A morte a tiros da Onça Juma, mascote do Batalhão de Selva de Manaus, durante a passagem do Fogo Olímpico é mais um fato que vem se somar à cada vez mais extensa lista de fatos vergonhosos em relação às Olimpíadas no país.
Se já não bastassem as remoções forçadas, as obras superfaturadas e atrasadas, o Baía de Guanabara poluída, a desfaçatez de uma classe política ilegítima e sem representatividade real, agora temos também para a vergonha geral da nação, um animal símbolo abatido minutos depois de posar como 'figurante' da passagem da tocha.
Alguém já disse que 'somos todos onças': figurantes em uma celebração cuja 'presença' do povo brasileiro é meramente ilustrativa de um 'povo cordial e feliz' que somente permanece vivo na memória de marchinhas de carnaval.
Somos o povo cordial e feliz que mais avidamente destrói e mata no mundo. Segundo relatório da Global Witness, o Brasil foi no ano de 2015, o país em que mais se mataram ambientalistas. Cinquenta segundo o relatório. Somos seguidos pelas Filipinas e Colômbia, com 33 e 26 respectivamente.
Isso em certa maneira, equivale a dizer que a Onça Juma, antes de morrer, já estava morta. Este aliás tem sido o principal argumento daqueles que se propõe a minimizar e relativizar o fato. O Exército recebe dezenas de animais capturados pelo IBAMA de traficantes ilegais, ou quando por acaso algum destes animais 'invade' uma propriedade.A Onça Juma morreu sua primeira morte quando teve seu habitat natural destruído para dar espaço a alguma fazenda, ou barragem ou garimpo. Uma segunda morte na mão de traficantes. Uma terceira morte, simbólica, quando, ela, a senhora absoluta da floresta foi acorrentada para tornar-se figurante involuntária da pantomima olímpica. E finalmente o tiro de misericórdia, quando um esturro e um movimento 'suspeito' trouxe a tona sua verdadeira natureza: uma Onça viva em carne, osso, garras, dentes e pintas sempre será mais do que apenas o símbolo de bravura a que se pretende.
Mas, para muito além da comoção pública da morte de um animal que não escolheu estar ali, e para muito além de mais essa vergonha nacional, há outros 'símbolos em movimento' que merecem ser recordados, para que não se tornem apenas gestos ensaiados e repetidos, vazios de significado.
O primeiro deles trata-se da própria Tocha Olímpica. A tocha simbolizava para os antigos gregos que instituíram as Olimpíadas, o Fogo roubado de Zeus por Prometeu.
Contam os mitos que Zeus teria proibido os demais deuses a dar ao homem o fogo, já que com ele, poderíamos nos igualar aos deuses.
A ordem de Zeus foi desafiada por Prometeu que após roubar-lhe o Fogo, presenteou-o a humanidade.
É bastante evidente que, para os gregos antigos, o Fogo é o que diferencia o Homem das demais espécies, colocando-o mais próximo da Divindade.
Esse tema, de algum modo, reaparece nos mitos ameríndios. Com a diferença que os povos nativos da América, é justamente a Onça, a Dona do Fogo.
Os mitos contam a história de como a Onça, (ou como prefiro, Jaguar) era a primeiro dona do fogo, em um tempo mítico em que a o homem comia cru e a onça, cozido.
A partir daí surgem variações de como este fogo chegou até o homem. Em algumas histórias, o fogo é roubado da Onça por meio de astúcia. Em outras versões, a Onça, meio que apiedada da condição humana, voluntariamente dá aos homens o Fogo, como um presente.
O Fogo é o marcador civilizatório, a fronteira entre o Cru e o Cozido. É também a fronteira entre o mundo ‘cultural’ humano e o selvagem mundo ‘natural’. Ou se preferir, dentro de uma perspectiva indígena, o Fogo é o que marca e diferencia a cultura humana, das culturas da outras espécies, já que essa fronteira artificialmente imposta entre natural e cultural parece não constar nas referências indígenas.
Entre estes dois mundos, estas duas perspectivas, está o Fogo.
Ou seja, em outras palavras, isso equivale dizer que o Fogo, aquilo que diferencia o Homem das demais espécies, aquilo que cria a perspectiva humana, é na verdade, um legado da Onça.
Não espero com isso que ‘os outros’ passem a venerar a Onça como ‘animal sagrado’. Afinal, como diz Ailton Krenak, o sagrado está nos olhos de quem vê, e quem vê em uma montanha, rio ou floresta apenas recursos a serem pilhados, jamais terá a oportunidade de ver algo além disso.
Continuarão sem saber que a luz primeira, aquela que acende as tochas com que se caminha nas escuridões, todas elas, já nasceu primeiro, antes da primeira alvorada, no brilho dos olhos do Jaguar.
quinta-feira, 23 de junho de 2016
sábado, 28 de maio de 2016
Sobre a Cultura do Estupro
O estupro coletivo de uma adolescente no Rio de Janeiro popularizou
o uso da expressão ‘cultura do estupro’. Aparentemente, na minha Time Line,
muita gente teve contato com o termo pela primeira vez, e a julgar pelas postagens,
de homens e de mulheres, há muita incompreensão do significado e consequentemente
uma rejeição ao uso da expressão ‘cultura’ associado ao ato violento do
estupro.
A expressão refere-se a um conjunto de normas e crenças que
resultam na banalização do ato do estupro, ou, ainda mais frequentemente, a
culpabilização da vítima pela violência sofrida.
São as ‘tradicionais’ (e portanto, sim, culturais) ‘explicações’
ou ‘justificativas’: ela usava roupas curtas demais, ela provocou, ela queria,
e etc...
O termo cultura do
estupro foi cunhado pelo movimento feminista ainda na década de 70 aplicada á
cultura dos EUA como um todo. Posteriormente
foi identificada pela sociologia, antropologia e psicologia. Parte integrante
dessa ‘cultura’ estaria a transformação da mulher em objeto.
“Há culturas em que
isso é coibido. E são culturas em que há uma disparidade menor entre gêneros,
em níveis diversos - na representatividade política, na igualdade de salários,
na divisão de tarefas dentro de casa. Não é apenas um viés [de igualdade].”
Arielle Sagrillo Scarpati, Mestre em Psicologia pela
Universidade Federal do Espírito Santo e doutoranda em Psicologia Forense pela
University of Kent, na Inglaterra
Contudo, o tema é controverso e também há críticos desta
concepção.
Caroline Kitchens, pesquisadora do American Researsh
Institute, por exemplo, rejeita a ideia de que a responsabilidade do estupro
seja de uma ‘cultura’ e não de indivíduos. E argumenta:
“Temos leis rigorosas que os americanos querem ver
aplicadas. Embora o estupro seja certamente um problema sério, não há nenhuma
evidência de que ele é considerado uma norma cultural. Século XXI América não
tem uma cultura de estupro; o que temos é um átrio fora de controle, levando o
público e os nossos líderes educacionais e políticas para o caminho errado.”
Ainda em seu texto ‘Its time to end rape-culture hysteria’,
Caroline sugere que a concepção de uma cultura do estupro esteja levando o país
a uma espécie de ‘histeria‘ , em que músicas, peças de teatro e até mesmo
esculturas, são classificadas como ‘cultura do estupro’, perdem espaços
públicos e chegam a ser censuradas.
Pode ser que de fato, alguns exageros estejam sendo
cometidos nos EUA em nome de se combater a ‘cultura do estupro’. Aqui nessas plagas
latinas, pode-se perceber que existe sim, uma cultura muito forte de
objetificação da mulher e que a ideia de se culpar a vítima pela violência
sofrida, ainda é um argumento muito comum. Não por acaso foram criadas as
delegacias da especializadas nos crimes contra a mulher, já que muitas vítimas,
após terem sofrido ainda tinham (e ás vezes ainda tem), de lidar com
preconceito e machismo de delegados mau preparados.
Há duas imagens que ilustram bem a ideia de ‘cultura do
estupro’. A primeira delas, do desenhista Milo Manara, em que retrata o
estupro, e o sentido de posse, intimamente ligado ao primado da violência.
A segunda, uma campanha da Dulce & Gabana, que
francamente, não remete a outra coisa senão a um estupro. Uma campanha
publicitária como esta é praticamente uma prova física de que não apenas existe
uma cultura do estupro, fundamentada nos aspectos mais atávicos da humanidade,
mas como se renova através da comunicação de massas.
Homem, branco, e heterossexual, certamente não é a minha
opinião a que mais importa para dizer se há, ou se não há uma cultura do estupro.
Francamente, não gostaria de que uma histeria, como a descrita por Caroline,
viesse a pautar as relações entre homens e mulheres. Tampouco desejo que a
impunidade continue a limitar a liberdade das mulheres sobre seus próprios
corpos e suas relações.
quarta-feira, 25 de maio de 2016
A Educação na República dos Coxinhas
Alexandre Frota, com o invejável currículo de ator pornô apresenta propostas para a educação, que não por acaso, tem a sua frente 'Mendoncinha', criatura do DEM cuja experiência é o de criador de aves no interior de Pernambuco.
Alexandre, o Frota, foi levar ao 'sinistro da educação', uma proposta que pasmem, foi criada pelo 'Revoltados On Line'. Agora quem sabe, seremos o primeiro país com um modelo de educação pautado em uma página de facebook, que entre outras coisas não prima pela verdade
Esta não é uma situação à toa. Não é nenhum 'ponto fora da curva' ou acidente de percurso do governo Temer. É resultado direto da paranoia anti-comunista que se instalou no país, através de sites de desinformação. Para estes, o modelo de educação de Paulo Freire, educador reconhecido mundialmente, não serve, bom mesmo é o modelo do 'Revoltados On Line'.
Em pauta, a 'desideologização da escola'. Como se tal coisa fosse possível. Como se não tivéssemos no âmago da educação o positivismo cientificista que nos enfiam goela abaixo desde o inicio do século XX, o cristianismo católico que está na base da primeira educação dos jesuítas, o calvinismo presente em instituições de ensino anglo-saxãs instaladas no país, o liberalismo que permeia praticamente toda e qualquer instituição de ensino que tenha por objetivo 'preparar para o mercado de trabalho'. E por aí vai. Desde a disposição das carteiras, o quadro negro, o sino do recreio, TUDO É IDEOLOGIA, pois em tudo há uma visão de mundo presente e uma necessidade de 'formar' para esta visão.
Agora patético mesmo, é que a corramos o risco de ter, daqui pra frente, uma educação montada em cima de IDEOLOGIA criada a partir do rebotalho de quem nunca estudou a questão à fundo, e que apenas reproduz asneiras de uma página de facebook.
Parabéns, esse é o modelo de educação na República dos Coxinhas
sábado, 21 de maio de 2016
Ode a 'Vagabundagem': do ócio criativo de Masi ao não-fazer de Dom Juan e Heidegger
Desde manhã vinha pensando em escrever uma espécie de ‘Ode à
vagabundagem’. Mas... pense numa preguiça...
Desisti várias vezes. Qual é afinal a utilidade de um texto
sobre a vagabundagem? A maior ‘ode’ seria não fazê-lo.
Então me recordei de uma história que ocorreu comigo há uns
dez anos atrás.
Encontrei-me com um amigo, um jovem huni kuin, no centro da
cidade de Cruzeiro do Sul. Ao me ver, ele exclamou:
-Nossa, você está tão magro! Andou doente?
-Não, é muito trabalho!
-E para que tanto trabalho? Você se acaba e o trabalho não
se acaba!
Aquelas palavras ficaram ‘coçando’ em minha cabeça durante
anos, como uma caspa ou um piolho pelo lado de dentro do crânio.
Naquele tempo, trabalhava de manhã em uma rádio, à tarde em
uma televisão e à noite, três vezes por semana, ainda dava aulas de história em
um cursinho pré-vestibular.
Sentia-me bem e útil. Importante. E as palavras do índio, simplesmente viraram
do avesso meu modo de pensar.
Encontrei em sua maneira de pensar, ecos com o chamado ‘Ócio
Criativo’ defendido pelo filósofo italiano Domenico de Masi.
"O homem que trabalha perde um tempo precioso"
Domenico de Mais.
Filho da sociedade industrial, nasci e cresci em um bairro
industrial, estudei em escolas que preparavam para o ‘mercado de trabalho’, e
mesmo apesar de toda visão crítica em relação a isto, seguia reproduzindo o
mesmo modelo de meus pais e avós: produzir para consumir, como um robô.
Satisfação zero.
E essa forma de pensar, e agir, tão arraigada. Trabalhar,
produzir, consumir. Trabalhar mais, produzir mais, consumir mais e a vida se esvaído
com as areias do tempo, escorrendo por entre os dedos. Tão ‘útil’.
Domenico de Masi propõe a superação da sociedade industrial
por meio de uma forma de ‘trabalho’ que confunda-se com estudo, jogo e lazer:
"O futuro pertence a quem souber libertar-se da idéia
tradicional do trabalho como obrigação ou dever e for capaz de apostar numa
mistura de atividades, onde o trabalho se confundirá com o tempo livre, com o
estudo e com o jogo, enfim, com o 'ócio criativo'".
O não-fazer
Um dos conceitos mais intrigantes apresentados a Carlos
Castañeda por seu mestre Dom Juan, é justamente o do não-fazer.
Dom Juan explica o fazer
como um processo mental em que reproduzimos os aspectos já conhecidos da
realidade. Enquanto fazemos, diz Dom
Juan, não somos capazes de realmente ver a
realidade.
Estamos simplesmente dizendo para nós mesmos, através de nosso diálogo interno, que as coisas são como
são porque são assim que as conhecemos.
E aí chego no ponto que queria.
Não há processo criativo possível dentro do fazer. Somente
no não-fazer é possível criar.
Dom Juan descreve a realidade como pulsante e mutável. O
fazer torna as coisas ‘mais simples’ para nós. È um espécie de ‘piloto
automático’ da consciência que faz nos enxergar o caminho onde ele de fato
nunca esteve, pois de fato, não há caminho algum.
-Aquela pedra ali é uma pedra por causa de fazer, disse ele.
...não havia entendido o que ele queria dizer.
-Aquilo é fazer! - exclamou.
-Como?
-Isso também é fazer.
-De que é que está falando, Don Juan?
-Fazer é o que torna aquela pedra uma pedra e um arbusto um
arbusto. Fazer é o que torna você, você e eu, eu. (...)
-Tome aquela pedra por exemplo. Olhar para ela é fazer, mas
vê-la é não fazer. Tive de confessar que as palavras dele não estavam fazendo
sentido para mim.
-Ah, fazem, sim! - exclamou. - Mas você está convencido do
contrário porque isso é você fazendo. É assim que você age em relação a mim e
ao mundo...
-O mundo é o mundo porque você conhece o fazer necessário
para torná-lo mundo - disse ele. - Se você não soubesse o seu fazer, o mundo
seria diferente (Castaneda, 1972/2006, p. 237).
A concepção do índio mexicano Dom Juan dialoga com o
filósofo alemão Heidegger:
Em sua analítica da
existência, Heidegger aponta que o nosso modo predominante de ser é o estar
absorvido na ocupação com as coisas. Essa "ocupação" não é para ele a
mera lida objetiva com coisas previamente dadas, mas uma relação intencional,
no sentido fenomenológico, de constituição de sentido. Ocupar-se com as coisas
é participar de modo irrefletido da dinâmica de realização de um mundo. Nos
deixamos absorver tão firmemente a essa lida ocupacional que deixamos escapar o
aberto do mundo.’
É este aberto que permite o processo
criativo para Heideger. Fora disso, está apenas a reprodução irrefletida, a
desumanização e consequente robotização do ser humano por meio da técnica.
‘Na "era da técnica", como é denominada, por ele,
a época atual, o homem toma todos os entes como recursos para os seus afazeres,
como se toda a realidade se reduzisse a mera reserva de energia disponível para
sua exploração e consumo (Novaes de Sá & Rodrigues, 2007).’
O músico, xamã e filósofo da cosmovisão andina, Alonso Del Rio
atribui a eminência do desastre ecológico ambiental que ameaça a existência humana,
ao que denomina a ‘tripla maldição’ do pensamento ocidental. Argumenta que a concepção
da expulsão do paraíso, significou o sentimento de que a Terra é maldita, e
portanto não é lugar de ser feliz. O trabalho, também é maldito: uma obrigação
enfadonha determinada pelo deus patriarcal. Nas palavras de Alonso, o mito do
gênese torna maldita também a mulher através da menstruação e as dores do parto.
Contudo, o Calvinismo, transformou o que trabalho, que na
sociedade cristã medieval era simplesmente uma obrigação, em uma maneira de
chegar aos céus. Afinal, a proposta calvinista que libertou a burguesia de suas
amarras teológicas, é a de que riqueza é sinônimo de salvação e que portanto, o
lucro, proveniente de trabalho honesto, leva aos céus.
Resta saber se a concepção de trabalho honesto se aplica aos
próprios religiosos que constroem verdadeiros impérios empresariais, midiáticos
e políticos com base nas doações dos fiéis, mas isso é tema para outra
discussão.
Veja que o Calvinismo não libertou a concepção de trabalho
como castigo, libertou somente a consciência do ‘pecado’ da ganância. O
trabalho continua sendo uma obrigação, mas você pode ao menos, agora, usufruir
através do consumo.
Alguém tem dúvida de que estes são os paradigmas em execução
questão nos conduzindo ao cadafalso?
A questão passa a ser portanto: e o que temos para substituir
este paradigma?
Talvez possam nos ajudar aqueles que foram, e são, justamente
chamados de ‘vagabundos’: os índios.
Penso que não foi por acaso que aquele jovem huin kuin
advertiu ‘você se acaba, e o trabalho não se acaba’. Penso que seja fruto
realmente de uma concepção ancestral, de uma lida com a natureza onde o
acumular não faz muito sentido.
Aliás, que sentido faria o conto infantil da ‘cigarra e a
formiga’ em um lugar onde não há invernos rigorosos, e onde a escassez de um
tipo de alimento, é substituído pela fartura de outro?
Nos breves períodos em que estive com os yawanawá, por
exemplo, pude presenciar período de trabalho bastante intenso que movimentavam
toda a comunidade, precedidos de dias de descanso, em que a presença familiar é
valorizada e aspectos culturais são enfatizados. São
noitadas de cantorias, são as brincadeiras, são as histórias. É o viver
que em uma existência automatizada torna-se apenas consumo de lazer
e entretenimento.
Bem, meu texto já vai chegando ultrapassando as 1.200
palavras. Muita coisa para quem se propôs a escrever uma ‘ode à vagadundagem’.
Por ser este um tema, praticamente inesgotável, preferia não
fechá-lo em uma conclusão, como seria de praxe, mas deixá-lo em aberto
como sugere Heideger, pois afinal é somente não-fazendo que é
possível existir em plenitude... E criar.
____________________________________________________________________
Referências:
1.Castaneda, C. (1968). A Erva do Diabo. Rio de Janeiro: Record.
2.Castaneda, C. (1974). Porta para o infinito. Rio de Janeiro: Record.
3.Castaneda, C. (2006). Viagem a Ixtlan. Rio de Janeiro: Nova Era (Original publicado em 1972).
4.Castaneda, C. (2009). Uma estranha realidade. Rio de Janeiro: Nova Era (Original publicado em 1971).
Ana Gabriela Rebelo dos SantosI; Roberto Novaes de SáII
IGraduada em Psicologia pela Universidade Federal Fluminense, Mestre em Psicologia pelo Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Universidade Federal Fluminense / Bolsista REUNI (UFF) e Arteterapeuta integrante da equipe da Clínica Pomar no Rio de Janeiro. Email: anagabrielarebelo@gmail.com
IIProfessor Associado da Universidade Federal Fluminense, vinculado ao Programa de Pós-Graduação em Psicologia da UFF. Endereço Institucional: Universidade Federal Fluminense, Centro de Estudos Gerais, Departamento de Psicologia. Campus Gragoatá, bl. O, sala 218 (São Domingos). CEP 24210-350, Niterói (RJ). Email: roberto_novaes@terra.com.br
IIProfessor Associado da Universidade Federal Fluminense, vinculado ao Programa de Pós-Graduação em Psicologia da UFF. Endereço Institucional: Universidade Federal Fluminense, Centro de Estudos Gerais, Departamento de Psicologia. Campus Gragoatá, bl. O, sala 218 (São Domingos). CEP 24210-350, Niterói (RJ). Email: roberto_novaes@terra.com.br
domingo, 15 de maio de 2016
Ao vencedor, as bananas
Mesmo diante de seu 'Rei Nu', setores da imprensa ainda se esforçam para elogiar suas vestes, ao professar legitimidade à farsa que segundo a opinião corrente, transformou o Brasil em
uma ‘República das Bananas’: associação imediata com uma republiqueta onde as
regras do jogo são torcidas e distorcidas para se chegar ao resultado que afinal,
se queria desde o início, mas que, não sendo possível por meios legítimos
busca-se dar ao menos a aparência de legalidade.
![]() |
| Temer em seu Trono de bananas. Imagem: Mídia Ninja* |
A expressão tem origem na atuação da United Fruits Company,
corporação estadunidense que determinou a política local da maioria das
repúblicas centro-americanas durante o século XX.
Eram elas, afinal, as bananas, principal produto de
exportação, quem de fato importavam na política nacional destes países. A
democracia, nada mais que uma pantomima, destinada a dar a aparência de que
havia ali, o aval da vontade popular.
Em editorial deste dia 15 de maio do Jornal O Globo, repete
à exaustão a catilinária de que ‘o Brasil não é a Venezuela’, como uma contra
medida à imagem maculada do país no exterior com a suspeita de que tenha sido
vitima de um ‘golpe’.
Ainda que alguns meios de comunicação estrangeiros ainda se
ressalvem de utilizar a palavra ‘golpe’, a noção de que o processo todo foi uma
grande farsa está cada vez mais evidente.
O editorial tenta pregar a ideia de que a reação da imprensa
internacional tenha sido fruto de movimentos de bastidores daquilo que denomina
‘lulopetismo’.
Com a acusação, tenta se defender da triste sina que carrega
desde que foi criada para dar sustentação ao regime ditatorial militar
instaurado com o Golpe de 64.
A argumentação de que o processo transcorre na mais absoluta
normalidade institucional, tramitando por duas casas legislativas com o amparo do
STF pode até, para os mais incautos, servir de base para sedimentar a opinião
de que não há golpe algum.
Contudo, mesmo uma avaliação das mais superficiais, dá conta
do tamanho da farsa perpetrada justamente sob as barbas, togas e mandatos de
quem deveria resguardar não apenas a constituição, mas a essência da vontade
popular.
Pois bem, recordemos:
1-
Um processo de impeachmeant é instaurado contra
uma presidente eleita tendo como acusação as benditas ‘pedaladas fiscais’,
expediente comum utilizado por presidentes anteriores e repetido por dezenas de
governos estaduais, como o de SP, para citar um
2-
Mobilizações populares são estimuladas e
incentivadas pela mídia, tendo como motivação central a (justa) indignação popular
contra a corrupção. A imprensa, aí incluída as organizações Globo, ajudam a
construir a ideia de que o impeachmeant de Dilma, seria apenas o começo de uma ‘grande
limpeza’.
3-
O processo é conduzido por um presidente da
câmara sob graves acusações de enriquecimento ilícito, recebimento e
distribuição de propina entre outros parlamentares e lavagem de dinheiro através
de uma igreja evangélica. É réu no STF, que contudo o permite continuar todo o
processo, para logo em seguida ao impeachmeant, ter o mandato cassado
4-
Finalmente após a aprovação no senado, Dilma é
afastada e assume Michel Temer, já declarado inelegível por estar enquadrado na
ficha suja. Temer compõe o governo com o PSDB, partido derrotado nas eleições
anteriores. Entre eles estão ao menos sete investigados pela Lava Jato.
5-
Temer anuncia um plano de governo que prevê
cortes em programas sociais e uma política de austeridade que jamais seria
aprovada em referendo popular
6-
O PMDB tenta ‘garrotear’ a Operação Lava Jato,
levando a considerar, por exemplo, a anistia de Cunha, para evitar a sua
delação, ou mudar a lei de delações no congresso.
Não é preciso ser ‘lulopetista’ para
enxergar a grande ‘Ópera Bufa’ que se tornou o processo de imepachmeant.
A alegação de que toda esta farsa ocorre
justamente com tramites e ritos supostamente respeitados nas duas casas
legislativas e no judiciário, longe de conferir legitimidade ao processo, tão
somente denunciam o quão podres e carcomidas estão as instituições a ponto de permitir
tamanha ruptura institucional.
Fato é que, se nossa democracia permite que
esta ‘ruptura’ tendo as instituições preservadas, o mesmo não se pode dizer do
pacto representado pelo momento das eleições.
Nela, é facultada uma escolha. O eleitor
opta por um candidato, um partido, um programa de governo.
Vota-se inclusive, no conjunto, também em
um vice-presidente com atribuições constitucionais bastante claras, que certamente
não incluem a conspiração com o seu partido para comprometer a governabilidade
do governo pela qual foi eleito e implantar o programa político adversário.
Farsa.
Durante anos, a Rede Globo que vinham
anunciando à população ‘abram o olho, vejam quanta corrupção’, faz o movimento
contrário: ao defender a ‘legalidade’ da farsa, dizem com isso: -’podem fechar
os olhos, está tudo sob controle e absoluta normalidade democrática’.
Farsa
O editorial de ‘O Globo’ busca exaltar as
instituições brasileiras festejando como a prova definitiva de que ‘O Brasil
não é a Venezuela’. Repete-se ad nauseum os adjetivos ‘lulupetista’ e ‘bolivariano’,
como se fossem aplicáveis a meios de comunicação internacionais como
Whashington Post, New York Times, The Guardian, Liberation, Le Monde, El País.
Todos estes jornais, com maior ou menor
grau assumem o caráter de farsa do impeachmeant. Alguns claramente aplicam o
nome definitivo: ‘golpe’, mas mesmo os mais cautelosos apontam os desvios e vícios
do processo.
Certamente que não o Brasil não é a
Venezuela, já que aqui, comprovadamente as instituições: legislativo e
judiciário, não serviram aos interesses do executivo, o que não significa
dizê-los dignos de isenção.
A acintosa seletividade, denunciada desde o
início, primeiro pela imprensa declaradamente de esquerda, e agora pela
imprensa internacional, somente revela que nossas instituições tem claramente
servido a um projeto de poder que não por acaso, é o exato oposto daquele
referendado pela população nas últimas eleições.
O episódio servirá de ilustração para os
historiadores quando estes quiserem exemplificar de como um projeto neoliberal
falido, incapaz de vencer pela via eleitoral, volta do túmulo como um
morto-vivo por meio de uma ‘farsa’ institucional, que na prática trata-se de
uma eleição indireta para presidente.
Se isso não faz de nós uma ‘Venezuela’,
certamente nos aproxima de outros exemplos de ‘farsas’ e ‘manobras’ perpetradas
em outros países do continente, como Paraguai e Honduras, para citar dois
exemplos.
Uma nova classe de golpe, em que não se dispara
um único tiro, em que os militares não saem as ruas, mas que tão somente as
instituições que deveriam ser as guardiãs
da vontade popular, tornam-se sua algoz, usurpando para si um poder que não
lhes pertence por direito.
De nada irá adiantar que se repita 24 horas
por dia que ‘não houve golpe’. Podemos passar anos discutindo a semântica da
palavra ‘golpe’ cada qual defendendo um ponto de vista. O fato é que, houve uma
ruptura, um pacto foi quebrado, e as chances de que um governo sem legitimidade
possa a vir resgatá-lo são praticamente nulas.
A imprensa não irá lidar mais com a classe
média bestializada, mas com setores organizados, conscientes e agora libertos
de qualquer compromisso com a manutenção do governo.
Temer, o conspirador, irá herdar não
somente um país quebrado do ponto de vista fiscal, mas completamente cindido em
vários níveis.
Irá herdar uma República nascida da
promessa de uma era de combate à corrupção, mas que já inicia-se desmoralizada com
sete ministros investigados pela Lava Jato e manobras para diminuir o alcance
das investigações.
Quincas Borba, personagem imortal de Machado
de Assis traduzia sua filosofia particular, o ‘humanitismo’, na célebre frase ‘ao
vencedor, as batatas’ – como maneira de justificar todos os atos que levem à
vitória
Àqueles que procuram naturalizar o conjunto
de manobras e farsas, algumas sutis e outras nem tanto, para alterar por completo o
resultado das últimas eleições, fica o recado, prenhe de simbolismos, seja pela
herança que terão de uma República das Bananas, desmoralizada em sua essência,
seja pelo gesto familiar de quem não aceita as condições impostas de maneira arbitrária
e sorrateira:
Ao vencedor, as bananas.
* Não consegui identificar o autor da caricatura. A imagem foi publicada pelas páginas 'Mídia Ninja' e 'Jornalistas Livres'.
quarta-feira, 27 de abril de 2016
A República de Temer
Uma análise bastante comum entre historiadores sobre a proclamação da república é a de que não houve participação popular.
Nesse sentido, o quadro de Benedito Calixto traz um registro importante, não tanto pelo que retrata, mas pela ausência que revela.
O historiador José Murilo de Carvalho refere-se a esta ausência do povo como o ‘pecado original’ da República. Dele originam-se todos os outros.
Ali estão os militares e fazendeiros cafeicultores, estes últimos, particularmente decepcionados com o Império que havia acabado com a escravidão, havia pouco mais de um ano.
Quem está na foto na República de Temer?
Eduardo Cunha, e seu congresso-circo, as oligarquias das poucas famílias que comandam a imprensa nacional, a FIESP e seu pato, os ruralistas e suas mãos sujas de sangue indígena, os teocratas fariseus, os neo-fascistas.
Mas, e o povo? Afinal o povo nas ruas teve um papel primordial para forçar a votação favorável ao impeachmeant no congresso. O povo fará parte desta República de Temer?
Ou repetirá as palavras de Cazuza quando cantou “Não me convidaram para esta festa pobre que os homens armaram para me convencer”.
Segundo a pesquisa IBOPE, Temer possui pífios 8% de preferência do eleitorado enquanto 62% dos entrevistados pedem novas eleições. Definitivamente, o povo não está na foto.
Assim como na República proclamada por Deodoro, a Nova Velha República de Temer também não precisa do povo para existir.
Os fundadores da República de Temer estão certos de que havendo legalidade, a legitimidade é supérflua.
Já empalidece o verde amarelo do “povo nas ruas”, desconvidado a participar da patriótica cruzada contra a corrupção.
Talvez por isso, o super-herói da vez, Sergio Moro tenha subitamente, desaparecido das manchetes. Talvez, quem sabe, a Lava Jato continue acontecendo, mas agora sem os holofotes da imprensa, como sabê-lo?
Sem os vazamentos seletivos, as delações premiadas, as citações comprometedoras, as propinas e doações de campanha passam a fazer parte de outro jogo, outro tabuleiro, onde jogarão agora PMDB e PSDB, como peças de barganha interna.
Um cargo, um ministério, a aprovação de uma lei, o esquecimento/arquivamento de um processo contra um adversário ou aliado.
Temer, o ‘capitão do golpe’ nas palavras de Ciro Gomes, por seu turno, provoca as mais incontidas gargalhadas ao referir-se agora ele, como ‘golpe’ a iniciativa que começa a ganhar corpo no senado, da convocação de novas eleições.
Cunha, o ungido, aquele das contas no exterior e da lavagem de dinheiro ilegal de campanha através de uma igreja, tem tudo para ser inocentado no conselho de ética, mas pode vir também a ser sacrificado, caso a República de Temer assim julgue necessário. Há muito mais a ser protegido. A lista da Odebreacht vai longe e certamente, não existe honra entre ladrões.
Bordões como “Fora e PT” e “Pelo fim da corrupção” darão vez a outros: “Tudo pela Governabilidade”, “União pelo Brasil”, “Tirar o Pais da Crise” e etc.
O espetáculo, senhores, não terminou, apenas as cortinas foram cerradas para disputas que agora serão travadas nos bastidores.
O povo nas ruas?
Não precisam mais. Podem se sentar em suas poltronas confortáveis e voltar a assistir seus seriados de TV favoritos.
Leandro Altheman
Publicado originalmente no site de notícias Juruá em Tempo
quarta-feira, 30 de março de 2016
Cai a farsa do ‘apartidarismo’ e MBL pode virar partido político
Leandro Altheman
O Movimento Brasil Livre, principal articulador das manifestações de rua pró impeachmeant rasgou de vez a máscara do ‘apartidarismo’ que desde 2013 foi uma das principais ‘bandeiras’ do movimento.
O Movimento Brasil Livre, principal articulador das manifestações de rua pró impeachmeant rasgou de vez a máscara do ‘apartidarismo’ que desde 2013 foi uma das principais ‘bandeiras’ do movimento.
O grupo, que possui núcleos em pelo menos 173 municípios
anunciou que deverá lançar pelo menos dez candidatos a prefeito nas eleições
deste ano, além de uma centena de candidatos a vereador.
O MBL tem incentivado a filiação de seus integrantes nos partidos
já registrados, em especial PSDB, DEM, PPS e PSC. Seus coordenadores não
escondem que as candidaturas desse ano seriam apenas mas a ideia é mais ousada e
pretende não apenas transformar o próprio MBL em um partido, como lançar o nome
de Kim Kataguiri, principal coordenador do movimento à presidência.
Uma das condicionantes para permitir a filiação de seus
integrantes é que os mesmos sejam apresentados como candidatos do MBL.
É positivo que o MBL abrace com clareza suas
causas políticas: a defesa do livre mercado e do estado mínimo. O liberalismo é
um ponto de vista válido dentro do jogo democrático. O que não é válido é
defender um ponto de vista e tratá-lo como verdade imponderável e ‘interesse da
nação’ acima de qualquer partido, e esconder-se por trás da máscara do 'apartidarismo'.
É justamente esse um dos discursos precursores do fascismo: negar
a existência de conflitos de interesse dentro da nação.
Ataques à Marina
Silva
As pretensões do líder do MBL já vislumbram um obstáculo à
frente: Marina Silva. Em sua coluna semanal, Kim Kataguiri acusa Marina de ‘petismo
verde’, seja lá o que isso possa significar.
Ao explicitar suas posições contra a eventual adversária
política e buscar um alvo fora das longas listas de delações e propinas, Kim e
o MBL deixam claro que não são apenas um movimento ‘anti-corrupção’, mas que
possuem uma posição política definida, um ponto de vista, um ‘partido’.
Em seu artigo, Kim não faz menção a qualquer ‘deslize ético’
de Marina, mas justamente às suas posições políticas.
Empurrada para a
esquerda
Caso o impeachmenat se configure, Marina mais uma vez,
deverá experimentar o paradoxo de suas posições políticas conflitantes. Se durante
nas eleições, seus adversários usaram seu conservadorismo (anti-aborto,
anticasamento gay, anti-legalização da maconha), para colar-lhe o rótulo de ‘direita’,
agora, seus novos adversários usaram sua trajetória no PT como ‘prova’ de que
ela sempre será ‘de esquerda’.
A própria Marina Silva, contudo, defende a ideia de que seja
possível transcender a polarização entre ‘esquerda e direita’. Resta saber se
isso de fato, é possível, e como.
segunda-feira, 21 de março de 2016
Marina cresce na Sombra
A pesquisa Datafolha divulgada neste sábado (19/03)
aponta que cresceram as intenções do voto na acreana Marina Silva (Rede). Se as
eleições fossem hoje, Marina venceria as eleições nos quatro cenários possíveis,
independente de qual seja o candidato do PSDB. Na mesma pesquisa, Lula, ficaria
em segundo ou terceiro lugar dependendo do cenário. A conclusão possível é de
que Marina tornou-se o nome mais forte para disputar a eleição contra os
tucanos Aécio Neves, Geraldo Alckmin e José Serra. Mesmo em uma improvável
eleição em que os três candidatos tucanos viessem a disputar, ainda assim,
Marina levaria vantagem sobre os mesmos, segundo a pesquisa.
Há muita água para rolar debaixo da ponte, mas é certo que
Marina deverá ser novamente o alvo do PT nos próximos dias.
Uma avaliação possível é de é preferível ao PT, perder as
eleições para os tucanos e entregar a presidência, do que ver Marina Silva à
frente dela.
Tamanha prevenção só se explica pelo que Marina pode vir a
significar, caso vença as eleições. Ela, que já é hoje, uma referência
internacional nas questões climáticas e ambientais, poderia tornar-se ainda uma
figura de tal importância a ponto de ofuscar o lugar que hoje Lula ocupa como o
presidente que ‘venceu a fome no Brasil’.
Marina já vem sendo criticada por suas posições por vezes tíbias,
por vezes moderadas demais, mesmo quando o assunto é a sua praia: as questões
ambientais. Um exemplo comumente lembrado é o da tragédia envolvendo a Samarco
em Mariana. Não é verdade. Marina escreveu sobre o assunto nos espaços em que
lhe foi permitido. Ainda assim, não há nela, aquela postura militante,
indignada, que muitos poderiam esperar em um caso do tamanho e da gravidade de
Mariana.
Mas também não é segredo que boa parte das razões que a
fizeram romper com Lula, Dilma e o PT, encontram-se justamente na sua relutância
em conceder as licenças ambientais para a construção das hidrelétricas de Jirau
e Santo Antônio.
Ao contrário do que afirmam muitos petistas, a saída de
Marina do PT não teve nada de ‘oportunista’ ou ‘personalista’. Há aí uma divergência
de concepção que é fundamental. Enquanto o governo desenvolvimentista de Dilma
Roussef aposta (ou apostava) no petróleo do pré-sal, aliado ás hidrelétricas na
Amazônia como principal alavanca para o desenvolvimento, Marina faz uma aposta
mais utópica, do Brasil como ‘potência ambiental’, por enxergar o enorme
potencial do país na produção de energia solar e eólica, na sua biodiversidade,
nas suas florestas e rios. Há aí o risco da chamada ‘economia verde’ e de mercantilização
da natureza, já alertado por setores dos movimentos indigenista e ambiental. Mas
é inegável que seria um passo à frente no país que baseia sua economia nas
frágeis comodities.
Ainda que boa parte da população e da classe política
enxergue as questões ambientais como um tema transverso, periférico, a
decantada produção de soja do país pode ser abalada caso venhamos a ter um
agravamento das crises hídricas e climáticas. O mesmo pode ser aplicado à
produção hidrelétrica, totalmente sujeita ao regime de águas dos rios, e portanto,
às florestas.
Uma mudança na matriz de produção energética do país, tal
como propõe Marina implicariam entre
outras coisas, em um investimento massivo em ciência e tecnologia, relegado a
um plano pífio durante o governo Dilma. Outra consequência indireta, poderia
vir a ser um reaquecimento e realinhamento da economia para atender a esta nova
demanda.
Algo que certamente assusta as empreiteiras e partidos
políticos que hoje dependem de grandes obras para financiarem suas campanhas e conseguirem
as benesses do poder público, num circulo vicioso que só deve parar quando não
existir mais nada a ser devorado por essa aliança espúria.
Marina é igualmente criticada por estar sempre ‘à sombra’
dos grandes debates nacionais, o que denotaria ‘oportunismo’ segundo seus
críticos.
Pois é justamente este ‘estar às sombras’ que melhor explique
o seu crescimento político.
Marina sabe que para vencer a disputa presidencial de 2018 (e
eventualmente antes disso, caso vença a tese da cassação da chapa Dilma-Temer
no TSE, defendida pela REDE e pelo PSOL) deverá cativar eleitores hoje
identificados tanto com a esquerda quanto com a direita. Qualquer posicionamento
mais incisivo, irá fatalmente reduzir o eleitorado de que necessita para
tonar-se uma candidatura viável.
A acreana não vai entrar num campo minado, onde não detém
nem o poder da mídia, nem o da militância. Seria esmagada e despedaçada em
poucas semanas, como o que ocorreu nas eleições de 2014.
Há uma analogia poética possível deste ‘crescer às sombras’,
não com os ‘urupês’ – cogumelos que crescem em paus podres, usados como metáfora
por Monteiro Lobato para descrever os caipiras do interior do Brasil, mas com a
rainha, ou chacrona, arbusto utilizado na preparação do daime, que apesar de
ser a responsável pela ‘luz’ das mirações, deve crescer às sombras.
sexta-feira, 18 de março de 2016
O Chapéu de Duas Cores
Nestes dias em que assistimos ao
acirramento político, achei que permaneceria intocável aqui no meu distante
buritizal, lá onde o vento faz a curva.
Enganei-me. Primeiro porque é quase
impossível assistir impassível a tantas movimentações, que querendo ou não, em
algum momento extrapolam nossas razões e atingem o âmago de nossos sentimentos.
Já há algum tempo, por razões bastante
conhecidas por aqueles que seguem minhas publicações, havia deixado de lado
qualquer apoio político ao PT e à Lula. Em resumo: compartilho com a sensação
de boa parte das pessoas ligadas às causas ambientais e indígenas, de que nossa
pauta foi completamente rifada pelo atual governo em troca de apoios
substanciais de setores como: agronegócio, empreiteiras, bancada teocrática e
outros. Isso para mim foi motivo suficiente para retirar o apoio, que até
então, prestei ao governo até pelo menos metade do primeiro mandato de Dilma.
Fato é que, a súbita explosão de
comoções geradas pela quebra do sigilo telefônico de Lula e Dilma, acabou
tocando aquele emocional, lá no fundo, trazendo à tona uma ojeriza acumulada em
décadas de percepção de que a Justiça, que hoje ampara aqueles que querem ver o
fim do governo Dilma, de Lula, do PT e se possível de toda esquerda, em verdade
sempre foi um colegiado de privilégios profundamente empregado de valores do
Brasil Colônia. São as ‘excelências’ togadas arrotando direitos tão fora da
realidade quanto seus privilégios permitem.
Minha decisão de não ir às ruas, nem
de vermelho PT e nem de amarelo CBF não é ‘muro’, mas resultado de um sentimento
que somente têm se fortalecido nos últimos dias.
Não me resta dúvida de que Lula,
Dilma e o PT, ainda que por meios questionáveis, colhem exatamente o que
plantaram. Ou acharam eles que as alianças espúrias com o setor privado sairiam
‘de graça’?
A questão é: o que está sendo semeado?
O que vejo é ódio e intolerância. O que as passeatas verde-amarelas transmitem
é uma noção de ‘ordem’ que parece advinda de aulinhas de educação Moral e
Cívica, e que sim, contém elementos proto-fascistas.
Dito isso, é preciso fazer a ressalva
de que nem todo mundo que está de vermelho hoje ‘apoia a corrupção’, do mesmo
modo que nem todos que estão de amarelo são fascistas ou proto-fascistas.
Pessoas chegam a determinadas conclusões baseadas em aspectos objetivos, mas
muito também, por razões subjetivas que as levaram a construir determinada
escolha. Se não respeitarmos as escolhas de cada pessoa, tampouco respeitaremos
a pessoa por trás delas.
Tenho me rendido cada vez mais à
concepção de que tudo o que temos no final das contas, são pontos de vista, já
que nossa visão da realidade, por melhor que seja, sempre será apenas um
recorte ínfimo da realidade total.
Encerro esse texto, com o conto
africano do Chapéu de Duas Cores, que explica, com muita sabedoria, o que
busquei expressar através desse texto.
O CHAPÉU DE DUAS CORES
Contavam os mais-velhos
que, na Aldeia de Ajalá, havia dois irmãos muito unidos. Eles jamais tinham
brigado entre si. Nunca tinham se aborrecido um com o outro. A fama daquela
amizade corria as aldeias e todo mundo comentava, fazendo disso admiração
geral.
Um dia, Exu andava por
aquele lugar e ouviu comentários sobre o fato. Então, ele resolveu fazer um
teste sobre a fortaleza daquela amizade. Descobriu os dois irmãos trabalhando
num campo, que era dividido ao meio por uma estrada estreita. E eles
trabalhavam cantando, cortando o mato com facões bem amolados, conversando
sobre diversos assuntos. Aí, Exu pôs na cabeça um chapéu pintado de vermelho e
preto, sendo que de cada lado só se via uma única cor.
Então Exu passou pela
estrada, entre os dois irmãos e os saudou, dizendo:
— Bom dia, irmãos
unidos!
E os irmãos responderam
a Exu em uma só voz. Mas Exu passou por entre eles, sempre olhando para frente
e seguiu adiante, até desaparecer na curva da estrada. Aí, um dos irmãos
perguntou ao outro:
— Quem era aquele homem
de chapéu vermelho?
Ao que o outro
respondeu:
— Mentira sua! O homem
usava um chapéu preto...
O irmão que viu o homem
de chapéu vermelho se sentiu ofendido e, pela primeira vez, mostrando-se
aborrecido, devolveu a ofensa. E o que tinha visto o homem de chapéu preto
ficou aborrecido também. Daí, eles começaram a discutir, num desentendimento
sem igual. A raiva cresceu tanto, que eles terminaram se agredindo com
palavras. As ofensas trocadas se agravaram e eles terminaram avançando um sobre
o outro, armados de facão. Brigaram tanto que se mataram. E porque eles não
tinham herdeiros, o campo ficou entregue às feras e às ervas daninhas.
É por isso que, até
hoje, nas aldeias, os mais-velhos ainda avisam:
— Se lembre do chapéu
de duas cores: Nem tudo é aquilo que parece ser...
segunda-feira, 7 de março de 2016
♫‘Mas o que mais me dói, você escolheu errado seu super-herói’♪
Não, definitivamente, Moro não é herói. Ou talvez seja. Cada
um escolhe o herói que quer. Bin Laden pode ser herói. Lampião. Al Capone. Eduardo
Cunha. Eu por exemplo, gosto de Gêngis Khan, um cruel assassino. Gosto é gosto.
Moro é o pai de todos os coxinhas, aqueles anti-petistas doentes incuráveis, que por razões que Freud explica muito bem, bradam contra a corrupção de A, mas não se incomodam com a de B. Para estes, basta ‘tirar o PT’ do poder, e o arco-iris irá brilhar no horizonte, livrando-nos de todo o mal, amém.
Moro criou em torno de si a imagem do garoto incorruptível que quer
transformar o Brasil em ‘país sério’.
Em um ‘país sério’, Moro não seria levado a sério. O Moro
real não sobreviveria à severidade do Moro da mídia.
Moro pode convencer ‘suas nêga’, mas não a mim. É extensa
sua ficha de ‘serviços prestados’ à agremiação política imediatamente
beneficiada em 'tirar o PT do poder’. Sua esposa, Rosângela Moro, é nada menos
que assessora jurídica do PSDB do Paraná, partido que vem sendo
sistematicamente tolerado nos vazamentos seletivos à imprensa na ‘Lava Jato’.
Em um país sério, isso já seria o bastante para, no mínimo,
por em cheque sua capacidade de julgamento sobre o caso.
Moro é um canalha, mas isso não faz de Lula e o PT ‘vítimas
inocentes’. Moro é exatamente o tipo de canalha que Lula merece no seu calcanhar.
Porque Lula, meus caros, também não é ‘herói’. Bem,
talvez seja para alguns. Como Stalin é herói. Hitler para outros ainda é. Tem
quem curta Bolsonaro. Sadam Hussein já teve estátua no Iraque. O ladrão
contumaz Fujimori ainda é querido no Peru e eu não duvido que até o Idi Amim
Dadá deva ter seus fãs lá pras suas bandas em Uganda. Eu por exemplo, quando assisto os “Dez Mandamentos’, sempre torço para Ramsés. Gosto é gosto.
Sei que o 'pai do pobres' gostaria de ser comparado ao
herói-bandido Robin Hood, mas eu duvido que o arqueiro medieval tenha recebido
presentinhos do xerife de Nothingan. Isso faria muito mal à sua imagem e Sherwood.
O que diriam vocês, meus nobres leitores, caso soubessem que
eu, este ‘orelha seca’ que vos fala, tivesse recebido um ‘presentinho’ substancial
de algum político? No mínimo seria questionada minha suposta ‘imparcialidade’
ao microfone, por que, no mínimo, eu teria que ‘pegar leve’ com quem me
presenteou, mesmo que os fdps em questão fossem responsável por invasões áreas públicas ou aterros ilegais.
Lula recebeu bem mais que um presentinho, e justamente das empreiteiras que dão as cartas nos grandes projetos de ‘desenvolvimento’ no país.
Lula recebeu bem mais que um presentinho, e justamente das empreiteiras que dão as cartas nos grandes projetos de ‘desenvolvimento’ no país.
Lula jamais poderia ter
aceitado tal coisa. No mínimo, ele sabe que isso lhe fere não apenas a sua
ética e sua dignidade, como o deixa exposto como chefe da nação. Ao aceitar
tais ‘presentes’, Lula
não apenas mostrou que também ele, e sua história, tem preço como vendeu a nação às empreiteiras de modo vergonhoso.
Lula é no mínimo, um traidor.
Lula é no mínimo, um traidor.
Não dá para defendê-lo nessa altura do campeonato. Se está nas
mãos de um canalha que usa a máscara do ‘bom-mocismo’ isso deve-se somente ao 'karma' engendrado por sua própria biografia.
sua própria ‘biografia’, ao seu próprio 'karma'. Como dizem por aqui ‘deixou pegar na sua munheca’, deixou
o rastro de suas sujeiras e agora quer ‘mobilizar’ a nação em sua defesa. Usar o
povo como ‘escudo humano’. Covarde.
E que me desculpem aqueles da tese de ‘defesa da democracia’.
A qual democracia deveria sair em defesa? A mesma democracia
das empreiteiras, que atropelam direitos fundamentais na construção de
hidrelétricas, nas obras da copa e das olimpíadas, que atrasam e superfaturam obras inconclusas? Que financiam políticos de praticamente TODOS os campos políticos?
É em defesa a este mesmo modelo de democracia, que Dilma, em conluio com nosso congresso aprovou a famigerada ‘lei anti-terrorismo’, que vai entre outras coisas, criminalizar os movimentos sociais. Portarias são publicadas, facilitando cada vez mais a essas mesmas empreiteiras, atropelar os processos de licenciamentos ambientais e de consulta às populações afetadas. Todo poder às empreiteiras!
Como cidadão brasileiro, tenho todo direito do mundo de
supor que estes e outros ‘presentinhos’, aceitos com tanta docilidade por Lula ajudaram moldar o caráter dessa ‘empreiteirocracia’ de favores tão prestimosos por parte do executivo.
Não contem comigo para a defesa da ‘empreiteirocracia’ a
qual Lula se vendeu. Não contem comigo para ir às ruas defender a republiqueta
hondurenha de Moro e sua turma.
Você pode até escolher um deles para ser o ‘seu herói’. Mas certamente
não são os meus.
sábado, 9 de janeiro de 2016
Cruzeiro do Sul 'exporta' banana para Rio Branco e pequenos comerciantes 'torcem' pelo fechamento da BR
As condições precárias de tráfego na BR 364 não têm impedido a compra de banana no mercado de Cruzeiro do Sul para atender ao mercado da capital.
Diariamente caminhões carregados com o produto enfrentam lama e buracos no asfalto para suprir o mercado riobranquense, onde a banana está em falta.
Segundo a imprensa da capital a razão da escassez seria a menor produção de banana, e o fato de que muitos produtores estariam preferindo vender diretamente para Rondônia.
No mercado de Cruzeiro do Sul, não há falta de banana, e a 'palma' pode ser encontrada por R$2,00 da prata ou maçã, para o consumidor.
Para o atravessador, o preço do cacho tem saído entre R$6,00 a R$8,00 destas qualidades, podendo chegar a R$20,00 no caso da banana grande.
No mercado, os pequenos comerciantes não tiveram consenso sobre se esta comercialização tem influenciado ou não o preço do produto em Cruzeiro do Sul. Para uma comerciante, por exemplo, o preço já havia sofrido elevação de R$4,00 para R$6,00 reais o cacho antes mesmo de o produto começar a ser comercializado para Rio Branco.
Já outros acreditam que há influência, e que o cacho deve chegar esta semana a R$8,00, igualando com o preço com que tem sido comercializado para Rio Branco.
A maior parte da banana que é vendida no mercado de Cruzeiro do Sul é produzida ao longo do rio Juruá, e não sofre portanto, influência da intrafegabilidade da maioria dos ramais nesse período.
A produção ribeirinha de banana decaiu muito em decorrência da grande alagação de 2008, que destruiu a maior parte dos bananais do Juruá, mas já apresenta sinais de recuperação.
Outro problema também é a praga da sigatoka negra, que tem motivado a EMBRAPA a difundir uma espécie resistente à praga, mas que ainda representa uma porcentagem ínfima do que é vendido no mercado.
Comerciante 'torce' pelo fechamento da BR
Na contra mão dos que se preocupam com um possível fechamento da BR 364, alguns pequenos comerciantes de banana não escondem que gostariam que ela viesse mesmo a fechar.
'Era bom que rolasse logo', disse um comerciante que preferiu não ser identificado, mas cuja opinião encontrou eco nos demais colegas que comercializam o produto. Para ele, a possibilidade da venda de banana em Rio Branco significa ter de praticar preços maiores e a consequente perda de clientela, já que a banana é um dos produtos mais populares da cesta básica da região.
Peixe com Banana
E para não perder o costume, o blog Terranáuas oferece hoje também uma receita de banana verde cozida, um prato tradicional indígena, muito consumido no Peru com o nome de 'tacacho', mas também em boa parte do Amazonas e mesmo no litoral brasileiro de influência caiçara.
Corte a banana grande verde em rodelas não muito pequenas e as ponha para cozinhar. É bom que a banana esteja 'de vez' (ou 'verdolenga', como chamam no litoral caiçara). Pode-se optar por cozinhá-las já descascadas, os descascá-las após o cozimento, quando a casca sai mais facilmente.
Então com o uso de um pilão, ou usando o fundo de uma garrafa, ou mesmo um garfo, amassa-se as bananas cozidas até obter uma massa mais ou menos uniforme.
A partir daí, o 'tacacho' pode ser preparado ao gosto do freguês. Em Pucalpa, por exemplo, o tradicional é temperá-la com banha de porco, manteiga ou margarina, e servi-la no café da manhã como 'desayuno'.
Pessoalmente prefiro a opção de temperá-la com azeite de oliva, cebola de palha, pimenta de cheiro, azeitona e milho verde.
Também é possível refogá-la antes no azeite com cebola ou alho, por exemplo, o que a deixa muito saborosa.
Vale mencionar que o valor nutricional da banana verde é maior do que o arroz, macarrão ou farinha de mandioca.
Segundo o site especializado em saúde e nutrição "Bolsa de Mulher"
A banana verde, principalmente quando cozida, contém mais amido resistente do que a madura, um nutriente que não é digerido ou absorvido pelo intestino grosso, mas fermentado, processo que resulta na formação de substâncias que auxiliam a saúde intestinal. “O amido resistente favorece a integridade da mucosa, contribuindo para a correta absorção dos nutrientes e impedindo a entrada de invasores. Com esta barreira, é possível prevenir diarreias, obstipação e até o câncer”, explica a nutricionista da clínica Super Healthy, Paola Moreira.
Diariamente caminhões carregados com o produto enfrentam lama e buracos no asfalto para suprir o mercado riobranquense, onde a banana está em falta.
Segundo a imprensa da capital a razão da escassez seria a menor produção de banana, e o fato de que muitos produtores estariam preferindo vender diretamente para Rondônia.
No mercado de Cruzeiro do Sul, não há falta de banana, e a 'palma' pode ser encontrada por R$2,00 da prata ou maçã, para o consumidor.
![]() |
| Não há escassez do produto, mas preço pode sofrer alteração |
Para o atravessador, o preço do cacho tem saído entre R$6,00 a R$8,00 destas qualidades, podendo chegar a R$20,00 no caso da banana grande.
No mercado, os pequenos comerciantes não tiveram consenso sobre se esta comercialização tem influenciado ou não o preço do produto em Cruzeiro do Sul. Para uma comerciante, por exemplo, o preço já havia sofrido elevação de R$4,00 para R$6,00 reais o cacho antes mesmo de o produto começar a ser comercializado para Rio Branco.
Já outros acreditam que há influência, e que o cacho deve chegar esta semana a R$8,00, igualando com o preço com que tem sido comercializado para Rio Branco.
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| Bananas Prata, Maçã e Comprida ainda podem ser compradas pelos consumidores cruzeirenses por preços menores que na capital |
A produção ribeirinha de banana decaiu muito em decorrência da grande alagação de 2008, que destruiu a maior parte dos bananais do Juruá, mas já apresenta sinais de recuperação.
Outro problema também é a praga da sigatoka negra, que tem motivado a EMBRAPA a difundir uma espécie resistente à praga, mas que ainda representa uma porcentagem ínfima do que é vendido no mercado.
Comerciante 'torce' pelo fechamento da BR
Na contra mão dos que se preocupam com um possível fechamento da BR 364, alguns pequenos comerciantes de banana não escondem que gostariam que ela viesse mesmo a fechar.
'Era bom que rolasse logo', disse um comerciante que preferiu não ser identificado, mas cuja opinião encontrou eco nos demais colegas que comercializam o produto. Para ele, a possibilidade da venda de banana em Rio Branco significa ter de praticar preços maiores e a consequente perda de clientela, já que a banana é um dos produtos mais populares da cesta básica da região.
Peixe com Banana
E para não perder o costume, o blog Terranáuas oferece hoje também uma receita de banana verde cozida, um prato tradicional indígena, muito consumido no Peru com o nome de 'tacacho', mas também em boa parte do Amazonas e mesmo no litoral brasileiro de influência caiçara.
Corte a banana grande verde em rodelas não muito pequenas e as ponha para cozinhar. É bom que a banana esteja 'de vez' (ou 'verdolenga', como chamam no litoral caiçara). Pode-se optar por cozinhá-las já descascadas, os descascá-las após o cozimento, quando a casca sai mais facilmente.
Então com o uso de um pilão, ou usando o fundo de uma garrafa, ou mesmo um garfo, amassa-se as bananas cozidas até obter uma massa mais ou menos uniforme.
A partir daí, o 'tacacho' pode ser preparado ao gosto do freguês. Em Pucalpa, por exemplo, o tradicional é temperá-la com banha de porco, manteiga ou margarina, e servi-la no café da manhã como 'desayuno'.
Pessoalmente prefiro a opção de temperá-la com azeite de oliva, cebola de palha, pimenta de cheiro, azeitona e milho verde.
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| Surubim com 'Tacacho': Foto: Arquivo Pessoal |
Também é possível refogá-la antes no azeite com cebola ou alho, por exemplo, o que a deixa muito saborosa.
Vale mencionar que o valor nutricional da banana verde é maior do que o arroz, macarrão ou farinha de mandioca.
Segundo o site especializado em saúde e nutrição "Bolsa de Mulher"
A banana verde, principalmente quando cozida, contém mais amido resistente do que a madura, um nutriente que não é digerido ou absorvido pelo intestino grosso, mas fermentado, processo que resulta na formação de substâncias que auxiliam a saúde intestinal. “O amido resistente favorece a integridade da mucosa, contribuindo para a correta absorção dos nutrientes e impedindo a entrada de invasores. Com esta barreira, é possível prevenir diarreias, obstipação e até o câncer”, explica a nutricionista da clínica Super Healthy, Paola Moreira.
Se não bastassem todos os benefícios para o intestino, a banana verde apresenta baixo índice glicêmico, ou seja, distribui o açúcar lentamente pelo corpo evitando picos de insulina e contribuindo para a sensação de saciedade. Isso significa que ela é uma grande aliada para quem quer emagrecer de forma saudável.
“Graças ao valor reduzido do índice glicêmico, a banana verde ainda é capaz de prevenir o desenvolvimento do diabetes tipo 2 e o acúmulo de gordura corporal, além de atuar na redução do colesterol e, desta forma, auxiliar na prevenção do desenvolvimento de doenças do coração”, afirma a especialista.
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