quarta-feira, 2 de maio de 2012

Os Três Porquinhos na Floresta do Alto Juruá

Cheguei à conclusão de que a história dos três porquinhos, só pode mesmo ser fruto de algum lobby da construção civil.

Era uma vez três porquinhos que viviam no Alto Juruá. Aí o presidente, para fazer uma média com os americanos, assinou a criação do Parque Nacional. Sem poder caçar e pescar, os três porquinhos baixaram o rio numa canoa sem motor, "de bubuia", como se diz por aqui.

Os três irmãos se instalaram no Miritizal, porque era o único lugar que tinha terrenos disponíveis. Já que a prefeita anterior havia dado aos empresários que finaciaram sua campanha.

O primeiro fez uma casa toda de palha.
O segundo fez sua casa com a madeira serrada que ganhou de um político e o terceiro, tornou-se presidente do bairro, conseguiu muitos votos e em troca ganhou muitas folhas de alumínio e sacas de cimento, o que deu para começar a sua casa de alvenaria. O restante, ele comprou fiado na Construacre e conseguiu fazer sua tão sonhada casa de alvenaria.

Aí veio a alagação e o porquinho que tinha feito a casa de palha, deixou ela para trás. Ele não tinha nada além de sua canoa e sua tarrafa, e por isso, também não perdeu nada. Foi até um jarinal, pegou novas palhas e em dois dias estava com sua tapera levantada de novo.

O segundo teve que deixar para trás sua casa de madeira, perdeu alguns móveis e eletrodomésticos, mas quando a água abaixou, chamou o "Zeca Diabo" que levantou mais a sua casa e ele nunca mais sofreu com as alagações.

O terceiro porquinho ficou vendo a alagação chegar, inundando e enlameando o seu lindo piso de porcelanato. Aí ele cantou:

"Quando olhei o rio enchendo, em tremenda alagação, eu perguntei, meu Deus do céu, por que mais uma inundação".

Fopi assim, que o mais previdente dos porquinhos, acabou sendo, também o mais prejudicado. Mas o prio não foi isso. A Polícia Federal prendeu o político para quem o porquinho havia vendido seu voto e ele foi arrolado no processo como cumplice de estelionato. Um "laranja", no português claro.

Eis que surge uma solução milagrosa. Um pastor de uma denominação neo-pentecostal obscura disse que ficaria com a casa e o terreno e ainda saldaria as dívidas na construacre, se o porquinho se convertesse. Sem outra alternativa, ele assim o fez e pasosu a trabalhar como pedreiro da denominação. Enquanto o pastor enricava, o pobre porquinho pedreiro se via obrigado a trabalhar quase de graça para o mesmo.

Um belo dia, um bando de queixadas que passava por ali avistou o porquinho endividado e lhes disse:

"-Você é nosso parente. Olha só estas presas grandes que você tem! Vem com a gente morar na nossa aldeia. Lá a gente bota estes lobos em pele de cordeiro pra correr"

"Mas e os lobos?"

"Não existem lobos no alto Juruá, a não ser esses em pele de cordeiro. Só onça. Elas são nossas amigas, porque não se metem a besta com um bando de queixada" 

Depois de muito matutar o porco decide acompanhar seus irmãos selvagens pela mata a fora, quando conhece uma linda catituzinha e decide ter filhos.

E hoje ele vive feliz na aldeia dos queixadas, no alto rio Gregório.

Leia também:

A verdade sobre Lobos, Cordeiros e Pastores

     

2 comentários:

  1. Ow que fofo, adorei o final! rsr
    Mas esse pastor aí, quem é? rsrsrsrsr

    ResponderExcluir