segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Universidade da Floresta esvasiada



Semana passada recebi a noticia de que o curso de educação indígena do Campus Floresta da UFAC está migrando de CZS para RBR. A decisão foi tomada bem ao estilo UFAC mesmo, ou seja, sem dialogar com a comunidade, mas como as organziações indigenas também ficaram caladas, a decisão parece ser irreversível.
O argumento é de que CZS não oferece uma boa estrutura para alocar os indígenas que passam normalmente 45 dias na cidade, geralmente, no Centro Diocesano de Treinamento, e a própria organização do espaço não estava satisfeita com a presença dos professores-estudantes indígenas.
Em Rio Branco existe a estrutura do sítio da CPI que deverá ser usado para manter os indígenas duranmte os modulos.

Quem pensa que são os indígenas quem mais perde com a mudança, engana-se. Para os indígenas não fará tanta diferença se deslocar para CZS ou RBR. É preciso dizer que existem recursos especiais para cursos como este? Ou basta lembrar que com a mudança, o Campus Floresta passará por um esvaziamento, principalmente porque este curso é simbólico do próprio processo de construção do campus pois abraça o conceito de "diálogo entre os saberes".

Talvez para os estudantes de engenharia, letras, enfermagem ou agronomia isso tenha pouca ou nenhuma importância em suas vidas, mas é graças a este conceito que o campus Floresta é hoje uma realidade. Não fosse a mobilização em torno desta idéia, talvez o Campus da UFAC em CZS ainda se limitasse aos cursos de letras e pedagogia na avenida 25 de Agosto (atual prédio do CEFLORA).

É uma pena que o curso está saindo de CZS sem nenhum grito, sem nenhum manifestação seja por parte do campus, ou da comunidade indígena. Talvez secretamente, até se sinta um pouquinho de satisfação de saber que "não teremos mais que aguentar estes índios andando por aqui", mas o fato é que a comunidade acadêmica deveria ter brigado pela permanencia de um curso que sintetisa o próprio conceito da Universidade da Floresta.


Um duro golpe no processo de autonomização da Universidade da Floresta, uma oportunidade que o Juruá, mais uma vez adormecido, deixa escapar entre os dedos.

sábado, 20 de agosto de 2011

Terra Náuas na Corte




Eita Juruá enjoado... Nestes dez anos fazendo jornalismo aonde o vento faz a curva, foram raras as ocasiões em que uma emissora da capital se dignou a manter correspondentes na segunda cidade do estado e polo regional mais importante do noroeste amazônico. Jornal impresso nem se fala... Os caras dão uma ligadas pruns manés aí de CZS e publicam em suas colunas cheias de razão e propriedade, as maiores bobagens sobre o Juruá. São uns especialistas mesmo. Foi duma destas que saiu a 'unanimidade' do atual prefeito, que ao que parece tem grandes chances de perder a eleição, mesmo com essa 'unanimidade toda'...


Mas como eu ia dizendo, Eita Juruá enjoado, a capital não tem correspondente no Juruá, mas o Juruá tem correspondente na capital... Isso mesmo, esta seria minha função nos próximos meses. papel que já era cuimprido por Nelson Liano Jr. que agora volta, felicíssimo para o Juruá depois de quase três anos no purgatório. Nelson é aquela figurta que vcs conhecem, podem amá-lo ou detestá-lo, é sempre polêmico e também sujeito a erros e falhas como todos nós. Mas conheço Nelson bem o suficiente para afirmar uma coisa: esse cara ama o Juruá de verdade. Tanto que não se seduziu pelas facilidades da capital e agora aproveita a oportunidade de estar onde gosta.

Nelson é um jornalista 'puro sangue' como poucos. Sempre fez isso na vida, já dirigiu programas de TV e sabe navegar em oceanos turbulentos, valorizando o potencial humano de cada um.


Bem, eu por outro lado, não deixei de amar esta terra, mas vou para o auto-exílio por razões que transcendem as questões profissionais. Mas, me serve de consolo saber que estarei aqui como um correspondente do Juruá e poderei saber da capital, assuntos que dizem respeito diretamente à nossa população.


Por falar nisso, decidi que não vou transferir meu título, portanto, o candidato que disputar com Vagner a próxima eleição, pode contar com meu voto.



Nada mais natural. O Juruá elege seus representantes que mesmo vivendo em outra cidade, mantém seus vínculos com CZS. Do mesmo modo continuarei aparecendo nas telinhas da RTV Juruá com informações da capital. Farei participações no Programa Juruá Notícia, agora dirigido por Nelson Liano Jr e apresentado por Dayana Maia. Considero este um grande passo para a emissora e para o jornalismo no Juruá. Pela primeira vez teremos uma jornalista da terra(Dayana se forma em fevereiro na UFAC) apresentando o jornal de maior audiência da TV na região. Acredito que a identificação com o público irá acontecer de modo natural, uma vez que Dayana representa muito bem uma nova geração juruaense. Com isso não é só CZS que está saindo do isolamento. Além de ponte e estrada, são as pessoas que estão rompendo os obstáculos e dificuldades. Sempre acreditei que Dayana represneta muito bem este novo momento para CZS e o Juruá.



Vivo trombando com gente do Juruá por aqui, e para dar notícia de uma outra cruzeirense ilustre, a bela Jaqueline Teles já conquistou seu espaço aqui na capital, graças ao seu trabalho e talento fará participações no Gazeta em Alerta.



Bem, por enquanto é isso, o Terra Náuas continua na atividade, agora diretamente da corte.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Amor (Redes Socias) e Revolução


Há uma jovem sentanda ao meu lado no vôo de Brasilia a Cruzeiro do Sul com escala em Rio Branco. Não resito a perguntar qual será o seu destino e acabo descobrindo "bem mais que os olhos podem ver" como diria certo personagem do cinema holiwoodiano.

Isto por que a jovem em questão, diferente da imensa maioria que sonha em ser médica ou administradora de empresas, tem como objetivo, tornar-se cientista política.

Foi o suficiente para a conversa esquentar.

-Queria ter vivido em uma época diferente. Hoje acho tudo tão parado... Diz a jovem

- Sou da geração que botou Collor para fora, os cahamados "cara-pintadas". Emendei

-Queria ter vivido esta época...

- Mas minha geração também não era grandes coisas. A maioria estava interessado apenas em prazer e diversão. O "Fora Collor" foi uma excepcionalidade.

- Hoje os jovens só querem se aparecer e usam as redes socias para isso.. Orkut, Face Book. Acho que antigamente as pessoas eram mais discretas.

- Odeio fazer parte do "antigamente" como vc diz. Mas acho que a internet é só um instrumento, que pode ser usado de varias maneiras. As redes sociais apenas satisfazem o desejo de uma notoriedade momentânea.

- Acho ridículo...Um pouco de recato e discrição não faria mal...

- Na minha época as pessoas eram mais recatadas porque tinham medo da AIDS... Somente isso. Acho que os anos 80 foram péssimos. O modelo mais adotado eram os "Yupies", jovens ricos e bem sucedidos, que hoje devem ser coroas perdendo dinheiro na bolsa com a crise mundial...

- Queria ter vivido naquela época...

- Na minha época achavamos os anos 60 o máximo. Mas na verdade, na época dos Beatles, a maioria das pessoas preferiam baladinhas suaves e insossas. A história estampa na memória, apenas a vanguarda de uma geração, quando na verdade a maioria quase sempre é apenas uma manada teleguiada. A chance de você fazer parte da história é a mesma hoje, como sempre, talvez até mais hoje, com uma ajudinha das redes sociais. Os "Yupies" da década de 80, que foram os maiores defensores da tecnologia como salvação da humanidade, jamais imaginariam que a Internet poderia ser convertida em um instrumento revolucionário, usado para derrubar por em cheque governos como no Egito, na Tunísia, na Síria ,Líbia, e agora nas revoltas populares na Inglaterra... A terra dos Beatles está literalmente pegando fogo... Help (clique o confira a música dos garotos de Liverpool)


* Com ou sem Redes Sociais, a diferença entre seguir a manada ou fazer Amor e Revolução continua sendo uma escolha individual...


quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Bolivianos são vítimas de trabalho escravo em SP



Recentemente fiz um post sobre os bolivianos em SP e as duras condições pela qual nossos "patrícios" estão passando por aqui. Somente nesta semana foram já duas matérias falando sobre agressões cometidas contra bolivianos e hoje saiu uma reportagem sobre o trabalho escravo deles para produzirem peças de roupas de marca, que depois serão vendidas caríssimas nas lojas chique dos shoppings.










A marca é Zara.


* Talvez vc não vá ver nada disso na Veja, afinal, para eles trabalho escravo é apenas uma forma de aumentar a competitividade da indústria.








Serra pode perder "em casa"



As mais recentes pesquisas sobre a sucessão municipal na capital de SP, apontam uma expressiva vantagem da ex-prefeita Marta Suplicy. Se as eleiçoe fossem hoje, Marta teria 30% da sintensões de voto contra 23% do ex-candidato à presidência Jose Serra. Grabriel Chalita, do PMDB aparece com 6% da sintensões de voto.
Uma leitura simples e fácil é de que Serra se desgastou com o eleitor paulistano quando abraçou o estilo "Só Jesus Salva" do final da campanha. A polarização e religiogização (ô palavra complicada) do debate não faz nada o gosto do eleitor paulistano, extremamente racional, materialista e preocupado com questões bem práticas, como por exemplo, se vai ter transporte público para chegar em casa.


Marta também não é "unanimidade". Com suas plásticas, botox e outras frescuras também se queimou com uma parcela imporante do eleitorado, espacialmente a "velha classe média", mas tradicional,que seria eleitor seguro do Serra, se ele não tivesse ficado tão babaca no finbal da eleição. De qualquer forma, o velho remédio do anti-petismo, também funciona por aqui e muita água vai rolar debaixo da ponte. Principalmente no final do ano, quando alagam as marginais.

Inclusive, há quem diga que a tentativa da Revista Veja de vincular o ex-acessor de Marta, Mário Moyses, ao escândalo no Ministério do Turismo tenha a assinatura de José Serra, atual queridinho da imprensa golpista.
Enquanto isso, Lula se esforça para viabilizar o nome de Fernando Haddad, ex-Ministro da Educação, à sucessão paulistana. Serria uma alternativa do PT a nome de Marta.

Serra se coinsidera candidato natural à sucessão, mas entra na disputa com uma rejeição maior que a de Marta. Talvez Kassab, atual prefeito prefira que Serra não saia candidato, o que facilitaria sua aproximação com o bloco governista.


Um pouco de graça, pra fazer pirraça



* Para complicar ainda mais a situação de Serra, está em cartaz nos cinemas da capital, o filme dos Smurfs (que que essa #*!% tem haver com eleição?). É que o vilão do filme, Gargamel, é bem parecido com ele! Como se já não bastasse a mórbida semelhança com o Sr. Burns, dos Simpsons!
Na foto, Gargamel (ou seria José Serra?) espera o sinal abrir para atravessar a Avenida Paulista. E no rol das semelhanças, o Papai Smurf também parece o Lula (barba, quatro dedos, ...). Fica a dica do ótimo site de charges do Maurício Ricaddo, uma entrevista fictícia com o Papai Smurf.













Se vc ainda não existia nos anos 80, saiba tudo sobre os Smurfs na Desciclopédia.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

É nóis na fita!





Um passeio por um Shoping Center na periferia de São Paulo me foi revelador sobre o que se convencionou chamar de "nova classe média brasileira". Há dez anos atrás quando saí da cidade, ainda nem imaginava que o bairro de Itaquera, na época um mdos mais pobres de SP poderia ter um shoping center. Hoje está lá o shopping, sem nada a dever aos primeiros que eram uma exclusividade para os moradores dos "jardins" - bairros das elites de SP.



Sempre fui um crítico feroz dos shopings e do consumismo, por entender que esta é uma visão equivocada do que é felicidade e realização. No entanto, nada mais do que justo que o consumo seja para todos e não apenas para poucos. Ainda que a "nova classe média" talvez não consuma os mesmos ítens caros da "velha classe média", são estes novos consumidores que estão movimentando a economia do país e fazendo do Brasil, um mercado interno forte o bastante para suportar a crise financeira internacional que já começou a dar o ar da graça nas bolsas de valores.



*Peço um café para o garçom e percebo o seu sotaque senegalês. Podemos esperar para os próximos anos: o Brasil será cada vez o destino de milhares e milhartes de imigrantes, de todas as partes do mundo.

O Brasil sob o olhar português



Tive o prazer de conhecer um casal de portugueses em visita ao Brasil, e através de suas impressões, observar meu próprio país sob o olhar dos descendentes dos europeus que colonizaram esta terra.


Pela janela do carro, olhavam fascinados, a incrível diversidade cultural que fez do Brasil, um país sui generis. No mercado municipal, a variedade de cores, formas e cheiros das frutas, verduras e cereais advindos das cinco regiões brasileiras falam por si só.


Mas o que mais os impressionou é a humanidade do brasileiro. Nosso jeito descontraído, fluído, sem amarras ao tradicionalismo, nos torna um povo absolutamente versátil, capaz de enfrentar as mudanças em curso no planeta.


Se esperava ver nos portugueses algum tipo de arrogância colonialista, fui na verdade surpreendido por um povo lusófono, tomado de imenso carinho e admiração pelo "filho" que cresceu e ficou maior que o "pai".



* Dentro desta história de dizer que Portugal é o "pai" do Brasil, há quem diga que a África é a "mãe", enquanto os povos indígenas seriam os nossos "avós."

Receita para uma cidade de merda

Quero compartilhar com meus amigos, a receita infalível para fazer uma cidade de merda.

A receita é baseada na experiência de sucesso que foi adotada em São Paulo. Tá certo que SP tem mais de 15 milhões de habitantes, mas as competentes administrações municipais de CZS estão prestes a comprovar que é possível criar uma cidade muito pior com apenas 70 mil.

1- Abandone e destrua áreas de lazer. Transforme-as em estacionamento para veículos. Assim as pessoas não vão perder tempo para conversar e se atualizar sobre os problemas da cidade.

2- Não plante árvores e derrube as poucas que tiverem, assim não haverá sombra para os automóveis e nem para as pessoas. Isso fará com que todos andem apressados para chegar o mais rápido possível em seus destinos e deixarão de ter o sentimento de que a cidade pertence a todos.

3- Não invista em transporte coletivo. Quem quiser que compre seu carro. Depois a gente faz um viaduto superfaturado.

4- Deixe a cidade crescer desordenadamente. Quem se importa se as nascentes de água estão contaminadas com lixo e esgoto? Deixe estes problemas se acumularem
m para os proximos administradores.

5- Certifique-se de que as áreas mais valorizadas estejam nas mãos de poucas pessoas. Assim o espaço urbano passa por um processo de especulação e os menos afortunados que se virem criando periferias em áreas de risco.

6- Não permita que os bairros tenham vida própria. Obrigue as pessoas a terem que vir ao centro para comprarem aquilo que precisam, assim, aqueles mesmos poucos, serão sempre ainda mais ricos e podem financiar a sua próxima campanha, enquanto aqueles indesejáveis líderes comunitários jamais terão voz.

7- Brigue com a história da cidade. Deixe os prédios antigos e monumentos abandonados, assim eles vão se tornar ponto de marginais e as demais pessoas terão cada vez menos prazer em andar nas ruas.

8- Toda cidade de merda precisa de um trânsito caótico. É simples: deixe que veículos grandes, coletivos e veículos de carga disputem o espaço urbano de acordo com sua vontade. Deixem que eles estacionem e trafeguem em qualquer lugar, sem nenhum tipo de orientação.

9- Asfalte o maior número possível de ruas, mas não se preocupe com o escoamento das águas. Assim a erosão faz com que asfalto dure apenas até as eleições, no inverno tem as alagações e aumenta o número desabrigados que vão precisar do seu favor até a próxima campanha.

10- Jamais permita que a população discuta como quer o seu espaço urbano. Pague a imprensa para dizer que sua administração é uma "unanimidade", assim os políticos que poderiam lhe questionar ficarão calados e o clamor do povo continuará sem voz.

* E se vc acha que por não fazer parte da classe política não pode fazer nada para ter uma cidade de merda, enganou-se. Nas próximas eleições vote em políticos comprometidos apenas com seu próprio bolso e com a carreira política sua e de seus familiares. Depois que a sua cidade estiver uma merda, sorria com orgulho: você merece!


domingo, 14 de agosto de 2011

Viagem à Capadócia


Uma amiga minha acaba de retornar de uma viagem à Capadócia (região da atual Turquia) e fascinou-me com as incríveis histórias que cercam o lugar. A descrição da paisagem é de montanhas e cavernas esculpidas pelos ventos ao longo de milhares de anos, que proporcionou habitações seguras para os "homens das cavernas". Contudo, a imagem que comumente se faz de homens primitivos e balbucinates, não corresponde à realidade. Isto por que naquelas cavernas floresceram centros urbanos de um das maiores civilizações da antiguidade, os Hititas.
Na Capadócia foram encontrados os vestígios de uma dos mais antigos agrupamentos urbanos que se conhece, datado de 7 mil anos A.C.
Os Hititas provavelmente foram os pioneiros na domesticação do cavalo, evento que mudou completamente o curso da história, conferindo maior mobilidade e possibilitando ao homem o domínio sobre áreas cada vez maiores.
Uma outra tecnologia indispensável que foi gerada nas montanhas da Capadócia foi a metalurgia. Embora não haja um concenso do local exato onde houve inicio a fundição de metais, é certo que alí é um dos locais mais antigos onde ocorreu a fundição do ferro.

Salve, Jorge
Quem já ouviu a música de Jorge Ben Jor, deve lembrar que a Capadócia é a terra de origem de um dos mais cultuados santos do cristianismo: São Jorge.
Quem ainda não ouviu, vale a pena conferir Jorge da Capadocia

Conta a história que Jorge fora um capitão do exército romano e que se convertera ao cristianismo, o que levou ao seu martírio pelo Imperado Diocleciano.
Na Idade Média, a associação de Jorge da Capadócia, à cavalaria e às armas tornou-se uma importante referência entre os cavaleiros medievais de onde surgiu a lenda da batalha contra o Dragão.
No Brasil, São Jorge é associado à Ogum, Orixá guerreiro, de onde vem também a sua associação à Lua, uma leitura tipicamente brasileira do mito de São Jorge. Ogum é aquele que abre os caminhos, que vence às dificuldades. É também justamente o Orixá da espada, da metalurgia, a força espiritual por trás do progresso e da tecnologia. Seja na armadura de um cavaleiro medieval ou na presença do Orixá que representa a coragem, a fé e a perseverança nas horas mais difíceis, Ogum é um dos Orixás com maior número de devotos no Brasil. Muitas vezes, sem que mesmo o saibam, Ogum é evocado por todos aqueles que buscam os inequívocos caminhos do progresso e do desenvolvimento.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Anonimato


Não, não estou falando do motel, mas desta sensação que se tem nas grandes cidades. Hoje mesmo. Andei duas vezes de metrô. Devo ter visto talvez meio milhar de pessoas diferentes. Incrível, não conhecer ninguém, mesmo tendo vivido por mais de 15 anos em SP. Acostumei-me a andar meio quarteirão e ser cumprimentado umas três vezes. Mesmo sem ter uma relação tão íntima com cada pessoa, no conjunto, é como se houvesse em Cruzeiro do Sul, mais pessoas com que realmente me importam. Ou como se eu importasse mais. Parece loucura, mas isso mexe com a cabeça de qualquer um. O anonimato às vezes é interessante, nos dá uma certa sensação de liberdade, como se pudessemos ser "nós mesmos" sem as amarras das convenções sociais. Mas por outro lado, o anonimato "em excesso" dilui tanto a identidade a ponto de não sabermos mais quem somos.
É por isso que nas grandes cidades existem verdadeiras "tribos urbanas" que recriam a identidade tal qual existia nas pequenas comunidades, usando para isso, até mesmo o espaço virtual.

Ando no metrô olhando as caras de hoje, que não são as mesmas caras de ontem. Nunca mais as verei. Minha mente prega peças: "será que não conheço essa cara de algum lugar?" -"essa parece a Amy Winehouse" . "esse parece aquele tal de "morre diabo", do You Tube.

Os meninos usam uns cabelos estranhos, da tal moda Emo e os afro-descendentes realçam suas características. Através de roupas, cabelos, e adereços, o animal urbano recria o que na selva se fazem com sons e odores.

E quem sou eu afinal? Minha identidade volta-se para o noroeste, tão longe de onde nasci. Mas tenho certeza que sou o resultado da inquietude de uma geração. Sou produto de um meio urbano que não reconhecido, não cabe mais no molde social a sua volta e busca outros valores, outros horizontes. Hoje reconheço-me muito mais nas praias e barrancos do Juruá. Na luta de um povo para romper os seculares grilhões do isolamento. Reconheço-me um Náua que engatinha, que balbucia as palavras de uma língua absolutamente mionoritária, quase esquecida, mas que fala a linguagem das fontes, folhas e animais, dos espíritos e encantes da floresta. Aí está a identidade, o oposto do anonimato.

"Vou me encontrar longe do meu lugar, eu caçador de mim"
Milton Nascimento

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Bolívia em São Paulo






Nasci no Brás. O bairro é citado em alguns sambas de Adoniran Barbosa (O Arnesto nos convidô, prum samba ele mora no Brás...). Foi na época de meus avós, um bairro pobre que recebeu principalmente imigrantes italianos e espanhóis. Meu avô, que veio ainda criança da Espanha contava que o pai dele, meu bisavô, um espanhol de Zaragoza, catava caixas de madeira para fazer móveis improvisados que eram vendidos a preço de custo.



Depois o mesmo bairro passou a receber a migração nordestina e até hoje podem-se ver inúmeras "Casas do Norte" como são chamadas as lojas especializadas em vendas de artigos raros por aqui, como farinha de mandioca artesanal, carne seca, geléia de mocotó, etc... Tudo para matar a saudade dos nordestinos que fizeram de SP, seu novo lar.


Mais tarde vieram levas de coreanos que estabeleceram-se principalmente no ramo de confecções, atividade com a qual muitas familias se tornaram prósperas.



A leva mais recente de migrantes que SP tem recebido são os bolivianos, muitos dos quais se instalam no bairro onde nasci, o Brás. Não deixa de ser curioso observar nossos vizinhos andinos formarem verdadeiras colônias na Megalópole.



Segundo alguns estudiosos, os bolivianos começaram a vir em grande número para SP desde 1980, a partir da crise econômica que reduziu as já escassas possibilidades de emprego naquele país. A maior parte são empregados da indústria de costura e muitos que chegaram aqui como empregados, ou sub-empregados, já abriram seus pequenos negócios.



Uma curiosidade é que os bolivianos denominaram uma praça no Canindé (outro bairro com forte presença boliviana) como Praça Kantuta nome de uma flor que cresce no altiplano e cujas cores, imitam as da bandeira boliviana.


Nesta praça, acontece todos os dia 24 de janeiro, a celebração das alasitas com direito a danças típicas, e libações à Pachamama, principal divindade andina.



Talvez a festa possa trazer estranhamento a muitos paulistas, mas é fato que hoje existem celebrações coinsideradas típicas da cidade que também foram trazidas por imigrantes, como a Festa de Santa Achiropita, dos italianos ou o Bunka Massuri, dos Japoneses, entre outros. Infelizmente, eles também tem sido vítimas de preconceito, assim como o foram os nordestinos, e os imigrantes italianos e espanhóis em seu tempo, mas acredito que assim como estes, no espaço de no máximo mais uma década, os bolivianos estarão tão integrados à realidade paulista que somente irão enriquecer ainda mais o mosaico cultural da cidade.

A eles o blog Terranauas deseja: Suerte!


2ª Foto e legenda: "Bolivianos em São Paulo: entre o sonho e a realidade"
Sidney Antonio da Silva
Instituto de Estudos Avançados - USP


São Paulo terá Dia do Orgulho Hetero



E para provar que em SP não tem só "viado", a Câmara de SP aprovou o "Dia do Orgulho Hetero".

Apesar do título, me parece mais uma "frescura", assim como o dia do orgulho gay.

E o que é pior, acho que só vai ter "macho" no dia. Será que alguma mulher que vai querer "comemorar" esse dia?



Prefiro "comemorar" minha condição heterossexual, bebendo um vinho com a namorada.


O projeto passou com absoluta maioria na câmara da maior cidade do país, o projeto é de autoria do vereador Carlos Apolinário (DEM). É bem estranho, verdade, mas com tanto alarde em torno dos direitos dos homossexuais, como negar àqueles que não o são, o direito de se manifestarem?



E vc, o que acha?

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

CZS, agora também sem Cinema



Esta semana fomos brindados com a notícia de que a única sala de exibição de cinema de CZS foi fechada. Maravilha! Assim piora mais um pouco a proverbial falta de lazer de nossa querida cidade.



Segundo "Zezão", arrendatário do Cine Romeu, a baixa frequencia não estava dando para pagar as contas. Os cinemas passam por dificuldade em todo lugar. Em SP, capital nacional das salas de exibição, muitos cinemas tradicionais viraram bingos e igrejas evangélicas. Nada contra. Mas em SP, o fenômeno se deu principalmente por conrta da dificuldade de se encontar uma vaga para estacionar. Roubo de veículos nas ruas, etc. O público acabou migrando para as salas nos shopings, mais seguras e com mais serviços agregados (praça de alimentação, compras, etc). Em CZS o problema é outro: falta de público mesmo.



Pode-se até se questionar se filmes de Hollywood podem ser chamados de"cultura", mas certamente é melhor que nada.


Nada contra também os "farinhadas da vida", mas é preciso oferecer algo mais à nossa população do que música ruim e "manguaça".


O caso do cinema é emblemático: não se sutentou como investimento privado, mas quem sabe poderia funcionar com uma "forcinha" do poder público. Quantos filmes poderiam ser exibidos para estudantes de todas as idades, desde o ensino infantil ao universitário, para depois se tornarem trabalhos escolares?



O que me entristece, é que o tão desejado "progresso" é imaginado por mentes sem muitos horizontes que simpelesmente querem repetir o que já existe de pior por aí.


A BR está virando realidade, mas para se construir uma realidade melhor, é preciso saber sonhar e nada melhor para nos ensinar a sonhar, do que as artes: cinema, teatro, música, artes plásticas, literatura, etc...



Corremos o risco de termos uma cidade "integrada" com o resto do Brasil, mas cada vez mais desconectada de si mesmo, mas isso já é tema para outra postagem. Por hora fica meu protesto e meu alerta de que não podemos, como sociedade, deixar que se reduzam ainda mais as já poucas opções de lazer em nossa cidade.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Marechal encontra a paz afinal!


Depois de ter sido pomo da discórdia entre Estado e Municipio, a estátua e bronze de Marechal Thaumaturgo parece ter enconrado seu lugar definitivo no primeiro pórtico da avenida Mâncio Lima. Cruzeiro do Sul deve ser um dos únicos lugares do mundo que tem um logradouro sob responsabilidade do estado e não do município. Bo para o Marechal, que terá seu lugar definitivo. A menos é claro, que alguém resolva transformar o Acre na "Bocalândia".

É bom que se lembre que a estátua foi um presente do Governo do Estado para CZS pelo seu centenário. Cometendo o erro histórico d ecolocar nas mãos do marechal, uma bandeira que ele nunca segurou. Aqui ele está sem bandeira, ainda e bem que podiam trocar pela bandeira do Brasil para ser mais exato com a história. Sou fã de Plácido de Castro e da Revolução Acreana, mas não se pode mudar a história.

É bom que se lembre também que a implicancia com o marechal foi o primeiro ato de Vagner Sales como prefeito que disse que transformaria o local, em áea de lazer. Taí ele hoje:

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Quem são os "donos" da ayahuasca?


Há alguns meses atrás tive uma conversa, muito positiva por sinal, com uma pessoa do patrimônio histórico sobre proceso de patrimonialização da ayahuasca.

Percebe-se que o caminho encotrado no Brasil para o uso legal da ayahuasca se dá através do conceito de liberdade religiosa. Até aí tudo bem. A questão é que a ayahuasca em seus milênios, nunca foi religão por si só. Segundo os estudos antropológicos a respeito, a bebida era muito mais um "acessório" dentro de uma cosmovisão já existente (até por que o conceito de religião parece estranho aos povos indígenas). É muito mais um instrumento de acesso a esta cosmovisão do que um eixo a qual orbita a comunidade.

Dentro deste processo que fez com que a sociedade brasileira tomasse contato com esta bebida milenar, é natural que cada vez mais pessoas se interessem em conhecê-la em sua origem.

Conversava neste final de semana justamente sobre isso com o cacique Nixi Waca do povo Yawanawá, mais conhecido no Acre, como Biraci Brasil.
Nixi Waca reconhece a importância das religões ayahuasqueiras para o reconhecimento da sociedade nacional sobre os conhecimentos indígenas. Para ele, a existência de grupos ayahuasqueiros em todo país cria uma comunidade significativa de potenciais aliados do movimeto indígena Mas para que isto se torne uma realidade é preciso que se conheça a verdadeira origem deste conhecimento.

"As pessoas querem beber o uni (ayahuasca) com liberdade, mas também com responsabilidade. Para iso, estão buscando nas origens. Quem foi que trouxe essa bebida, foi Cristovão Colombo? Foi Pedro Álvares Cabral? Não, isso é nosso, é dos povos indígenas. Tem gente que diz: veio do Peru. E o que é o Peru? Quem criou o Brasil, a Colômbia e o Equador. Antes era tudo nosso, dos povos indígenas. Nós nascemos junto com esta bebida que não conhece fronteiras. Tem gente que esconde a verdade: de que a ayahuasca é algo da cultura indígena e dos povos indígenas. Mas esta é uma época em que as máscaras estão caindo. Tanto as máscaras do mal, quanto as do bem. Eu tenho a minha máscara de uma jibóia toda pintada. Uma máscara que mete medo, mas por trás dela sou uma pessoa que ama seus filhos, que brinca com os menoriznhos, que se torna criança também, sem medo. E tem gente que usa uma máscara bonita e por trás dela é uma pessoa que só quer as coisas para si. Esta é uma época do fim das máscaras, para que todos conheçam a verdade."

sexta-feira, 29 de julho de 2011

CZS no JN



Confesso que fazia tempo que não via o JN. É a pior forma de saber da "realidade". Aquilo é um pasquim distorcido de tudo que acontece no mundo. esta semana caabei assitindo duas vezes. Uma delas enquanto estava esperando por uma pizza. Foi divertido.



Divertidíssima a reportagem em que uma nova rica vindo lá de Miami diz que se sente "envergonhada" de chegar no Brasil e ver as filas nos aeroportos. A matéria era uma esculhambação geral com o sistema aeroportuário brasileiro. Só faltou dizer o óbvio: está assim porque muita gente está viajando de avião, reflexos de uma economia em crescimento, mas tem gente que se sente ressentida com o fato de mais gente poder viajar de avião. Ou seja, a reportagem é uma visão distorcida, que provoca indiganação até naquilo que deveria trazer contentamento.



No dia seguinte, vem a reparação: na forma de uma notinha minuscula no canto da tela, falada de meia boca pelo apresentador: Brasil foi o país em que os vôos domésticos mais cresceram. Porque não uma reportagem mostrando as famílias da nova classe média brasileira que podem visitar os parentes de avião, em Minas, Norte e Nordeste ou no Paraná?



Mas confesso que foi bacana ver a matéria sobre a queda da malária no Acre, leia-se Juruá, pois é aqui que o negócio pega. Só achei a matéria fraca de exemplos. O repórter esteve apenas em um ramal de RBR e a única entrevistada teve apenas 4 malárias. Ora, aqui no Juruá se encontra gente que teve mais de 30. Só eu tive 13.

Cruzeiro do Sul foi citado nominalmente como exemplo de combate à malária, portanto faltaram imagens da cidade para dar mais embasamento à reportagem.



Mesmo assim, parabéns ao governo, especialmente Tião Viana que é o principal responsável por essa redução desde quando estava no senado. A verdade tem que ser dita. Parabéns tb à Juruá FM, que na época foi o principal canal de comunicação para que a capital soubese do que estava se passando aqui.

Acompanhei de perto toda esta situação e é uma vitória saber que os números continuam caindo.



E voltando ao JN, que tal a matéria sobre o novo Estado da Palestina? Os idiotas preferem mostrar o arame farpado em Israel do que a festa dos palestinos...


E assim, o jornal que se diz sério e que preza pela qualidade e imparcialidade da informação se converte em panfleto sionista...




As drogas matam, a caretice também


Neste semana tivemos a morte de Amy Winehouse, lembrada com mais uma entre as dezenas de artistas que dperderam a vida por abuso de drogas. Abuso, é bom que se diga, e não apenas uso. Sim, porque a diferença entre o remédio e o veneno é a dose, já diziam os antigos gregos e romanos, e até a inocente e pura água também mata, caso alguém se afogue no rio.

Faço minhas a spalavras da pesquisadora que disse: " É normal de quem tem consciência, experimentar com a consciência". Ou seja, desde que o mundo é mundo, o ser humano experimenta coisas que alterem a sua percepção.

Nas Américas principalmente, foi desenvolvidsa uma verdadeira ciência a partir das chamadas plantas de poder: peyote, ayahuasca, wachuma, etc... Mesmo os inocentes mate, chocolate e guaraná, vem da mesma seara.

Como praticante de xamanismo, minha opinião sobre as drogas é que na verdade a grande tragédia foi a profanação deste conhecimento pelo capitalismo. Foi assim aque a sagrada folha de coca, virou a hedionda cocaína, e que o sagrado tabaco virou o cigarro dos maços de malboro e holywood, e por aí vai.

Para mim, a solução para o problema das drogas, seria admitir a necessidade de experimentação, e fazer este estudo com os verdadeiros mestres destas ciências. Para a coca, procurem os quetchuás ou ayamarás, para a marijuana, os hindus shivaístas, e etc...

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Mas também esta semana, provou que se as drogas matam, a caretice também. Que outro nome dar à atitude do belo rapaz louro de olhos azuis que se deidicou a matar jovens reunidos do PT norueguês? Se sua mente não fosse tão careta, podia ter dado outra resposta às suas inquietações, podia fazer esportes radicais na Nova Zelândia, ou experimentar peyote no Novo México, podia ter feito uma savana na África, ou assistido o carnaval no Rio de Janeiro (duvido que mesmo com toda sua arrogância, não ia acabar se rendendo ao charme da mulata). Mas preferiu disparar arma de fogo contra jovens trabalhistas.

Caretice. Não vejo outro nome para fundamentalismo cristão de extrema-direita.
Acho que Jesus, há mais de dois mil anos atrás, certamente não era careta.

A caretice é isso, é não enxergar o mundo com todas as suas cores e possibilidades e não se engane, mesmo usar "drogas" não é antídoto para isso. Quando morava em SP, tinhamos as chamadas "hipinhas malufistas", que se vestiam todas descoladas, fumavam maconha, mas continuavam votando no "rouba mas faz".

Bem, de uma forma ou de outra não é recomendável fazer o que a Amy fez, perder as estribeiras e se entregar nas drogas e álcool. Mas muito pior foi o tal do Breivik, que matou cerca de 92 pessoas inocentes em nome de qualquer asneira. Se tivesse que escolher entre uma loucura e outra, preferia a da Amy.

Ampliar a visão de mundo é algo urgente para uma humanidade que está diante do limiar que pode fazer a diferença entre a existência e a extinção.
Quando ampliamos nossa visão de mundo, ampiamos também as diferentes possibilidades de futuro para a humanidade.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Campanha Pimpolho Prefeito 2012


Tendo em vista o crescente desgaste do prefeito Vagner Sales, quero aqui neste espaço do blog, sugerir um nome para concorrer à sucessão municipal: Pimpolho 2012.

Tenho certeza que será mais uma "unanimidade" na coluna de Moreira Jorge. Afinal, o cara saca tudo de Juruá. Bem, com a baba que ele e o AC 24 horas ganha do garoto propaganda da lacoste, talvez até eu...

Falando sério...

Estou seriamente preocupado com o futuro de CZS e já virei um daqueles chatos que ficam prenunciando tragédia, mas não custa insitir: estamos às vesperas de conclusão da Br e a antes agradável CZS já dá mostras de que não vai suportar o crescimento. Só uma administração séria e realmente comprometida com o futuro da cidade e mais que tudo, com visão urbanística teria coindições de responder ao desafio. O problema é que boa parte da sociedade ainda está meio adormecida, acreditando que o problema de sua rua é só o problema de sua rua, sem conseguir ter uma visão geral do problema. Uma visão moderna da cidade, poderia fazer de CZS um verdadeiro brinco nesta floresta, uma cidade arborizada, bonita, com muitas áreas de lazer, agradável, limpa e com oportunidades para todos.

Infelizmente estamos mais perto do oposto disso, uma cidade barulhenta e caótica, cheia de problemas de uma cidade grande, mas sem os mesmos confortos e oportunidades. Rio Branco é uma cidade assim. Ainda que as últimas administrações tenham tido uma boa visão de urbanismo, estão apenas correndo atrás do prejuízo de décadas de crescimento desordenado.

Aliás, o espaço urbano apenas reflete uma sociedade de desiguais. E que desigualdade maior pode haver em CZS onde meia dúzia é dona da quase totalidade de terrenos urbanos?

A verdade é que a farsa da administração coronelista é apenas um reflexo de uma parcela importante de sociedade igualmente preconceituosa e atrasada, que por pura falta de informação se deixou levar pelo discurso fácil e raivoso do anti-petismo.
Uma maneira de pensar (ou de não-pensar) que perde a força na mesma medida em que esta sociedade tem acesso à informação e oportunidades.

O desgaste de Vagner Sales é não ter compreendido a tempo, que a sociedade cruzeirense mudou e está mudando, que existe uma classe média em crescimento, de que uma fatia importante de sua juventude estudou fora e volta contra outra visão, de que a Universidade da Floresta abriu as portas para que filhos de agricultores e ex-seringueiros tivessem acesso à formação universitária.

Mais cedo ou mais tarde, esta transformação social vai se traduzir em mudança política, e aí, os coronéis terão seu lugar, na história.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Viva Ollanta!

Amanhã, o líder nacionalista Ollanta Humalla assume a presidência do Peru. Momento histórico para a América Latina. O Peru sempre foi pautado pelo neoliberalismo mais descarado e agora um quetchua assume o poder prometendo desenvolver uma política semelhante a do governo Lula.

Ollante teve que moderar o discurso e se aproximar da centro-esquerda de Toledo para poder vencer a filha de Fujimori, Keiko.

Acompanhei de perto esta mudança no cenário peruano entre os anos de 2009 e 2011. Em 2009 Ololante era uma unanimidade entre os serranos e 'quetchuablantes' , especialmente agricultores e mineiros, mas era tido com sérias ressalvas pela classe média peruana e mesmo pela classe pobre não identificada com os movimentos étnicos e sociais do Peru. A crise mundial que dimunui a entrada de dólares do turismo estadunidense- europeu e a mudança no tom de discurso de Ollanta cativou uma parcela importante da sociedade e em 2011, gente que antes tinha medo dele passou a gritar a plenos pulmões : "Viva Olanta!"

A imprensa vendida brasileira vai esbravejar com seu pit bul Arnaldo Jabor, sobre o cresciumento da esquerda na AL.
Mas a entrada do Peru, no bloco de países com orientação política à esquerda, é mais um severo golpe no já decadente neoliberalismo.

Aqui da fronteira noroeste do Brasil, meu desejo de boa sorte ao novo presidente...

PS: A bandeira colorida é a Wipala, bandeira tradicional andina que representa a união dos povos do Tawantinsuyu, não tem nada a ver com GLBT, não...

terça-feira, 26 de julho de 2011

Fundamentalismo Cristão faz vítimas na Noruega


O que têm a ver o massacre na Noruega, com a chacina do Realengo e a candidatura de José Serra?

São três expressões do crescente fundamentalismo cristão, ainda que muita gente não queira ver as coisas deste modo.
José Serra soube aproveitar a onda fundamentalista e aproveitou a polarização, embalado por este pensamento retrógrado ao estilo TFP, que andava meio adormecido.
Serra só não decolocou porque a prosperidade econômica alavancada pelo Governo Lula foi um apelo muito mais forte para a nova classe média.
O massacre do Realengo foi praticado por um louco, aparentemente sem nenhuma vinculação com células terroristas, mas revela um pouco a psiqué do assassino terrorista - se sente um "escolhido" para lutar contra os "impuros". Tanto faz ser islâmico ou cristão, a estupidez é a mesma só à espera de uma bandeira para justificar seus atos criminosos.

Já no caso da Noruega, o próprio assassino confessou ser um fundamentalista cristão, conclamando a luta contra a "mistura de raças" e o marxismo. Broxa. Soubesse como é bom ter uma morena nos braços não fazia uma merda dessas.

No Brasil, país da tolerância, parecia até pouco tempo impossível que tais idéias ganhassem corpo, mas o massacre do Realengo provou que talvez estejamos errados.

Com as mãos sujas de sangue, os sites cristãos apressam-se em dizer "este filho não é meu". Claro que não se espera de nenhuma igreja que oriente seus dscípulos a "sair matando".
Mas isso também serve para pensarmos que talvez os "terroristas islâmicos" não sejam criados dentro das mesquitas. O fundamentalismo religioso, de qualquer denominação serve de motivação para assassinos que agem em defesa de algo. No caso dos islâmicos, a real motivação é a defesa de um modelo de sociedade, do memso modo que o assassino norueguês.

"Ser um cristão pode significar muitas coisas: que você acredita e quer proteger a herança cristã da Europa cultural, o patrimônio cultural europeu, nossas normas (códigos morais e as estruturas sociais incluídos), as nossas tradições e nossos sistemas políticos modernos, que são baseados no cristianismo (protestantismo, catolicismo e cristianismo ortodoxo) e no legado do iluminismo europeu
"

Veja também o que ele falou sobre o Brasil

"Nos próximos 70 anos, os conservadores precisam tomar o poder político e militar numa combinação de luta armada e democrática … A alternativa será um modelo de contínua bastardização, muito parecido com o modelo brasileiro: onde, graças a uma revolução marxista, se criou uma mistura de raças da Europa, Ásia e África."

Anders Behnring Breivik

Muito lúcida a análise do colunista Walter Hupsel.

" ... Os “especialistas”, atônitos com o ocorrido, tentaram, de toda e qualquer maneira, encaixar uma explicação qualquer que remetesse aos muçulmanos. Qualquer coisa, naquele momento, servia a eles, nos seus delírios, nas suas elucubrações. Diria eu que estavam estado de êxtase hipnótico, apontando o dedo rua afora e vendo fantasmas em todos os lugares..."

No entanto, depoius que ficou clara a posição de extremista cristão, procurou-se desvincular a motivação (pseudo) religiosa.

" Desde os primeiros momentos já estava claro, pra qualquer pessoa que tentasse entender o que se passava, que o alvo dos atentados não era a Noruega, ou mesmo o governo, mas sim um partido, uma posição política. Era claro, logo, que o atentado fora levado a cabo por razões internas.

O alvo, o modus operandi, tudo indicava solidamente pra nacionalistas noruegueses, para extrema-direita. Mas a mídia olhou, e não viu. Não quis ver.

Quando finalmente enxergou, as características “religiosas” do assassino, do terrorista norueguês, foram esquecidas. Ele tornou-se uma radical louco, um homem perturbado aos olhos dos jornais. Afinal era um de nós."

Ou seja, só os "outros" podem ser terroristas com motivcações religiosas, os cristãos, nunca...São apenas "loucos". Vamos revisitar o rio Tauarí, minha gente...

Em 1998, uma violenta manifestação de fanatismo religioso provocou o assassinato de seis pessoas, inclusive duas crianças, e o espancamento coletivo dos moradores de Lavras, uma típica comunidade do interior da floresta amazônica isolada nos confins do rio Tauari, município de Tarauacá, no Estado do Acre.

Para saber mais sobre o fundamentalismo cristão:

Menino é forçado a comer papel em ritual religioso na Escola


PS: É bom o cruzeirense Chinganga tomar cuidado. De pele morena, dançarino de salsa e merengue, pode se tornar uma vítima dos Neo-nazi-broxas-(pseudo) cristãos Noruegueses!