quinta-feira, 28 de julho de 2011

Campanha Pimpolho Prefeito 2012


Tendo em vista o crescente desgaste do prefeito Vagner Sales, quero aqui neste espaço do blog, sugerir um nome para concorrer à sucessão municipal: Pimpolho 2012.

Tenho certeza que será mais uma "unanimidade" na coluna de Moreira Jorge. Afinal, o cara saca tudo de Juruá. Bem, com a baba que ele e o AC 24 horas ganha do garoto propaganda da lacoste, talvez até eu...

Falando sério...

Estou seriamente preocupado com o futuro de CZS e já virei um daqueles chatos que ficam prenunciando tragédia, mas não custa insitir: estamos às vesperas de conclusão da Br e a antes agradável CZS já dá mostras de que não vai suportar o crescimento. Só uma administração séria e realmente comprometida com o futuro da cidade e mais que tudo, com visão urbanística teria coindições de responder ao desafio. O problema é que boa parte da sociedade ainda está meio adormecida, acreditando que o problema de sua rua é só o problema de sua rua, sem conseguir ter uma visão geral do problema. Uma visão moderna da cidade, poderia fazer de CZS um verdadeiro brinco nesta floresta, uma cidade arborizada, bonita, com muitas áreas de lazer, agradável, limpa e com oportunidades para todos.

Infelizmente estamos mais perto do oposto disso, uma cidade barulhenta e caótica, cheia de problemas de uma cidade grande, mas sem os mesmos confortos e oportunidades. Rio Branco é uma cidade assim. Ainda que as últimas administrações tenham tido uma boa visão de urbanismo, estão apenas correndo atrás do prejuízo de décadas de crescimento desordenado.

Aliás, o espaço urbano apenas reflete uma sociedade de desiguais. E que desigualdade maior pode haver em CZS onde meia dúzia é dona da quase totalidade de terrenos urbanos?

A verdade é que a farsa da administração coronelista é apenas um reflexo de uma parcela importante de sociedade igualmente preconceituosa e atrasada, que por pura falta de informação se deixou levar pelo discurso fácil e raivoso do anti-petismo.
Uma maneira de pensar (ou de não-pensar) que perde a força na mesma medida em que esta sociedade tem acesso à informação e oportunidades.

O desgaste de Vagner Sales é não ter compreendido a tempo, que a sociedade cruzeirense mudou e está mudando, que existe uma classe média em crescimento, de que uma fatia importante de sua juventude estudou fora e volta contra outra visão, de que a Universidade da Floresta abriu as portas para que filhos de agricultores e ex-seringueiros tivessem acesso à formação universitária.

Mais cedo ou mais tarde, esta transformação social vai se traduzir em mudança política, e aí, os coronéis terão seu lugar, na história.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Viva Ollanta!

Amanhã, o líder nacionalista Ollanta Humalla assume a presidência do Peru. Momento histórico para a América Latina. O Peru sempre foi pautado pelo neoliberalismo mais descarado e agora um quetchua assume o poder prometendo desenvolver uma política semelhante a do governo Lula.

Ollante teve que moderar o discurso e se aproximar da centro-esquerda de Toledo para poder vencer a filha de Fujimori, Keiko.

Acompanhei de perto esta mudança no cenário peruano entre os anos de 2009 e 2011. Em 2009 Ololante era uma unanimidade entre os serranos e 'quetchuablantes' , especialmente agricultores e mineiros, mas era tido com sérias ressalvas pela classe média peruana e mesmo pela classe pobre não identificada com os movimentos étnicos e sociais do Peru. A crise mundial que dimunui a entrada de dólares do turismo estadunidense- europeu e a mudança no tom de discurso de Ollanta cativou uma parcela importante da sociedade e em 2011, gente que antes tinha medo dele passou a gritar a plenos pulmões : "Viva Olanta!"

A imprensa vendida brasileira vai esbravejar com seu pit bul Arnaldo Jabor, sobre o cresciumento da esquerda na AL.
Mas a entrada do Peru, no bloco de países com orientação política à esquerda, é mais um severo golpe no já decadente neoliberalismo.

Aqui da fronteira noroeste do Brasil, meu desejo de boa sorte ao novo presidente...

PS: A bandeira colorida é a Wipala, bandeira tradicional andina que representa a união dos povos do Tawantinsuyu, não tem nada a ver com GLBT, não...

terça-feira, 26 de julho de 2011

Fundamentalismo Cristão faz vítimas na Noruega


O que têm a ver o massacre na Noruega, com a chacina do Realengo e a candidatura de José Serra?

São três expressões do crescente fundamentalismo cristão, ainda que muita gente não queira ver as coisas deste modo.
José Serra soube aproveitar a onda fundamentalista e aproveitou a polarização, embalado por este pensamento retrógrado ao estilo TFP, que andava meio adormecido.
Serra só não decolocou porque a prosperidade econômica alavancada pelo Governo Lula foi um apelo muito mais forte para a nova classe média.
O massacre do Realengo foi praticado por um louco, aparentemente sem nenhuma vinculação com células terroristas, mas revela um pouco a psiqué do assassino terrorista - se sente um "escolhido" para lutar contra os "impuros". Tanto faz ser islâmico ou cristão, a estupidez é a mesma só à espera de uma bandeira para justificar seus atos criminosos.

Já no caso da Noruega, o próprio assassino confessou ser um fundamentalista cristão, conclamando a luta contra a "mistura de raças" e o marxismo. Broxa. Soubesse como é bom ter uma morena nos braços não fazia uma merda dessas.

No Brasil, país da tolerância, parecia até pouco tempo impossível que tais idéias ganhassem corpo, mas o massacre do Realengo provou que talvez estejamos errados.

Com as mãos sujas de sangue, os sites cristãos apressam-se em dizer "este filho não é meu". Claro que não se espera de nenhuma igreja que oriente seus dscípulos a "sair matando".
Mas isso também serve para pensarmos que talvez os "terroristas islâmicos" não sejam criados dentro das mesquitas. O fundamentalismo religioso, de qualquer denominação serve de motivação para assassinos que agem em defesa de algo. No caso dos islâmicos, a real motivação é a defesa de um modelo de sociedade, do memso modo que o assassino norueguês.

"Ser um cristão pode significar muitas coisas: que você acredita e quer proteger a herança cristã da Europa cultural, o patrimônio cultural europeu, nossas normas (códigos morais e as estruturas sociais incluídos), as nossas tradições e nossos sistemas políticos modernos, que são baseados no cristianismo (protestantismo, catolicismo e cristianismo ortodoxo) e no legado do iluminismo europeu
"

Veja também o que ele falou sobre o Brasil

"Nos próximos 70 anos, os conservadores precisam tomar o poder político e militar numa combinação de luta armada e democrática … A alternativa será um modelo de contínua bastardização, muito parecido com o modelo brasileiro: onde, graças a uma revolução marxista, se criou uma mistura de raças da Europa, Ásia e África."

Anders Behnring Breivik

Muito lúcida a análise do colunista Walter Hupsel.

" ... Os “especialistas”, atônitos com o ocorrido, tentaram, de toda e qualquer maneira, encaixar uma explicação qualquer que remetesse aos muçulmanos. Qualquer coisa, naquele momento, servia a eles, nos seus delírios, nas suas elucubrações. Diria eu que estavam estado de êxtase hipnótico, apontando o dedo rua afora e vendo fantasmas em todos os lugares..."

No entanto, depoius que ficou clara a posição de extremista cristão, procurou-se desvincular a motivação (pseudo) religiosa.

" Desde os primeiros momentos já estava claro, pra qualquer pessoa que tentasse entender o que se passava, que o alvo dos atentados não era a Noruega, ou mesmo o governo, mas sim um partido, uma posição política. Era claro, logo, que o atentado fora levado a cabo por razões internas.

O alvo, o modus operandi, tudo indicava solidamente pra nacionalistas noruegueses, para extrema-direita. Mas a mídia olhou, e não viu. Não quis ver.

Quando finalmente enxergou, as características “religiosas” do assassino, do terrorista norueguês, foram esquecidas. Ele tornou-se uma radical louco, um homem perturbado aos olhos dos jornais. Afinal era um de nós."

Ou seja, só os "outros" podem ser terroristas com motivcações religiosas, os cristãos, nunca...São apenas "loucos". Vamos revisitar o rio Tauarí, minha gente...

Em 1998, uma violenta manifestação de fanatismo religioso provocou o assassinato de seis pessoas, inclusive duas crianças, e o espancamento coletivo dos moradores de Lavras, uma típica comunidade do interior da floresta amazônica isolada nos confins do rio Tauari, município de Tarauacá, no Estado do Acre.

Para saber mais sobre o fundamentalismo cristão:

Menino é forçado a comer papel em ritual religioso na Escola


PS: É bom o cruzeirense Chinganga tomar cuidado. De pele morena, dançarino de salsa e merengue, pode se tornar uma vítima dos Neo-nazi-broxas-(pseudo) cristãos Noruegueses!

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Existe Vida após a fama?


A morte de Amy Winehouse foi o assunto do final se semana. Vai engrossar a lista dos artistas que morreram no auge da carreira, por excesso de algum tipo de substância lícita ou ilícita: Jimi Hendrix, Janis Joplin, Jim Morrison, Elvis Presley, Raul Seixas, Michael Jackson. Kurt Cobain fica fora da lista porque se matou mesmo, mas provavelmemte por alguma depressão causada também por excesso de drogas.

Munição para os moralistas que defendem as proibições... Bem, se tudo que mata fosse proibido, deveria estar na lista o álcool, o cigarro e as motocicletas.

John Lennon não conta, foi assassinado na porta do edifício Dakota em Nova Iorque por um dois chamado Mark Chapman, que dizem as más línguas, teria sido treinado pela CIA. John Lennon faz parte de outra lista: a dos pacifistas assassinados, fica junto
com Mahatma Gandi e Isaac Rabin...

Mas não interressa, o objetivo da postagem não é esse, mas que a fama, com ou sem drogas, traz um efeito devastador na vida de qualquer pessoa.

Por exemplo: Você já ouviu falar em Robert Caradeire? Se você tem menos de 35 anos é provavel que não. Ele era famoso no final da década de 70 quando fazia o papel em um seriado de TV: Kung Fu do Oeste. Caiu no total esquecimento e se matou a uns dois anos atrás num quarto de hotel de uma maneira para lá de esquisita: se masturbando. Aparentemente ele pendurou o pescoço mas não tinha a intensão de se matar, era, segundo a polícia, uma maneira de dar mais "emoção" à sua punheta. Mas acabou morrendo asfixiado. Trágico? Irônico? Sei lá. Sei que não é fácil para uma pessoa sobreviver à fama.

Faço uma comparação desta vida em laboratorio de miniatura que é o Juruá. ,De certa forma experimentei uma pequena dose desta fama tornado-me uma espécie de celebridade local.
Não vou negar: é bem legal. Às vezes chateia um pouco também, é verdade, mas muitas portas se abrem. Ocorre que a tal da fama vicia e é por isso que na verdade ninguém quer largar o osso. Há uma confusão entre a identidade real da pessoa e a televisiva, e quando o sujeito, por alguma razão, se desliga daquilo, ocorre algo como uma "síndrome de abstinência" às vezes entrando em depressão.

Passado o sufoco, a vida volta 'a normalidade, mas os primeiros dias são difíceis e é como se a pessoa simplesmente "não existisse". Para mim, basta ir a Tarauacá e a fama acaba, volto ao sagrado anonimato. Agora imagine para uma pessoa que não pode se esconder em lugar enhum do mundo?

Um pouco de non sense
A cena da novela termina com o Tom Cruise pegando um rolo de papel higiênico no botequim da esquina (sim, ele também limpa a bunda) e com uma fã perguntando por que ele não está mais na TV e o que ele vai fazer com o papel...

- Pendurar no teto e me enforcar!

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Noticias da BR 364







Tive a oportunidade de viajar pela BR 364 duas vezes este ano e aproveito este espaço para compartilhar com meus leitores, informações sobre a estrada e o andamento da obra.




Para quem ainda não sabe, a rodovia já está totalmente asfaltada entre Rio Branco e Manoel Urbano. A ponte do Purus já dá trafegabilidade, reduzindo consideravelmente o tempo de espera nas balsas, que naquele trecho já chegou a durar 24 horas para caminhões pesados (já vi filas de quase quatro quilometros de caminhões esperando para atravessar).



O asfalto ultrapassa a entrada para Manoel Urbano e quando ele termina tem início um trecho em obras, já com terraplanagem em muitos deles. São aproximadamente 40 km de barro. após este trecho, são aprox. 10 km de asfalto e novamente barro, na minha contagem 37 km. Ou seja, o que falat para ser asfaltado e concluir a BR, nos meus calculos são 77 km, excluindo-se obaviamente os 20 km de recuperação na entrada de Tarauacá, que também já começou a receber o asfalto, os 11 km da variante e mais alguns trechos pequenos de cabeceiras de pontes e acessos.



A ponte do rio Jurupari é uma das poucas que ainda não estão prontas, mas os trabalho são intensos. a ponte teve de ser redimensionada pois na forte invernada dete ano, as aguas cobriram parte dela.



Neste trecho de barro, o tráfego ainda é precário e no caso de chuva, realmente é necessário aguardar a estrada secar. Com chuva eu não arriscaria naquele trecho, nem com carro anfíbio. Com a estrada estando seca, mesmo carros pequenos passam sem dificuldade.


A ponte do rio Envira está pronta e as máquinas trabalham agora na cabeceira. É a unica travessia que ainda depende de balsa, pois no rio Tarauacá já se pode atravessar pela ponte.





O estado do asfalto no trecho entre os rios Gregório e Liberdade está em péssimo estado e exige atenção redobrada do motorista. Demora-se um pouco mais enste trecho para poder se desviar dos muitos buracos na pista. Do rio Liberdade em direção ao juruá, a estrdaa recém-recuperada está um tapete, lembrando que é preciso muita atenção ao cruzar a terra indígena katukina. Foram colocadas lombadas muito altas e ainda não foram completamente sinalizadas, podendo causar susto aos motoristas.





A partir de Santa Luzia, a estrada está muito bem sinalizada e tem se a impressão de uma rodovia de 'primeiro mundo'.




A variante apresentou boas condições de tráfego mesmo após a pequena chuva da tarde.



A viagem partindo de Rio Branco até Cruzeiro do Sul durou aproximadamente 10 horas. Excluindo-se duas paradas de meia hora em Sena e Feijó, temos uma viagem de 9 horas. Tempo que deve ser reduzido ainda mais a partir do funcionamento da ponte do rio Envira.

Ou seja, em breve vai ter gente andando na BR e dizendo que ela "nunca vai ficar pronta".


Agora, uma coisa é certa, será uma estrada que irá demandar muita manutenção, ainda que é preciso ter em mente que a detreioração da etsrada nos últimos anos se deve principalmente pelo tráfego de caminhões acima do peso, muitos dos quais para carregar insmuos para a rodovia.


Problema que deverá ser minizado com o término da obra e com a instalação de balanças para controlar o peso dos veículos de carga.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Cultura urbana em uma cidade da floresta



Acostumado aos imensos painéis grafitados de São Paulo, surpreendeu-me ver esta forma de expressão artística típica das megalópoles
em Rio Branco.
O grafite está realcionado com a cultura do hip hop e na paulicéia, os temas retratam de uma maneira crua, anárquica e subversiva aspectos da realidade urbana: drogas, violência, racismo, e a alienação em torno da "grana que ergue e destrói coisas belas".

Achei muito interessante ver que em Rio Branco, os artistas urbanos fizeram uma releitura da cultura nativa indígena e dos seringueiros, expressando a realidade ancestral do estado criando a partir de uma base cultural 'alienígena' uma expressão artística própria e original.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

On The Road Again


Meus poucos mais sempre valiosos leitores talvez devem estar se perguntando aonde eu fui parar. Minha postagem anterior foi a do dia de São Pedro, e já estamos no dia 11 de junho.
Bem, pelo menos ainda estou ganhando do juruaonline, que parou no dia de Santo Antônio.
Os caras estão tão devagar que ainda nem tiraram meu nome como jornalista responsável.
Se ainda fossee responsável por aquilo, ele não ficaria tanto tempo entregue às baratas.

Estou vivendo de freelance, o que torna a vida incrivelmente mais insegura e excitante. Os free-lances estão para os piratas assim, como os jornalistas contratados estão para os corsários.
Aliás os piratas usavam um nome parecido : ' flibusteiros' que vem do inglês free busters -caçadores livres.

Bem mais divertido singrar os mares do caribe com uma garrafa de rum do que vestir uma peruca rococó da corte do rei George. Os piratas sempre tiveram muito sucesso pois o butim sempre era divido de maneira igualitária entre a tripualação e qualquer capitão babaca que afrouxasse na primeira tempestade, tinha que andar na prancha. A falta de lealdade e de compromisso com a tripualção era punida com a morte. Bons tempos aqueles.

***

Peguei um free-lance para o DERACRE e estou produzindo texto que será utilizado em um material para a Expoacre deste ano.
Realmente as obras estão a todo vapor. Até já perdeu a graça andar na Br, não tem mais aquele caráter de aventura. São apenas pequenos trechos sem asfalto, muitos dos quais já estão imprimados, embora é claro, que uma chuva muda tudo.

Mas é impressionante ver o ritmo de trabalho. Em alguns trechos os trabalhadores vão até 3 horas da madrugada para ganhar o máximo de tempo possível. O único senão é continua chovendo bastante para esta época do ano, quebrando um pouco do ritmo. Mas o fato é que aquela expressão pessimista de que 'nunca vou ver este BR asfaltado" vai ficando cada vez mais esquecida. É certo que gerações inteiras cresceram e nevelheceram ouvindo a promessa da BR, mas é verdade também que a construção da estrada é uma verdadeira epopéia e quem acha 'moleza' deveria acompanhar pelo menos um dia de trabalho no trecho, antes de falar bobagem da sua cadeirinha confortável com ar condicionado. Pode-se dizer o que quiser, menos que falte vontade política para a conclusão desta obra. Isso não significa que a obra não inspire cautela, por exemplo quando o assunto é educação. De que adiantaria rasgar 700 quilometros de floresta se não houvessem investimentos, por exemplo em educação?

Ainda devo permanecer mais uns dia sna corte, e daqui, dependo das condições mando notícias e abraços a todos.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Sâo Pedro e a chave do Céu


É parece que São Pedro tem mesmo a chave do céu. Pois nem Santo Antônio e nem São João conseguiram fazer a friagem chegar aqui. Mas com São Pedro, finalmente a friagem veio.

Graças à Deus!

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E para ser sincrético, A idéia de se fazer fogueiras neste período é muito mais antigo... é um costume ' pagão' de se comemorar o período de solstício que foi transformado em festa cristão. Mas fala a verdade é ou não é um barato se esquentar ao redor da fogueira?

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No Peru antigo, a chave do céu era representada por uma planta, a Wachuma. Um cactos do deserto utilizado tanto como medicina, quanto para entrar em contato com a divindade. Depois do cristianismo, a Wachuma passou a ser chamada de 'San Piedro'.

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Já na tradição afro-brasileira, o período que compreende a festa dos três santos Antonio, João e Pedro é comemorado como o 'Obá de Xangô'. Orixá da Lei e da Justiça.





* Na imagem, São Pedro, com frio se veste com roupas do altiplano andino

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Mensagem de Sirius para o Juruá




Foi assunto da semana a possível ocorrência de OVNIS no município do Guajará e para quem acompanha a blogosfera, sabe que o assunto começou aqui, no espaço virtual ocupado pelos internautas.



Mas a matéria de TV de certa foram coroou a pauta, dando 'credibilidade' ao assunto.



Só um tema destes mesmo para fazer o apresntador sair de sua cadeira, mas valeu a pena, creio.


Em Rio Branco, a possível ocorrência de OVNIS no Juruá virou piada. Andam dizendo na capital que trata-se na verdade do canhão de luz da boate Sirius que foi inaugurada no último sábado.




Mas as imagens apresentadas na TV sugerem outra hipótese.

Elaborei minha própria tese a respeito:



Para mim trata-se de uma nave espacial ultra avançada, movida a motor de rabeta, como sugerem as trêmulas imagens e o som de fundo. O piloto da nave provavelmente foi se encher a cara em algum banho lá do Guajará, cheio de periguete na garupa. E como estava 'lombrado', perdeu a rota e ficou dando volta lá no Guajará, talvez com medo do bafômetro. Pelo menos é o que sugere o balanço da espaçonave. Do jeito que o cara pilota, rapidamene ia se integrar à população local.



Longe de mim duvidar do sujeito que filmou. Acho que tudo é possível, mas não dá pra perder a piada.



Mas melhor ainda foi o Baianinho, do Ramal 3, falando da espaçonave e aproveitando o espaço gratuíto para fazer publicidade do terreno:



- Tô com medo. Se encontrar alguém que queira comprar o meu terreno, eu vendo...



Baianinho, baianinho, quem não te conhece que te compre...



O ex-candidato a vereador mostra o braço em frente às câmeras



-Tô todo arrupiado, olha só..


Liga não, deve ser coruba, Baianinho



***


Foi a oportunidade esperada para toda sorte de teorias conspiratórias serem derramadas sobre o público. De que os governos escondem a existências dos aliens e de que eles já vivem entre nós e que a indústria petrolífera não quer que conheçamos a sua tecnologia. Tudo isso é possível. Mas alguém se lembrou de vistar o SIPAM?


Poderia ser um balão meteorológico, ou outro fenômeno. Ou talvez mesmo um Objeto Voador Não Identificado que teria obrigatoriamente de ter aparecido nos radares do SIPAM. Bem, se eles negassem informação, aí sim talvez justificasse a teoria conspiratória.



***



Não sou tolo o suficiente para afirmar a existência de ETs, nem tolo o bastante para negá-la. Tive aulas de fundamentos de astronomia na faculdade. Uma forma que a USP encontrou de fazer com que os futuros jornalistas não falassem tanta bobagem a respeito de assuntos que desconhecem, ou pior, que conhecem, mas sob uma ótica viciada.



Nas aulas de astronomia tratamos de probabiliadades e a probabilidade de haver vida inteligente no Universo além da Terra, é muito alta.



Agora é preciso muito cuidado na hora de transformar isto em matéria, para não fazer o um programa jornalístico um circo de esquisitices.


Ou se for este o caminho, beleza, abraça-se então o bizarro com unhas e dentes, sem medo de ser feliz. Mas neste formato, não há uma esquisitice melhor do que outra.



***


Pra que fogueira, São João ?



Agora na hipótese remota de termos sido realmente visitados por seres inteligentes de ouro planeta, só posso ver uma razão para isso: devem estar preocupados com aquecimento global que deixou esta noite de São João mais quente que o carnaval em Salvador.










quarta-feira, 22 de junho de 2011

Solstício de Inverno... e nada de friagem por aqui




Para quem não sabe, ontem, dia 21 de junho foi o chamado solstício de inverno no hemisfério sul. É o dia do ano em que os rais solares incidem em menor quantidade sobre a metade sul do globo terrestres, provocando a noite mais longa do ano nesta parte do planeta. Coisas que um "bom pagão" deve saber.


Por esta razão, o dia 21 de junho tende a ser também um dos dias mais frios do ano (sempre se falando de hemisfério sul).



A propósito, alguém sentiu frio ontem?



A partir do dia 22, começa novamente a crescer a inmcvidencia de raios solares e a temperatura tende a aumentar, sempre levando em consideração que os deslocamentos de massa de ar, frios ou quesntes não são nada exatos, mas esta é a tendência devido á posição do planeta em relação ao sol.



O que estou querendo dizer é que ontem acabou o "prazo" para uma friagem este ano,e a tendência é esquentar...




Cacete... esquentar mais do que já está?



Exatamente. Será que ninguém percebeu ainda ou estão achando 'normal' este clima?



Será que diante deste evidente aumento na temperatura dá para ser tão 'relativista' em relação à legislação ambiental? Não estamos mais falando de preservar macacos e araras, mas a própria vida no planeta, o que inclui as nossas.


No Congresso discute-se a mudança no Código Florestal Brasileiro, uma flexibilização das duras leis ambietais que penalizam o setor produtivo, especialmente na amazônia. Tudo isso é verdade. Mas o que se vai se produzir caso a temperatura continuar subindo?



Podemos estar diante de um futuro de incertezas, mas pelo menos uma coisa é certa: não vai faltar churrasquinho !

terça-feira, 21 de junho de 2011

Frágil Comunicação
























Papo sério...

Um colega de trabalho, tão desempregado quanto eu próprio, veio me reclamar da falta de autonomia nas decisões que emperra praticamente tudo aqui no Juruá. Drama sentido na pele pela equipe de jornalismo da TV Aldeia, há dois meses sem receber.

O resultado das últimas eleições trouxe para muitos a seguinte leitura: não vale a pena investir em um meio de comunicação caro e dispendioso como o sistema público de comunicação, se o seu impacto social é pequeno, em outras palavras: pouca audiência e quase nenhum dividendo político. Parece ser mais interessante investir diretamente nas empresas de comunicação já com audiência consagrada do que tentar disputar de igual para igual com elas, e perder.

Num primeiro momento faz sentido. Mas estive à frente de um importante meio de comunicação o tempo suficiente para saber que as coisas não são bem assim. Isto porque em parte audiência destes meios de comunicação se consagra por contemplar na sua pauta assuntos mais populares e uma abordagem popular. Isto faz com que a pauta diária se afaste naturalmente dos assuntos "de governo".
Ou seja, se não houver uma assessoria capaz de produzir material para alimentar as empresas de comunicação, as pautas "governamentais" acabam sendo preteridas por outras, talvez até de menor importância social, mas que sejam mais apelativas no que cerne à audiência. Não há nada de errado nisso, é a dinâmica de um meio de comunicação que depende de audiência para se manter. Mas o fato é que o problema permanece: a população deixa de conhecer o trabalho do governo e sua importância.
Testemunhei o fato de que a prefeitura de Cruzeiro do Sul, com menor estrutura, conseguia ter um alcance maior na divulgação de suas ações. Isto porque a sua assessoria produz material para os meios de comunicação locais, resolvendo parte do problema da falta de conteúdo dos jornais.

Nem de longe isso se trata de uma crítica pontual ou pessoal. É uma questão de redefinir os papéis do Sistema Público de Comunicação. Ou se parte definitivamente para um trabalho de assessoria de imprensa, sem medo de ser feliz ou se redefine o sistema como realmente público, o que não é sinônimo de estatal.

Hoje no Juruá não há uma coisa nem outra, e se o resultado político na última eleição foi insatisfatório, pode se esperar um fiasco ainda maior no próximo se a questão não for redimensionada.

Se o papel escolhido for o de uma assessoria, ótimo, é só colocar a estrutura para produzir em cima dos trabalhos das secretarias no Juruá. Caso a decisão seja realmente criar um sistema público de comunicação, então teremos que ... ouvir o público e não tentar fazer com que o público diga aquilo que o governo quer ouvir.

A coisa não funciona deste jeito e mesmo sendo ainda a maior parte da população do Juruá de baixa escolaridade (quadro que está mudando), a sensibilidade fala mais alto e o povo percebe que está havendo manipulação grosseira. Já quando a manipulação é pensada in loco, mesmo quando tosca, costuma funcionar...


Que me desculpem os bons profissionais da Companhia de Selva, mas a linguagem elaborada por eles nunca 'colou' por aqui. Talvez algo bem mais simples, sem tanta elaboração case muito melhor com o jeitão 'meio brega' da nossa gente.







Um outro aspecto é o impacto que o fechamento de um meio de comunicação teve sobre a categoria no que se refere a questão trabalhista. Uma categoria já fragilizada pela decisão do STF de abolir a obrigatoriedade do diploma de jornalista para o exercício da profissão se vê quase que impelida a buscar outros meios de vida, ou se submeter as condições aviltantes por vezes impostas pelas empresas que têm no jornalista 'um qualquer'. Só quem ganha com isso são os...













Com seus pensamentos cheio de incertezas e muitas vezes sem ser valorizado pelo seu trabalho, é assim muitas vezes que vai para rua um profissional para defender os interesses da população, sem a garantia que seus próprios direitos serão respeitados.

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Governo do Estado regulariza terras no segundo distrito de Cruzeiro do Sul

Cerca de 500 famílias devem receber Título de Direito Real de Concessão de uso das terras estaduais

A abertura da ponte certamente mudou o cenário e a dinâmica de cidade de Cruzeiro do Sul, a partir da integração do seu segundo distrito. Mas para que esta obra também se traduza em cidadania para os moradores do entorno, estão previstas ações conjuntas de governo para o local.
A primeira destas ações é a regularização fundiária das mais de 500 famílias que vivem nas glebas Miritizal, Retumba e Crôa. A ação é promovida através do ITERACRE - Instituto de Terras do Acre, órgão responsável pelas terras estaduais, como as que estão situadas do outro lado do rio Juruá.
“A ação visa principalmente levar cidadania a estas pessoas”, explica Lindenberg Chaves, chefe da representação do ITEACRE no Juruá. “Algumas pessoas vivem no local há mais de 20 anos, com muitas dificuldades de se aposentar e sem direto por exemplo, à credito bancário.”
O Laudo de Identificação Fundiária (LIF) começou a cerca de um mês e deve continuar até que todas as moradias sejam cadastradas.
O Vice-Governador César Messias também já anunciou a próxima ação de governo para o Miritizal que será a pavimentação e o saneamento básico do bairro através do DEPASA que já iniciou o processo de levantamento topográfico do Miritizal.
(Leandro Altheman)

Trânsito de Cruzeiro do Sul: Quanto mais mexe, mais fede



E põe semáforo, e pinta faixa, e faz rotatória e tira rotatória, e o trânsito de Cruzeiro do sul só piora a cada dia.

Não adianta querer fazer mágica. Muito se resolveria se os condutores tivessem um pouquinho mais de educação e prudência. Mas isso parece ser pedir demais.

A frota de veículos só tende a aumentar e o centro da cidade, obviamente, não comporta a quantidade de veículos. Pode escrever: vai piorar e muito, até porque a cidade parece um sapo hipnotizado por uma cobra com a abertura da BR, mas não está enxergando que virão caminhões pesados e não terão aonde estacionar. Não há regulamentação de carga e descarga, nossas ladeiras são ingremes demais e falta visibilidade nos cruzamentos. Junte tudo isso ao pior motorista da galáxia e teremos um cenário de pesadelo no trânsito de Cruzeiro do Sul.

Chega a ser engraçado ver os caminhões "de fora" neste período de verão, se perdendo nas ruas que não chegam a lugar algum. Isto porque o normal seriam que houvessem quadras, quarteirões que poderiam ser circundados pelos veículos. Mas aqui, muitas ruas não terminam. É apenas um asfalto jogado para conseguir votos em tempo de eleição. Não tem sequer escoamento de águas pluviais, o que significa que é obra para durar no máximo, 4 anos. Tempo exato para a próxima eleição.

Um dia desses, no João Alves, um caminhão de entrega de móveis entrou numa rua e não conseguiu sair. Precisou ser guinchado por uma pá mecânica para voltar.

A empresa que presta serviço à Eletroacre atendeu em um só dia, cerca de 20 ocorrências de fios elétricos arrebetados pro caminhões. Para os moradores afetados, a imperícia é dos caminhoneiros. "Eu venho do Paraná, faço entrega em tudo que é cidade de Goiás, Mato Grosso, Rondônia... Meu caminhão é padronizado pelo INMETRO para não derrubar fios". Então quem é que está errrado?

Não adinata querer respolver os probelams "no varejo". O que falta à Cruzeiro do Sul é um planejamento para redimensionar a cidade de acordo com os novos desafios.

Caso não haja este planejamento, o que o cruzeirense pode esperar é uma cidade cada vez mais desumanada, caótica e brutal, onde crianças e idosos terão de ficar em casa para não correr o risco de atropelamento, onde as ladeiras e cruzeamentos serão testemunhas de muitos acidentes, alguns fatais.

Se a cidade não for pensada, redimensionada, descentralizada e organizada, vai ter muita gente com saudade do tempo em que a estrada abria só três meses por ano.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Cadê a 'minha' friagem?




Bem, hoje, é 13 de junho, dia de Santo Antônio, e também, segundo os mais antigos, data que coincide com época de friagem. No entanto, quem caminha no centro de Cruzeiro do Sul hoje, deve ter notado quão forte e insuportável está a temperatura.



Para quem acompanha o noticiário meteorológico, perceberá que as massas de ar frio não estão tendo 'força' suficiente para chegar até a latitude do Juruá. No sul, a temperatura está dentro da normalidade para esta época do ano, mas a friagem simplesmnte não conseguiu até agora alcançar esata região, devido à intensidade da masssas de ar quente que está sobre a região.



Se isso implicar em mais queimadas, teremos um ciclo interminável de menos chuvas, mais calor, e mais queimadas, até resultar na desertificação ou savanização da amazônia.



O fato é que o aquecimento global já é uma realidade que não deixa dúvidas. Pode-se até discutir qual é o papel do homem neste processo, uma vez que a Terra passa por mudanças climáticas muito antes do primeiro 'antropo' ficar de pé, mas que o 'negócio' tá esquentando, isso tá.



Enquanto se discute a mudança no código florestal, com a bancada ruralista querendo ampliar cada vez mais as áreas desmatadas, se esquece que mudanças climáticas podem comprometer totalmente a produção, seja lá do que for.



Por ocasião da decisão do MPF/MPE de multar criadores e frigoríficos, a reação popular foi um espetáculo à parte, com gente defendendo direito ao prosaico 'churrasquinho'.



Agora com um sol de rachar às vésperas do solstício de inverno, período em que o sol fica mais 'distante' do hemisfério sul, fico imaginando um mundo onde não vai faltar 'churrasquinho', mas ninguém poderia sair à rua de dia, devido ao calor humanamente insuportável que estará fazendo no asfalto.

sábado, 11 de junho de 2011

Imagem do Dia


Não se trata de erro ortográfico. Foi escrito como se pronuncia na região.






























sexta-feira, 10 de junho de 2011

Cruzeiro do Sul 'mostra a bunda'

Com a abertura da ponte, alguns contrastes que já eram evidentes para os olhares mais aguçados, tornaram-se visíveis agora a todos. O mais óbvio, é de que a obra da ponte que oferece uma arquitetura e confere uma ar de modernidade à anatomia urbana de Cruzeiro do Sul, tem no seu "Lado B"(de bunda), a feiúra da porta de entrada da cidade.

E não estou falando somente das casas da Lagoa, não.




"Sempre só falam mal dos pobres, mas quem está mais sujando e poluindo essa parte da cidade é a classe empresarial", disse o líder comunitário Chaguinha da Lagoa.



Falar mal das casas mal enjambradas da lagoa, é chover no molhado e qualquer apresentador de TV a serviço do patronato enche a boca para dizer.
Agora quero ouvir dizer que quem construiu a cidade literalmente "de bunda" para o Juruá, foi a classe empresarial. Nada contra aqueles que produzem "emprego e renda", como diz o bordão tradicional, mas o poder público e a sociedade deveriam cobrar um pouquinho mais de quem pode mais.

A imagem do Boulervard Thaumaturgo, jogando todo o esgoto na frente da cidade, é tão despudorada quando a do menino do Miritizal que no dia da abertura da ponte arriou seu shorts rasgado e posicionou a sua bunda em uma das aberturas da ponte. "Vou inaugurar a ponte", disse o menino. Mirando o Juruá com o "olho que nada vê" ele despejou o conteúdo imundo de suas tripas que por sorte não acertou nenhum catraia que navegava em baixo.

Nosso Juruá não tem a mesma sorte e o rio que possibilita a vida nesta região, seja humana, animal ou vegetal recebe diariamente a ingratidão de seus habitantes mais ilustres.

Além do esgoto, o lixo é jogado sem nenhum constrangimento, todos os dias, nas suas margens.

Na verdade, a abertura da ponte sobre o Juruá será apenas a primeira, de muitas outras obras implantadas em aço, cimento e asfalto que ao invés de 'modernizarem' nossa cidade vão apenas evidenciar o distanciamento que existe entre a realidade de poucos e a da maioria.



Não, não sou um estraga prazer, apenas estou fora da ufania em torno da ponte e da BR. São obras importantes, sim, mas é preciso ter pé no chão para evitar que o sonho se transforme em pesadelo. É preciso antes de tudo, que a sociedade seja capaz de apontar o rumo que deseja para sua cidade, para seu povo, para sua juventude.

Legenda: Ao lado da recém-aberta ponte do Juruá, os urubus são os vigilantes que indicam a presença da morte. Os urubus aceitaram posar para a foto desde que seu cache fosse doado para instituições de caridade.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

"Eu me demito ! " - Porque saí da Rádio e TV Juruá



Para os menos informados, quero dizer que pedi demissão da função de Coordenador de Jornalismo da Rádio e TV Juruá e por isso meus poucos, mas adoráveis fãs, não vão ver mais este rostinho bonito (?) na telinha, pelo menos por enquanto.

Relutei muito em fazer uma postagem sobre o assunto, uma vez que poderia parecer que estaria expondo o meio de comunicação em que trabalhava. No entanto, decidi que meu público tem o direito de saber porque não estou mais a frente do maior meio de comunicação do Juruá e para este fim, utilizar o humilde espaço deste blog para isso, não me parece assim, algo tão recriminável.

Então vamos lá.

Em primeiro lugar, antes de quaisquer explicações quero deixar claro que a apesar das divergencias de pensamento, meu maior sentimento que fica é o de gratidão. Comandar o maior meio de comunicação do vale do Juruá, ainda que por um curto período, é uma experiência que não tem preço. E agradeço a esta oportunidade ao dono da emissora, James Cameli a quem, sempre considerei e considero, um amigo.

E é justamente por considerá-lo um amigo, que me sinto totalmente a vontade de discordar das posições tomadas à frente da empresa, que culminaram com minha demissão voluntária.

Creio ser mais honesto o livre e respeitoso discordar do que a falsa suberserviência que apenas aguarda o momento oportuno para cravar as presas peçonhentas na vulnerável jugular.
As razões que levaram a esta decisão tiverma início a partir da contratação de um recém-formado Engenheiro de Produção para o cargo de direção da empresa. Nada pessoal.

Houve uma promessa por parte de James Cameli de que o novo administrador não faria ingerências no jornalismo. Promessa que foi por incontáveis vezes, descumprida. O novato, em parte encantado pela comunicação e outra com o próprio poder que o cargo trazia, começou a dar 'pitaco' em tudo: desde conteúdo do jornal até o enquandramento das câmeras.

Por fim, resolveu reiventar a roda e propôs, em uma reunião que cumprissemos uma escala de trabalho. Ora, isso era exatamente o que já vinhamos fazendo há mais de anos. Apresentou a idéia como grande 'novidade' como se tivesse sido iluminado pelo espírito do saber.

Após a sua 'epifania luminosa' tentou impor que nossas três reporteres acumulassem novas funções, sem a devida remuneração. A repórter Jaqueline Teles (prêmio estadual de jornalismo em 2009), disse cabalmente que recusava-se a cumprir nova função, ampliando sua carga horária, a menos que isso implicasse em acréscimo no salário. Foi esta posição, em conformidade com o que estabelece o sindicato da categoria, que lhe custou a alcunha de "preguiçosa", pecha que foi também direcionada à outra colega de trabalho, Dayana Maia.
Jaqueline cabou sendo demitida por recusar-se a acumular funções sem a devida remuneração.

Assim, a RTV Juruá livrou-se questionadora Jaqueline Teles e o público ficou sem questionadora Jaqueline Teles. Ou seja, o que a empresa considera como defeito, é na verdade a maior qualidade de um jornalista.




Não podia admitir também o que foi dito de Dayana Maia. Nos momentos mais difíceis de saúde ou de desgaste mental, foi ela quem me socorreu. Sem que nunca fosse necessário pedir, Dayana sempre ocupou a minha função nos momentos de maior cansaço, enfrentando como uma verdadeira Valquíria, o Sol e Chuva inclementes do Juruá.


Seguindo a mesma lógica da linha de produção de uma fábrica de salsichas, o novo diretor enviou relatório em planilha, apontando apenas uma repórter como 'produtiva'. Ocorre que em sua avaliação, três 'stand-ups' (VT que demoram menos de 5 minutos cada um), valem mais do que uma matéria bem produzida, bem pensada.


Assim permanece a velha política do 'encher lingüiça', onde o âncora, pela falta de conteúdo do jornal se vê obrigado a entreter o público com um 'show man', comentando e dando opiniões até sobre aquilo que desconhece. Ninguém é obrigado a saber tudo, mas como gerar conteúdo crítico, se os repórteres são cobrados em quantidade e não em qualidade de produção?


A opinião que deixei explicita na minha carta de demissão é de que jamais houve 'preguiça' na minha equipe mas que sempre tive que lutar contra o 'monstro da desmotivação', simplesmente pelo fato de que o trabalho destes profissionais nunca foi reconhecido e que a epresa dobrou o seu faturamente, sem compartilhar o fruto deste sucesso com aqueles que sempre carregaram a empresa nas costas.

Não é momento de falsa modéstia, sou formado em jornalismo pela Escola de Comunicações e Artes da USP, considerada a melhor escola da América Latina nesta área e uma das melhores do mundo. Se a opinião profissional de um engenheiro recém formado e recém chegado na área vale mais do que um jornalista formado na melhor escola deste país, com 15 anos de profissão, não há realmente motivos para permanecer no cargo.

A gota d'água veio quando fui solicitado a selecionar currículos e treinar estagiários como forma de pressionar minha equipe a cumprir tarefas além de suas atribuições. Não aceitei e por isso pedi minha demissão.

Com isso fica claro que a política da empresa é formar um staff de estagiários obedientes pela metade do preço.

Não há interesse da empresa em zelar por uma informação de qualidade para o público.
Sempre afirmei e afirmo que faço jornalismo para o público e não para o patrão.


Gostaria de poder mudar esta realidade, não para manter o polpudo salário que a empresa me pagava, mas pelo respeito e compromisso que tenho com o meu público e com as tranformações sociais que virão a reboque do crescimento econômico do Juruá.


Mas, a empresa fez suas escolhas e eu faço as minhas, se não posso mudar esta mentalidade, fico feliz e já me sinto em parte vitorioso por não participar dela.
Considero que é importante a lealdade à linha editorial da empresa, mas definido isto a notícia deve ter como foco o telespectador, ouvinte e leitor, e não o dono da empresa ou os anunciantes. Esse é o Jornalismo que eu aprendi da Escola e este é o Jornalismo que faço todos os dias.



É com este mesmo respeito que me despeço do público da RTV Juruá.

domingo, 29 de maio de 2011

O Fim do Mundo no ano 1000

No limiar do ano 1000, todos eventos considerados "anormais" eram relacionados ao "fim dos tempos" ou "apocalipse".

Semana passada entre os assuntos mais comentados na internet esteve a decepção do pastor evangélico Harold Camping e de seu séquito que havia marcado a data do fim do mundo para o dia 21 de maio de 2011. (para os menos informados a nova data agora é 21 de outubro). Ficaram de cara pra cima, esperando pelo "arrebatamento' que não veio.

Eu que já passei dos 30, já assisti a diversos momentos em que se chegou a apregoar o fim do mundo. Na década de 1980 se acreditava que haveria uma guerra nuclear entre EUA e URSS por vgfolta do ano 1999, e que a humanidade não passaria do ano 2.000. Em 1986 teve o cometa Halley , e não faltou gente dizendo que ele anunciaria a "vinda do anti-cristo", ou qualquer outra bobagem que o valha.

O número "cabalístico" 2.000, suscitava os mais eloquentes discursos apocalípticos. Tinha até a história do 'bug do milênio" que geraria uma apagão nas telecomunicações e anunciaria "o ínicio do fim". Aí veio o ano 2000, nada aconteceu, e os apocalípticos de plantão foram para casa esperar pelo "próximo fim do mundo". Então desenterraram o "calendário maia", que diga-se de passagem não tem nada a ver com o "Apocalipse de S.João" e marcadaram a data do fim do mundo: 2012.

Os maias não eram tão idiotas assim, eles estipularam um calendário de mundanças de ciclos, avaliando o movimento do sol e do sitema solar em torno do eixo galático. Não tem nada de "fim do mundo". Falam apenas de mudanças e transformações. Mas aí, o Mel Gibson que segue ao pé da letra a cartilha do Bispo Hatzinguer leia-se Papa Bento XVI, aquele que fez escola no Tribunal do Santo Ofício, leia-se Santa Inquisição, em pleno século XXI, e transforma os maias em um povo decadente e sedento de sangue (erro histórico: quem tinha este comportamento eram os aztecas) com uma história de um eclipse e coloca os espanhóis cristãos como "salvadores" dos pobres índios maias, o Tribunal do Santo Ofício agradece a Mel Gibson pelos serviços prestados.

Ano 1000

Bem, mas esse não é o tema centra da postagem, mas sim, um estudo que fiz na Faculdade de História da USP, nas aulas de historia medieval, muito elucidativo na compreensão do fenômemno também conhecido como "milenarismo". Estudamos uma coletânea de textos medievais produzidos nas proximidades do ano 1.000. (Para quem se interessar o autor é Georges Duby). É relamente incrível ver como funciona o pensamento humano, prioncipalmente quando é dirigido, manipulado, por assim dizer com o propósito escuso de "arrebanhar almas".

Nas proximidades do ano 1000, com, a escassez de informações e meios de comunicação todo e qualquer evento considerado "anormal" era tido como "sinal dos tempos". Um texto de um monge trata que em um comunidae rural da europa central, o nascimento d euma galinha com duas cabeças (fato comum estudado na escolas de zootecnia) causou grande alvoroço, fazendo com que afluíssem à catedral, centenas de crisãos penitentes querendo se redimir do pecados antes do fim do mundo.

Da mesma forma, pragas e pestes (que sempre assolaram a humanidade), guerras ou mesmo casos de violência gratuíta entre pessoas da mesma família, eram atribuídos ao "anti-cristo". Surgiram pregadores por toda europa e memso a igreja oficial também se beneficiou dos eventos.
E quando chegou o ano 1000 e o mundo não acabou, sabe o que aconteceu: os "apocalípticos de plantão" marcaram nova data 1.033, ou seja, o aniversário de mil anos de morte e ressureição de Jesus.
Os estudos destes textos me trouxeram a certeza de que muitos eventos que são interpretados como "anúncio de fim de mundo", são na verdade mais comuns do que possamos imaginar.

Mas o que é o apocalípse afinal?

Apocalipse não tem nada a ver com "fim do mundo", o termo significa "revelação" e já lí interpretações, muito plausíveis de que na verdade os textos de S.João tentam descrever o processo de acese, algo que os hindus descrevem como a "subida da kundalini".

O "arrebatamento" seria na verdade um processo individual de acese ou assenção espiritual e não uma fantasia coletiva de gente subindo aos céus como retrata a figura.

A energia primal contida no chacra básico (sexual) faz sua passagem por cada um dos seis chacras acima (sete selos). Um processo de fato 'apocalíptico", pois a energia selvagem da vida destruiria no seu caminho todas as idéias de conforto e bem-estar projetadas pelo meio social em nossa mente. Passaria pelo coração (o "Cristo") e terminaria por se projetar através do chacra coronário, reestabelecendo definitivamente o contato céu-terra, através do homem, perdido no tempo mítico da queda do paraíso. Tudo isso é simbólico. o processo é descrito com a subida de uma 'serpente" ou também do despertar de um "dragão". Uma metáfora ao poder destrutivo da energia selvagem e descontrolada, que não se contém mais pelo molde social e somente pode ser guiada, dirigida pelo coração (o Cristo).
A Bíblia é riquíssima, mas a pobreza está na maneira com que vem sendo estudada e transformada em um grilhão para a consciência. Estudar e conhecê-la através de seus símbolos permite uma alcance muito maior da própria consciência, uma liberdade de interpretação que é sobretudo oindesejável para a s instituoições religiosas que preferem ter o domínio dos corações e mentes, ao invés de libertá-los para o verdadeiro vôo da consciência.

sábado, 21 de maio de 2011

O Animal Humano

Quando estudava filosofia na Universidade, sempre questionei esta dicotomia entre Natureza X Cultura. É com base neste pressuposto que se constrói a civilização ocidental. É por conta desta visão que estamos diante de eminência de mudanças climáticas que podem significar a extinção de milhares de espécies, incluindo a nossa.

Em meus estudos xamânicos deparei-me com uma realidade distinta: a de que a vida é repleta de seres. Não apenas os humanos, mas todos os seres: animais, vegetais, minerais, espirituais, etc... O xamanismo consiste em parte em dialogar com estes seres. Uma perspectiva a qual a civilização ocidental judaico-cristã simplesmente ignora.
Na tentativa de me familiarizar melhor com a linguagem acadêmica (estou há mais de dez anos sem sentar a bunda numa cadeira universitária) comecei a ler sobre o Antropólogo brasileiro Eduardo Viveiros de Castro, e qual não foi a minha surpresa ao ver que numa linguagem acadêmica, é exatamente o mesmo que ap
rendi do velho Yawarani, nos três meses de isolamento em que fiquei na Floresta.



Segue abaixo trecho de entrevista concedida pelo Antropólogo Viveiros de Castro a
Lucio Uberdan.

“Perspectivismo” foi um rótulo que tomei emprestado ao vocabulário filosófico moderno para qualificar um aspecto muito característico de várias, senão todas, as cosmologias ameríndias. Trata-se da noção de que, em primeiro lugar, o mundo é povoado de muitas espécies de seres (além dos humanos propriamente ditos) dotados de consciência e de cultura e, em segundo lugar, de que cada uma dessas espécies vê a si mesma e às demais espécies de modo bastante singular: cada uma se vê como humana, vendo todas as demais como não-humanas, isto é, como espécies de animais ou de espíritos.
Assim, por exemplo, as onças se vêem como gente, vendo ainda vários elementos de seu universo como se consistissem de objetos culturais: o sangue dos animais que matam é visto pelas onças como cerveja de mandioca etc. Em contrapartida, as onças não nos vêem, a nós humanos (que naturalmente nos vemos como humanos), como humanos, mas sim como animais de presa: porcos selvagens, por exemplo. É por isso que as onças nos atacam e devoram. Quanto aos porcos selvagens (isto é, aqueles seres que vemos como porcos selvagens), estes se também se vêem como humanos, vendo, por exemplo, as frutas silvestres que comem como se fossem plantas cultivadas -mas vêem a nós humanos como se fôssemos espíritos canibais (pois os caçamos e comemos).

Há vários desdobramentos e implicações desse complexo de idéias: por exemplo, que a forma corporal de cada espécie é uma roupa ou invólucro que oculta uma forma interna humanóide; ou, ainda, que os xamãs são os únicos indivíduos capazes de assumir o ponto de vista de mais de uma espécie além da sua própria; ou, ainda, que, dada a humanidade reflexiva de cada espécie, a caça e o consumo de carne animal são empresas metafisicamente problemáticas, jamais livres de conotações canibais. Tudo isso assenta em um pressuposto fundamental, o de que o fundo comum da humanidade e da animalidade não é, como para nós, a animalidade, mas a humanidade.

Os mitos indígenas descrevem uma situação originária onde todos os seres eram humanos, e a perda (relativa) dessa condição humana pelos seres que vieram a se tornar os animais de hoje. Ou seja, se para nós os humanos “foram” apenas animais e se tornaram humanos, para os índios os animais “foram” humanos e se tornaram animais.

Nós pensamos, é claro, que os humanos fomos animais e continuamos a sê-lo, por baixo da “roupa” sublimadora da civilização; os índios, em troca, pensam que os animais, tendo sido humanos como nós, continuam a sê-lo, por baixo de sua roupa animal. Por isso, a interação entre humanos propriamente ditos e as outras espécies animais é, do ponto de vista indígena, uma relação social, ou seja, uma relação entre sujeitos.

Entre as conseqüências filosóficas mais interessantes dessa doutrina perspectivista indígena está uma concepção das relações entre “Natureza” e “Cultura” radicalmente distinta daquela que vigora, em versões historicamente variáveis, na tradição ocidental, desde o par phusis/nomos da Grécia antiga ao par nature/société do Iluminismo."

sexta-feira, 20 de maio de 2011

quinta-feira, 12 de maio de 2011

Ensino Religioso: se aproxima a hora da verdade


Parece que comprei uma briga grande ao levar a público a denúncia de um pai de que uma escola municipal havia exibido o filme "Paixão de Cristo" (classificação indicativa: 14 anos) para crianças de 10 anos. O filme, ainda que seja fiel a história original, traz cenas de violência e tortura contra um personagem a qual 99% da população brasileira, tem identificação espontânea: Jesus Cristo. É uma boa receita de tortura psicológica. Em uma enquete que circulou na cidade, uma psicóloga responde; "É uma temeridade. Pois pode ajudar a banalizar a violência. Na cabeça das crianças, passa a significar que sofrer tais violências é normal." Um velho ditado romano diz que "a diferença entre o remédio e o veneno é a dose".

As educadoras da escola, que não convém aqui citar. Pediram que eu fizesse uma retratação. Ora, não pode haver retratação para algo que não é mentira. Isso de fato aconteceu. Ainda assim abri espaço para elas. Mas não quiseram se pronunciar. Queriam que eu falasse por elas. Não fiz nenhum julgamento de valor quando falei sobre a exibição do filme, exceto de que era inadequado para crianças daquela idade. Isto com base, não em uma opinião minha, mas na própria classificação indicativa do filme.

Muita gente, inclusive em casa e no meu local de trabalho não entendeu porque resisti firme na minha posição. Mas o fato, que já venho denunciando o problema da discriminação nas escolas por orientação religiosa. As vezes parte dos próprios alunos, mas há casos mais graves em que os próprios educadores embarcam nesta onda. Isso é um crime. e a LDB está aí para provar isso.

Mas valeu a pena comprar a briga, pois choveram manifestações de apoio ao meu posicionamento, partindo especialmente do meio espírita. Gente que já se sentia incomodado mas ainda estavam numas de "deixa-prá-lá". Os espíritas muitas vezes pela própria convicção religiosa, evitam o conflito, pois são treinados na tolerância e em suportar o preconceito.

Eu, por não pertencer a nenhuma instituição religiosa, me sinto totalmente à vontade para cobrar do poder público, o cumprimento da lei nestes casos.

Sei que mexi num vespeiro, por que até então cada um dava suas aulinhas de religião do jeito que bem entende, mesmo que esteja contribuindo para a formação de fanáticos e intolerantes no futuro. Educadores, por favor, não levem isso como "ofensa pessoal". Também não estou particularizando acusações contra ninguém.
Mas o fato é que o ensino religioso tem que ser repensado urgentemente em nossa cidade.

Não quero que meus filhos sejam discriminados na escola por serem espíritas ou por serem filhos de usuários de ayahuasca. O uso do chá já foi regulamentado em instâncias superiores, como o CONAD (Conselho Nacional Anti-Drogas) e não cabe a um professor fazer diferente em sala de aula, baseado em suas convicções pessoais. Muito menos atacar qualquer religião que seja, pois todas estão amparadas pela constituição brasileira.

Dirigentes da UDV já disseram que vão procurar as secretarias municipal e estadual de ensino para tratar do tema. Não queremos que nossos filhos entrem em conflito com as convicções religiosas de seus pais por uma orientação equivocada na escola.

Na imagem: Khrishna ensina ao príncipe Arjuna sobre as múltiplas personalidades de Deus. Extraído dos Vedas, livro sagrado dos Hindus.

Moções de Apoio


Leandro Altheman

Um paulista recém-chegado em CZS me perguntava porque permaneço em Cruzeiro do Sul mesmo após dez anos...

Naquela tarde minha motocicleta havia quebrado. Cansado, suado, nervoso, irritado por um dia estressante de trabalho e sabendo que chegaria em casa e provavelmente não haveria água para tomar banho.

Pessoas me pararam na rua. "Parabéns Leandro. Muito bem a matéria que você fez sobre o pagamento de diárias... é uma safadeza mesmo."
Um sujeito que nunca vi na vida parou sua motocicleta para me cumprimentar e assim foi o dia todo. Gente velha, nova, ricos, pobres e remediados, vieram me prestar solidariedade pela matéria que expôs a nú administração municipal, suas mazelas, desamandos, nepotismos...

A ironia feita ao vivo no programa Juruá Notícias pelo assessor de comunicação Neto Vitalino "somos mesmo o trenzinho da alegria, pois levamos alegria aos necessitados" , não chegou nem de longe a me afetar.

Sei separar muito bem a pessoa e o papel que ela cumpre. Amanhã ou depois, Neto Vitalino não vai ser mais o assessor da prefeitura e será mais um colega de imprensa. Acho que ele cumpre bem o papel dele. E eu o meu.

Mas só tenho mesmo a agradecer. De outro modo jamais saberia do apreço que graças a minha postura, gozo junto à população.

O sujeito que nunca havia visto, fez questão de me levar até em casa. Meus vizinhos também me cumprimentaram pela matéria.

Confidências de alcova costumam ser a mais sinceras. Sem compreender ao certo porque tantas pessoas me cumprimentavam, uma bela cruzeirense me disse "é por que você diz os que as pessoas tem vontade de falar, mas não podem. Elas se sentem "vingadas"".

E ainda me perguntam porque que eu fico em Cruzeiro do Sul !

Na foto o pôr-do-sol sobre CZS. Na minha opinião, um dos mais lindos que já vi. E olha que já rodei...


Trenzinho da Alegria


População reage com indignação à notícia de que prefeito Vagner Sales, vice e secretários aprovaram lei que permite ganhar diárias para viajar dentro do município.

“Não acho certo, por que ele já ganha pra isso. É sempre eles ganhando, e deixando o pobre pra trás”. A frase dita pelo agricultor aposentado Raimundo foi repetida pelo menos uma dezena de vezes por populares durante a enquete produzida pela equipe da Rádio TV Juruá sobre a lei que permite ao prefeito ganhar diárias para viajar dentro do município.

A Lei de autoria do executivo que autoriza prefeito, vice, secretários e servidores a receberem diárias foi publicada no Diário Oficial em 24 de dezembro de 2010 (véspera de Natal). No entanto, a maioria dos vereadores disse desconhecer a lei. A portaria 425/2010 que criou a diária para “viajar dentro do município” leva a assinatura do prefeito Vagner Sales.

A primeira reação veio da Câmara de Vereadores. Os vereadores Ribeiro(PTN), Paulo Soriano (PDT) e Edvaldo Gomes (PCdoB) pediram espaço no programa Juruá Notícias para prestar esclarecimentos. Eles fizeram uma defesa do trabalho do legislativo municipal e alegaram ter tomado conhecimento da lei a partir da reportagem. O vereador Paulo Soriano defende o estabelecimento de critérios para o pagamento de tais diárias. Já o vereador Edvaldo Gomes, disse que pretende derrubar a lei na câmara.

A lei que regulamenta o pagamento de diárias e que entrou em vigor em 1991 deixou uma brecha jurídica para que o executivo fizesse as alterações que julgasse necessário sem passar pelo legislativo. Assim, a mudança foi aprovada pelo Gabinete do Prefeito, incluindo as diárias para viagens dentro do município, sem passar pelo legislativo.

Nesta terça-feira, o espaço foi cedido ao prefeito Mazinho Santiago e ao assessor de comunicação Neto Vitalino. Mazinho afirmou categoricamente que apesar da aprovação da lei, as diárias nunca foram pagas.

Neto Vitalino ironizou a expressão “trenzinho da alegria” dizendo que as viagens do prefeito e comitiva ao interior trazem “alegria” aos necessitados.

Questionado pelo apresentador Rogério Venceslau sobre o nepotismo (contração de parentes) dentro da prefeitura e os processos de improbidade administrativa gerados por esta prática, o vice-prefeito Mazinho Santiago respondeu: “Não se segue nunca uma lei ao pé da letra.”

Com a palavra, o MP.

(Leandro Altheman)

Segue lei, abaixo:

MUNICÍPIO DE CRUZEIRO DO SUL – ACRE

GABINETE DO PREFEITO

PORTARIA N° 425/2010, DE 23 DE DEZEMBRO DE 2010.

93 Sexta-feira, 24 de dezembro de 2010 Nº 10.447 DIÁRIO OFICIA9L3

O PREFEITO MUNICIPAL DE CRUZEIRO DO SUL – ACRE, no uso das

atribuições que lhe confere o art. 64 da Lei Orgânica deste Município e

o art. 3° da Lei Municipal n° 043/1991.

RESOLVE:

I – Fixar novos valores para a TABELA DE DIÁRIAS do Poder Executivo

Municipal de Cruzeiro do Sul – Acre, modificando o Anexo I da Lei n°

043/91, de 13/12/1991, que passa a vigorar com os termos seguintes:

LEI N° 043/91.

ANEXO I.

BENEFICIÁRIOS NO MUNICÍPIO/ DENTRO DO ESTADO /FORA DO ESTADO

PREFEITO R$ 120,00 R$ 408,00 R$ 879,00

VICE-PREFEITO R$ 114,00 R$ 388,00 R$ 835,00

SECRETÁRIOS R$ 108,00 R$ 281,00 R$ 420,00

SERVIDORES

(NÍVEL SUPERIOR) R$ 102,00 R$ 267,00 R$ 400,00

DEMAIS SERVIDORES R$ 96,00 R$ 220,00 R$ 350,00

II – Esta Portaria entrará em vigor na data de sua publicação com efeitos

a partir do primeiro dia útil do mês de janeiro do exercício de 2011.

III – Revogam-se às disposições em contrário, em especial a Portaria n°

010, de 29 de janeiro de 2009.

GABINETE DO PREFEITO MUNICIPAL DE CRUZEIRO DO SUL,

ESTADO DO ACRE, EM 23 DE DEZEMBRO DE 2010.

Registre-se.

Publique-se.

Vagner Sales

Prefeito Municipal

terça-feira, 10 de maio de 2011

Quem for contra o casamento gay... Não case com um gay!


Provoquei os mais veeementes protestos dos leitores evangélicos com a postagem no Jurua online. Uma pena que a maiuoria das pessoas parece não perder tempo para ler , somente escrevem em cima de impressões.

O fato é que sou contra o casamento gay. Por isso não caso com gay!

Em dez anos de jornalismo e quinze de xamanismo, aprendi uma coisa: opinião não é conhecimento. De que vale minha opinão pessoal diante do fato consumado de que devem existir pelo menos centenas destas uniões em todo Brasil.

A postagem é antes de tudo em defesa da separação entre Estado e Igreja. Alguns leitores vieram lá com os seus versículos para justificar a não-união entre pessoas do memso sexo.

Ora, é justamente sobre isso que venho falando: usar a bíblia como código civil não é muito diferente de usar o alcorão como constituição, que é o que acontece nos países fundamentalistas. Aliás, um pelo outro, eu prefiro o alcorão, que pelo menos permite um homem casar com quatro mulheres.

Em Brasília, o Deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ) criticou a decisão do STF em reconhecer a legitimidade da união entre pessoas do mesmo sexo. Em Rio Branco, a voz de Bolsonaro encontrou eco no deputado estadual Astério Moreira (PRP), que demonstrou preocupação de que a nova lei pudesse ser usada para obrigar as igrejas a realizarem o casamento gay.”Sou contra o casamento gay por princípios bíblicos”, disse o parlamentar na tribuna.

Já o deputado Jamil Asfury (PSDB) foi mais moderado: “na verdade existe um direito civil que não tem como se negar. Mas pessoalmente tenho concepções religiosas e não tenho respaldo bíblico para admitir isso.”

Edvaldo Souza (PSDC), defendeu o estado laico e o direito civil: “o Estado brasileiro é laico e a opção sexual é de cada pessoa. Acho que o Estado brasileiro existe para defender todas as pessoas sejam elas heterossexuais ou homossexuais. Por isso, os homossexuais devem ter os seus direitos civis garantidos pela Constituição Brasileira, não vejo nenhuma aberração jurídica em se tratando dessa questão. Mas acho que tem que haver respeito pelos evangélicos, pelos católicos, pelos umbandistas e por todas as matizes religiosas”, argumentou.

Deixando de lado as preferências sexuais e concepção religiosa de cada um, vamos aos fatos:

1º - A união civil entre pessoas do mesmo sexo, apenas garante direitos civis para este tipo de união, chamada “homoafetiva”. Na prática, o Estado brasileiro apenas reconhece a legitimidade de direito, para um tipo de união que já existe de fato.

2º - A decisão do STF baseia-se claramente no princípio de separação entre Igreja e Estado, e o STF, de maneira muito clara e objetiva analisou a questão sob o prisma do Estado e não da Igreja. Cabe ao estado reconhecer o direito de seus cidadãos.

3º - O mesmo princípio de separação entre Igreja e Estado, a priori, impede qualquer tipo de ingerência do Estado sobre os assuntos da Igreja. Ou seja, o Estado brasileiro, jamais poderá obrigar qualquer igreja a realizar algo que vá de encontro aos seus princípios.

O episódio é mais um desafio para o estado laico brasileiro e se opõe frontalmente à tendência de as igrejas dominarem o debate político.

Pessoalmente, posso ser até contrário a este tipo de união, mas como defensor das liberdades individuais, jamais poderia aceitar que por razões religiosas e morais, pessoas nestas condições não tenham acesso à cidadania plena.

Tenho sido, por exemplo, um crítico contumaz do proselitismo homoafetivo nas novelas da rede Globo, mas isso não me impede de enxergar que a decisão do STF é a mais correta do ponto de vista jurídico: ou seja, de que direitos devem ser reconhecidos pelo Estado.

O que muitos parlamentares não vêem ou não querem ver, é que o mesmo Estado Laico, aquele que separa as razões de estado e igreja, é na verdade a única garantia de que as liberdades religiosas continuarão a serem respeitadas. Ou seja, se uma igreja, a partir da interpretação doutrinária de suas escrituras, entende que o homossexualismo é condenável, está no seu pleno direito de pregar contra esta prática, no seu âmbito religioso.

Em outras palavras, ao Estado cabe reconhecer direitos, e à Igreja cabe convencer seus fiéis a terem uma conduta condizente com sua base doutrinária. Cada qual no seu papel. Simples assim.

Deixar que razões religiosas interfiram nas políticas de estado, seria se aproximar perigosamente dos regimes fundamentalistas do oriente, onde a base legal é dada pelo Alcorão.

Por outro lado, permitir a ingerência do estado em questões religiosas, nos aproximaria de um regime chinês, onde as razões de estado sufocam as liberdades individuais e interferem no trabalho das igrejas, a ponto do governo nomear os sacerdotes.

Outra coisa: os pastores estão preocupados de que a PL 122 possa impedí-los legalmente de realizar pregações contra o homossexualismo. Me parece uma inverdade.

A PL 122 apenas altera o texto constitucional que criminaliza o preconceito contra raça, sexo e credo, acrescentando tb orientação sexual. Se fosse crime, já teria muito pastor preso por pregar contra o espiritismo, a umbanda, e o próprio catolicismo, não apenas dentro das igrejas, mas também no rádio e na televisão.


Aliás, todo ano, em época de novenário é amesma coisa: pastores pregando contra as procissões. Alguém uma vez respondeu judicialmente sobre isso?


Embora considere uma perda de tempo, usar o espaço sagrado de um templo para ficar falando mal de outras religiões, defendo o direito de que possam fazê-lo, afinal de conta, estão na casa deles e faz sentido que tentem convencer seus fiéis a terem um comportamento condizente com as escrituras.
Mas lembrem-se: o que serve para uns, pode não servir para outros. Isto é democracia.