou realidade ?
O ator de cinema norte-americano de origem italiana, Al Paccino foi visto na última semana no ramal 4 do Projeto de Assentamento Santa Luzia, na BR 364, acompanhado por ninguém menos que a bela atriz brasileira Alessandra Negrini. Ninguém sabe ao certo o motivo de os dois terem vindo se refugiar em tão distante rincão da floresta amazônica, mas é certo que seja uma maneira de escapar dos fotógrafos paparazzi.
A Dona-de-casa e agricultora Maria Adelaide Amaral diz ter reconhecido somente a atriz: “ é, até que é bem engraçadinha”. Já a passagem de Al Paccino trouxe severas preocupações à comunidade evangélica de Santa Luzia: “Quando soubemos que era o Advogado do Diabo fomos logo organizando um culto para exorcizá-lo, pois se ele for mesmo o advogado do diago, poderá cobrar indenização das igrejas por danos morais”. Quem não se conteve foi o ex-deputado estadual, ex-comandante da PM e hóspede honorário da papudinha, Hildebrando Pascoal:
“-Eu quer um autógrafo desse cara! Eu perdi a conta de quantas vezes assisti Scarface. De onde vocês acham que eu tirei a idéia da motosserra?
Segundo testemunhas oculares, os dois se embrenharam na selva noturna do Juruá. Há quem acredite que Alessandra Negrini consiga falar a linguagem das onças, o que teria aprendido com indígenas durante a filmagem de “A Muralha”.
Após sua breve passagem pelo Juruá, Alessandra embarcou incógnita no Aeroporto de Cruzeiro do Sul. Al Paccino ainda concedeu entrevista á imprensa local. Perguntado sobre o que tinha a dizer sobre o bizarro episódio, respondeu apenas com forte sotaque italiano: “- se não tivesse que manter minha fama de mau, diria apenas que já estou com saudade!”

Cinco blogs que fizeram História Por Stella Maris - especial para o Club


Extraído do blog " O Club dos Terríveis"

Garimpando pela internet, topei com esta postagem. E quase morro de rir!Não resisti e resolvi compartilhar com meus poucos (mas valiosos) leitores.

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Se você ficou de mouse caído com a desenvoltura com que Zé Dirceu, Roberto Jefferson e Mahmoud Ahmenidjad (sim, aquele presidente iraniano que dorme com um hitler de pelúcia) pontificam no mundinho dos blogs, é porque ainda não viu o que seus antecessores andaram aprontando em priscas eras virtuais. Confira alguns exemplos garimpados do aterro sanitário da História:

Blog do Capone
Direto de Chicago, o famoso abastecedor de biritas, amante das artes e sonegador desastrado tecia considerações e piadinhas diárias sobre propinas, ópera bufa, bedidas, execuções e muambas em geral. Criou um método gerencial e contábil até hoje copiado por empresas como a Daslu. Seus posts “Por que amo a Lei Seca”, “Como batizar um bourbon”, “10 dicas super úteis para um massacre” e “Caruso é o que há” deram o que falar. Capone dava aos leitores mais destemidos o direito de deixar críticas e xingamentos na caixa de comentários – mas se reservava o direito de jogar seus cadáveres no fundo do lago, depois. Por ter sonegado a conta do provedor de acesso, caiu em desgraça na comunidade virtual, tendo que postar no fim da carreira direto do cyber café de Alcatraz.

Blog do Bonaparte
Quando não estava ocupado fazendo os prussianos pedir penico em Austerlitz ou tentando afogar seu diminuto ganso na imperatriz Josefina, Napoleão aproveitava para atualizar seu blog – um dos mais temidos do Velho Mundo. Metade dos exércitos continentais entrava em alerta máximo quando o pequenino blogueiro corso anunciava ter acordado “com o ovo virado”. Seu post “Que será que tem em Lisboa?”, embora fosse provavelmente uma citação ao filme Casablanca, foi o bastante para provocar a fuga desabalada de D. João VI, o Obrador, para o Brasil. Bonaparte acabou viciando-se em navegar durante o expediente, o que lhe custou a derrota para o desplugado Duque de Wellington, em Waterloo. Consta que no fragor da batalha Leãozinho estava num chat pra lá de animado com o velho Marquês de Sade (daí a expressão “blogar na posição em que Napoleão perdeu a guerra”). Morreu amargurado em Sta. Helena, cloaca africana sem acesso à Internet.

Blog do Pôncio
O blog do barnabé romano P. Pilatus ganhou súbita notoriedade após ter recebido a ilustre presença do Maior Psicólogo do Mundo. Pôncio até então era conhecido apenas nos círculos íntimos romanos por ser chegado num TOC (Transtorno Obsessivo Compulsivo), lavando as mãos e as partes várias vezes ao dia (e postando a respeito!). Sua célebre enquete “Quem vocês mandariam para a cruz?”, bateu todos os recordes de acessos na Judéia, verdadeiro milagre para a época. Marcou a História dos blogs em Antes e Depois.

Blog do Rasputin
Mistura exótica de Paulo Coelho, Waler Mercado, Porfirio Rubirosa e John Holmes da dinastia Romanoff, o sinistro Rasputin mantinha um blog de auto-ajuda, consolo e agendamento de favores voltado para beldades, princesas, grã-duquesas, tzarinas e o diabo a quatro (“o que vier, eu traço”). Macaco Lenine foi certeiro em seu site de humor bolchevique: “Todo nobre russo é um corno em potecial diante de Rasputin. Rárárárá!”. Antes de ser colocado fora do ar por spammers com dor na testa, o brujo foi um dos primeiros a revelar que o Czar e o Tsar eram a mesma pessoa (dando início ao escândalo que culminou na Revolução Russa). Seu famoso joystick está conservado no Museu do Sexo de São Petesburgo.

Fotoblog da Lu
A espevitada socialyte Lucrecia Borgia, autora do bordão “Ai! Que mandrágora!” foi figurinha carimbada nas maiores noitadas de arromba da Renascença – sempre munida de uma camera oscura de 5 megapixels bolada por Leonardo Da Vinci. Clicou de um tudo: envenenamentos, defloramentos, empalamentos, venda de indulgências papais e, lógico, surubas vaticanas de fazer tremer as catedrais. Seu post que mais rendeu bafafá foi o “Virgo intacta sum, e daí?!!”, com o qual desfez seu casamento com Sforza, o Broxa (apesar de flagrada pela seita dos paparazzi com um barrigão de seis meses). “Nunca houve uma mulher como Lucrecia”, gemia seu pai, o Papa Alexandre VI, o Fornicador. “Concordo”, arrematava seu irmão, Cesare Borgia, o Animal. “Altezas, ainda caberia nessa cama um humilde servo?” perguntava Maquiavel, o Marqueteiro, leitor compulsivo do blog.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Arquétipos do Feminino2: Politeísmo

E aproveitando o assunto dos arquétipos do feminino, antes que ele “esfrie” (para mim não esfria nunca); como tratei sobre a presença arquetípica feminina nas religiões abrâmicas (mais uma vez: judaismo, cristianismo e islamismo), achei por justo tratar do tema também presente em outras religiões.

A primeira referência é o que pode ser chamado de ”politeísmo”, na verdade não uma religião, mas uma categoria, oposta ao monoteísmo abrâmico. Geralmente judeus, cristãos e islâmicos se referem injustamente ao tema tratando-o por “paganismo”. Pagão é somente um termo prejorativo, originário da latim que se refere aos cultos (denominados “superstições”) das pessoas “rudes” do campo (pagão= rude, inculto).

As religiões politeístas dominaram o mundo antigo, aliás muito mais culto que o mundo cristão medieval. E pode-se questionar se de fato eram politeístas em essência, pois ainda que admitissem a existência de vários deuses, a obra da Criação sempre acaba ficando a encargo de um ser primordial. O mesmo pode ser dito do hinduísmo que profere a mesma crença em uma trindade, aceita a pluralidade da divindade, mas admite a existência de um absoluto primordial.

Pode-se questionar também, até que ponto, o cristianismo é assim, tão monoteísta.Em parte pela crença na trindade, mas também pela famosa frase proferida por Jesus (ou a ele atribuída) em seu calvário; “Eli, Eli, Lama Sabatsani”- frase que depois foi interpretada "Senhor, Senhor, por que me abandonaste". No entanto a palavra Eli é plural de El, (Deus em aramaico, portanto Eli=Deuses) e os estudiosos da bíblia se apressam em dizer que se trata de um “plural majestático”, algo como dizer que Deus de tão grande não cabe em si sendo apenas um. Majestático ou não, o plural foi usado e pode significar também que ainda que admitindo a presença e existência de um ser primordial e absoluto sobre todas as coisas, admite-se também a pluralidade de suas manifestações, leitura que torna a religião cristã em essência não assim tão diferente do hinduísmo ou dos cultos afro-brasileiros aos Orixás.

Mas todo este preâmbulo foi somente para dizer que as religiões abrâmicas oferecem apenas dois arquétipos femininos, a qual as mulheres a muito custo tem de se enquadrar: ou é santa , ou é puta. No português claro é disso que se trata. É claro que uma leitura mais imaginativa dos Cânticos de Salomão podem ver alí também algo muito semelhante aos princípios do tantra hindu.Mas duvido qual seja o padre ou pastor que arrisque tal leitura.

Mas neste ponto acredito que o politeísmo seja mais rico no sentido de oferecer não um ou dois arquétipos, mas uma dezena de modelos de personalidade, todos com alguns pontos favoráveis e outros desfavoráveis (e não são assim as mulheres? Aliás, todas as pessoas?).

Daí posso descrever com mais propriedade o que conheço um pouco melhor, por ser brasileiro: os cultos afro, que em alguns pontos apresenta certas semelhanças com o mundo Greco-romano. Na próxima postagem , trago uma breve descrição dos arquétipos femininos mais conhecidos dentro do culto aos Orixás: Iemanjá, Oxum, Iansã, Nanã e Euá.

Cobertura Jornalística no "Juruá Capital"


Deixemos de lado por hora as empregadas de minissaia e falemos de algo (um pouco mais) sério. Sabendo que agora falta menos de uma nao para que Cruzeiro do Sul conte com a sua primeira turma de jornalistas nativos formados, me anima o fato de que em breve teremos também uma massa crítica capaz não apenas de reproduzir fatos mas de interpretar e reinterpretar a realidade. É para estes que deixo este meu breve testemunho, no desejo de contribuir com as discussões acerca do exercício da profissão.

Faço cobertura de imprensa no Juruá desde 2001. Lembro-me muito bem das agendas super apertadas, corridas e estressantes do tempo de Jorge Viana ainda em seu primeiro mandato.

A praxe no jornalismo do Juruá era que durante uma visita de um governador, os holofotes iam quase que exclusivamente para ele e as demais pautas eram temporariamente esquecidas. O resultado é que o governador e sua comitiva acabavam por tomar uma impressão distorcida do cotidiano da região. Se em parte pode se atribuir o erro a assessores que se esforçam em passar a melhor impressão possível; o erro também foi nosso, de parte da imprensa.

Em uma região onde nem sempre temos assuntos interessantes, é óbvio que a visita de um governador torna-se a pauta principal. Mas não deveríamos ter deixado que esta pauta sufocasse a respiração do dia-a-dia da cidade, as vozes hora roucas, hora sussurrantes, ou mesmo às vezes incoerentes da população não devem deixar de ser ouvidas. Principalmente quando há um governador e uma comitiva para ouvi-la.

No entanto, como a agenda já dura três dias e deve continuar até o final de semana, começamos a nos dar conta de que a cidade não pára e continuam acontecendo os pequenos e grandes incidentes que movem a pauta local. Por outro lado, o governador, sempre é pauta, e assim começamos a nos dar conta também de que fazer jornalismo “na capital” é algo impossível sem uma boa assessoria de imprensa.

Há ainda outro ponto, que foge da questão da cobertura de imprensa em si. É que a agenda mais espaçada de Tião Viana tem permitido uma permeabilidade do governo e sua equipe na intimidade do povo e da região. Fora do ritmo apressado e das agendas tipo “espetáculo”, parece que as pessoas dos dois vales do estado estão se conhecendo de verdade, e creio eu, aproveitando o jeito cordial e caseiro até, com que as pessoas se tratam no dia-a-dia no Juruá. É que aqui somos afinal todos vizinhos, os muros não são tão altos assim para que sejamos desconhecidos um dos outros. Debaixo deste sol não sobra espaço para estrelismos individuais. Melhor assim, todos comendo no mesmo prato e bebendo da mesma água, na paz e no aconchego da sombra da floresta do Juruá.

Lembrando também aos meus poucos mas valiososos leitores que estou também publicando textos no blog cybernauas, "anexo' por assim dizer, do site oficial da Radio e TV Juruá, o juruaonline. Estes e outros textos podem ser encontrados lá www.juruaonline.com.br

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Refresco de Pimenta

Lendo o comentário da "Blogueira Fajuta" na postagem anterior sobre conciliar a "o lado dona de casa" com o "lado sexy", minha mente atribulada, não conseguiu processar outra coisa que não uma empregada de minissaia. Como diria uma amiga minha: "esses homens! Sempre tão arquetipicamente previsíveis".
E pesquisando na internet, achei esta outra charge, bem sacana, passível de excomunhão!