
Leandro Altheman
Esta sequência de textos são na verdade uma prévia, um aperitivo do livro que estou escrevendo "Samakãe", sobre a Formação com Mucá. É claro que o uso de uma planta tradicional, em um não-índio, abre portas totalmente diferentes daquelas a que estão acostumados os Yawanawá dentro de sua tradição. Mas estar sobre a orientação de um verdadeiro mestre desta ciência, Sr. Vicente Yawarani, me garate que sejam quais as portas que abrir, terie força e clareza para fechá-las. Como o mucá mexe com os sonhos, todo nosso universo interior é revirado, como um baú cheio de coisas da qual nem nos lembrávamos mais. Com isso, somos convidados a reorganizar nosso universo interno. Mas, cabe a cada um, organizá-lo ou não.
Muita gente já teve vontade de fazer uma tatuagem, mas por se tratar de algo que fica para a vida toda impresso na sua pele, é bom escolher com cuidade o que você vai querer tatuado no corpo. Agora imagine uma tatuagem que é feita não na pele, mas na alma. Algo que ficará impresso para sempre no seu interior, no seu íntimo. Imagine que esta tatuagem não será apenas para a vida toda, mas que se existir vida após a morte, você levará ela por toda a eternidade.
Assim é o mucá, indelével. Depois de tomado ela não sai mais do corpo. Diferente da ayahuasca cujo efeito dura aquelas 4, ou no máximo 6 horas, o Mucá pode passar anos sem que a pessoa o perceba, e de repente, ele volta como um sonho, ou um sentimento estranho que não pode ser desprezado.
Por ser indelével, é que o samakãe, ou seja, a dieta, é tão importante, quanto o próprio mucá. São nos primeiros meses que definem para onde esta força será canalizada. Se for bem canalizada, abre-se um processo de tranformação interior que continua por longos e intermináveis anos, num amadurecimento gradual que não pode ser mais interrompido. Mal canalizado, pode deixar uma cicatriz também indelével, para toda a vida.

Quem toma o mucá é tratado quase como um bebê nos primeiros dias: não pode pegar frio, nem chuva, nem se aproximar do fogo, nem mexer com materiais cortantes,não ouvir conversas pertubadoras de nenhuma natureza, não ouvir grito ou choro de crianças e por aí vai, a lista é interminável, afinal se é para ter uma tatuagem na alma, é bom escolher uma que nos agrade por toda a eternidade.
Leandro, eu li esse post e fiquei imaginando o quanto a combinação natureza-índios tem a proporcionar, mas é um universo acessível a poucos, até por razões claras. Fico imaginando o quanto deve ser uma excelente experiência participar de um processo desses e mais importanete, colher frutos/resultados que se estenderão por toda a vida. Quero ler novas postagens para entender um pouco mais.
ResponderExcluirMuito bom o que vc escreveu tb tenho uma tatuagem na alma .
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